MP-SP denuncia homem suspeito de matar e guardar coração de travesti
Promotoria constata ódio a pessoas com orientação sexual diferente. Ao matar a travesti, diz o promotor, açougueiro agiu de maneira desumana
São Paulo|Do R7

O promotor de Justiça Luís Felipe Delamain Buratto denunciou um homem pelo suposto assassinato de uma travesti na segunda-feira (21), em Campinas. Ele é suspeito de, após o homicídio, ocultar o corpo e arrancar partes do pulmão e do coração. O homem teria ainda furtado R$ 250 reais da vítima. A promotoria registra que o crime foi cometido "por motivo torpe e com emprego de meio cruel".
O suspeito foi denunciado por homicídio por motivo torpe, emprego de meio cruel, com o agravante penal de subtrair parte do cadáver e também por furto. O promotor pediu a manutenção da prisão decretada.
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"O denunciado não aceita e repudia pessoas que possuem orientação sexual diversa da sua, tais sejam transexuais, homossexuais, etc., conforme verte da decisão dada em audiência de custódia, vazada nos seguintes termos: "proferir palavras de reprovação e ódio a pessoas homossexuais ou transexuais, tal como era a vítima, resolveu assassinar alguém que possuísse tais características", argumenta.
A promotoria afirma que o homem "adentrou ao estabelecimento comercial, divisou a vítima, e resolveu abatê-la". "Então, aguardou que todos os clientes fossem embora, para pôr em marcha seu plano".
"Ele se apoderou de uma garrafa de vidro quebrada e de uma faca e passou a efetuar diversos golpes na cabeça e no pescoço da vítima, com tais objetos e com as próprias mãos, dando socos, facadas e batendo com a garrafa quebrada, provocando seu óbito", descreveu o promotor.
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O promotor relata que ao "atingir o resultado pretendido, a morte da travesti, o homem, que trabalhou como açougueiro, de maneira desumana e brutal, abriu o peito da vítima e retirou parte de seu pulmão e o coração, com escopo de levar o órgão para sua casa".
"Na sequência, aproveitando-se da pouca vigilância em face do repouso noturno, o denunciado subtraiu a quantia armazenada no caixa do estabelecimento, que totalizava R$ 250, além de diversos bens no local, como carregadores para telefone celular, uma máquina fotográfica, um tablet, uma máquina de cortar cabelo e outros, evadindo-se logo em seguida, levando consigo o coração da vítima", afirma o MP.
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"O crime de homicídio foi cometido por motivo torpe, eis que o increpado deu cabo da vida da vítima por odiar pessoas com orientação sexual diversa da sua, demonstrando sentimento abjeto e de repúdio por seres humanos que apresentam tais características, o que revela a torpeza do crime", escreveu.















