Para fugir da violência, taxistas evitam corridas em parte do Morumbi
Profissionais chegam a recusar passageiros em determinados locais por causa dos assaltos
São Paulo|Do R7

A onda de violência pela qual passa o Morumbi, na zona sul de São Paulo, mudou a rotina de taxistas que costumam fazer corridas na região. Partes do bairro, principalmente próximo à favela Paraisópolis, são evitadas devido ao risco de assaltos. Há dois anos, o bairro registra cerca de dez assaltos por dia.
Edvaldo Soares, de 57 anos, taxista há quase quatro décadas, afirma que a violência aumentou em toda a cidade nos últimos anos.
— Tem uns pedaços perigosos mesmo e motoqueiros com garupa em todo o lugar.
Segundo ele, no início da carreira, era mais fácil avisar a polícia quando havia algum sinal de perigo.
— Antigamente, a gente deixava o luminoso acesso se suspeitasse de algum passageiro ou tivesse alguma coisa errada, para que a polícia nos parasse. Hoje, isso não funciona mais. Aí, o jeito é avisar os colegas pelo telefone do ponto de táxi mesmo.
Soares não recusa corrida, mesmo sabendo que o destino do passageiro é considerado perigoso.
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Já seu colega de profissão, Isac Lima, de 42 anos é taxista há dez meses. Por já ter sido caminhoneiro, Lima conhece alguns pontos críticos da Grande São Paulo e os evita a todo custo.
— Não vou nem se pagar a corrida dobrado.
Trabalhando como taxista há apenas dois meses, Douglas Paiva, de 32 anos, já foi assaltado atuando na nova profissão. Desde então, ele também evita algumas corridas. Segundo ele, os passageiros ficam bravos quando as corridas são recusadas e acusam os taxistas de fazer pouco caso. Para ele, os passageiros não têm noção do que os motoristas passam.
— O passageiro não é alvo dos bandidos porque anda em determinada região como pedestre. Geralmente, é o bairro onde ele mora. Já o taxista, é alvo. Assim que o passageiro está no táxi, ele vira alvo também.
Ainda de acordo com ele, em alguns bairros da cidade, o taxista tem certeza de que será assaltado e precisa ter dinheiro para dar aos bandidos.
— Eles levam celular, dinheiro das corridas e o que veem primeiro, como corrente e relógio. Se não tiver pelo menos uns R$ 200 para dar [para eles], eles atiram porque acham que taxista tem que ter dinheiro.
Após uma série de arrastões, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) reforçou o policiamento da área.
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