Para Alckmin, envolvimento de menor em morte de dentista "mostra a necessidade de mudar a legislação"
Governador defende uma revisão da lei sobre a maioridade penal no País
São Paulo|Do R7, com Jornal da Record
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, falou sobre as prisões dos suspeitos de envolvimento na morte da dentista Cinthya, assaltada e queimada viva em São Bernardo do Campo. Após a prisão de dois adultos e um adolescente na madrugada deste sábado (27), o menor confessou à polícia que foi o responsável em atear fogo na vítima. O governador disse acreditar na necessidade da diminuição da maioridade penal.
— Mais uma vez um menor cometendo um crime extremamente grave, o que mostra a necessidade de mudar a legislação brasileira.
Neste sábado (27), foi realizada uma coletiva de imprensa para falar sobre as prisões. Na saída, o delegado geral da Polícia Civil, Luiz Maurício Blazeck, declarou que o caso foi solucionado.
— Nós demos a resposta que a sociedade queria e que a mídia obviamente cobrava.
Confissão
Os três suspeitos de atear fogo e matar a dentista confessaram a autoria do crime, informou Luiz Maurício Blazek. Segundo o delegado, o uso do álcool e fogo era a forma que a quadrilha usava para ameaçar as vítimas de seus crimes.
— Atear fogo era uma forma de ameaça deles. Eles usavam um isqueiro. Um indício muito forte de que eles são os responsáveis pelo crime é que o anel da vítima estava na carteira de um dos elementos.
A prisão do grupo aconteceu na madrugada deste sábado em Diadema. Há ainda um quarto integrante da quadrilha, reconhecido como Tiago de Jesus Pereira, que está foragido.
O grupo é suspeito de envolvimento em casos semelhantes que ocorreram neste mês de abril na capital. No dia 12, a quadrilha assaltou uma Clínica Dentária, na rua Padre Arlindo Vieira, Sacomã, zona sul da capital. Eles fingiram ser pacientes e anunciaram o assalto. Amordaçaram e vendaram a dentista e um paciente no local, levando os cartões bancários.
Enquanto um fazia as vítimas de refém com uma arma prata, os outros dois saíram em um Audi preto — mesmo modelo usado no assalto ao consultório de Cinthya — em direção a um posto de combustível, para sacar dinheiro. Após a ação, os criminosos abandonaram as vítimas e fugiram do local com o carro da dentista. A ação foi filmada pelo circuito interno do posto e da clínica.
O crime
A dentista Cinthya Magaly Moutinho de Souza, de 47 anos, foi queimada viva durante um assalto dentro de seu consultório, na rua Copacabana, bairro do Jardim Anchieta, em São Bernardo do Campo. De acordo com a Polícia Militar, Cinthya atendia uma paciente — cujo nome não foi divulgado — quando criminosos apertaram a campainha. Um dos bandidos disse que precisava de atendimento odontológico e a dentista abriu o portão. Logo, mais dois invadiram a casa. A paciente ficou com os olhos vendados durante toda a ação e teve a bolsa, o celular e dinheiro roubados.
Cinthya disse que estava com pouco dinheiro, mas forneceu o cartão do banco e a senha. Os criminosos sacaram R$ 30 da conta da dentista em um banco próximo ao local do crime.
Vítima pediu para não morrer antes de ser queimada viva, informa delegado
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Segundo a paciente, única testemunha do crime, por volta das 12h30, a dentista começou a passar mal e, um dos bandidos, que aparentava ser menor de idade, resolveu encharcá-la com álcool para assustá-la. Segundo informações da polícia, eles queimaram a vítima por não terem conseguido levar mais dinheiro.
De acordo com o delegado seccional de São Bernardo, Waldomiro Bueno Filho, a paciente — que não ficou ferida — conseguia ouvir a dentista gritando "não faz isso" e pedindo socorro.
— Ela tentou apagar o fogo quando os bandidos fugiram, mas não foi possível. A dentista morreu em menos de três minutos.
Assista ao vídeo:













