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“Nunca me senti violentado e agredido na Faculdade de Medicina”, diz aluno da USP

Presidente do Centro Acadêmico foi chamado à Alesp para falar sobre denúncias de violência

São Paulo|Fernando Mellis, do R7

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Murilo (foto) disse que denúncias causaram "perplexidade"
Murilo (foto) disse que denúncias causaram "perplexidade"

Diante das denúncias de estupro e de trotes violentos na FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), deputados da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) chamaram o presidente do centro acadêmico para a terceira audiência pública sobre o caso, nesta terça-feira (2). As respostas evasivas do estudante Murilo Germano Sales da Silva irritaram o deputado Adriano Diogo, que desabafou.

— O senhor não pode vir aqui me advertir na frente de todos os deputados e de todos os nossos convidados. O senhor tem que ter o mínimo de educação política. Não fique me dando enquadramento do que eu devo ou não perguntar. Os senhores têm quatro acusações de estupro dentro da faculdade e fica me enrolando o tempo todo. Me respeite.


Antes disso, o presidente do Caoc (Centro Acadêmico Oswaldo Cruz) havia dito que não era pertinente o parlamentar questioná-lo sobre um dente quebrado. Adriano Diogo queria saber se o episódio tinha sido durante algum trote.

— A história dos dentes é um claro exemplo de exagero de algumas informações que estão sendo veiculadas. Eu já ouvi inúmeras versões para isso. Que eu teria tomado soco, que eu teria sido amarrado na cadeira e caído, tomado uma rasteira. Eu caí em outra atividade fora da Faculdade de Medicina e me machuquei. Acredito que não vale a pena para essa Assembleia discutir um caso tão pessoal, senhor deputado.


Adriano Diogo, então, resolveu ser mais direto. “O senhor foi vítima de trote alguma vez?”. Sem ser claro, o estudante respondeu.

— Sendo bem sincero. Muitas das coisas que hoje trazem à tona e geram uma conscientização e discussão, eu acredito que possam ser rediscutidas. Eu nunca me senti violentado e agredido na Faculdade de Medicina.


O jovem admitiu que é integrante do Show Medicina, uma tradicional fraternidade de alunos que, segundo denúncias, aplica trotes violentos em quem deseja participar. Silva disse que apenas canta no coral e que não ocupa cargo de direção no grupo. 

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Mais uma vez, o diretor da FMUSP, Jose Otavio Costa Auler Junior, não compareceu à sessão. Ele enviou uma carta explicando que, “em razão de compromisso inadiável inerente ao cargo”, não iria. No documento, o professor destaca ações adotadas após as denúncias de violência envolvendo a faculdade, inclusive a suspensão de consumo e venda de bebidas alcoólicas no campus. 

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