Para ex-usuário de droga, impor a cura não resolve
Grupos que já trabalham no enfrentamento ao crack criticam a internação compulsória
São Paulo|Do R7

Grupos religiosos que já trabalham no enfrentamento ao crack em São Paulo criticam a internação compulsória. Coordenador da Missão Belém, parceira do governo desde dezembro, Eliseu Dias acredita que a internação contra a vontade do usuário não surte efeitos.
— Fui dependente e tudo o que fizeram comigo de maneira forçada, até mesmo cadeia, não resolveu. Acredito que não dá certo.
Segundo o coordenador, os usuários da cracolândia ficaram assustados com a possibilidade de serem internados contra a vontade.
— Por esses dias, fizeram até uma reunião e disseram que iam revidar com facão, faca. Eles se reuniram imaginando o pior.
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Operação na Cracolândia termina sem internação à força
O padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo de Rua, propôs que em vez de levar juízes e advogados para o centro o governo estadual colocasse mais médicos e assistentes sociais nas periferias.
— O problema é que esse plantão judiciário trata apenas as exceções, somente os casos considerados muito graves, mas não apresenta um programa justo de tratamento de dependentes químicos para a sociedade.
O pastor Syllas Hernandes, da Cristolândia (missão da Igreja Batista na região central), também faz críticas ao modelo.
— A pessoa deve estar consciente de que precisa de uma mudança, por isso acredito que a internação deva ser voluntária.
O promotor de Justiça dos Direitos Humanos, Arthur Pinto Filho, teme o fracasso do projeto.
— Cada vez que o governo inventa uma ação mágica, você tem um retrocesso. O que funciona é o trabalho formiguinha, desse pessoal da Missão Belém.
A coordenadora de Saúde Mental, Álcool e Drogas da Secretaria da Saúde do Estado, Rosângela Elias, nega que o atendimento de saúde mental tenha sumido.
— Não é porque estamos executando essa ação que a rede de atendimento de saúde mental sumiu. O atendimento continua nos Caps. As exceções vêm para o plantão judiciário.
Vizinhança
Para moradores e trabalhadores do centro, a Operação Centro Legal, iniciada em janeiro de 2012, não surtiu efeito. O comerciante Raimundo Campelo, de 40 anos, explica: — Não vi mudança nenhuma. Mexeram para todo o lado, mas não melhorou nada.
A agente de atendimento Luciana Santos, de 33 anos, defende a internação compulsória, pois acha que a situação piorou.
— A pessoa perde o livre arbítrio. Tirar à força é uma necessidade.
As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
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