PF indicia 16 pessoas por atentado à segurança aérea no caso da queda do voo da Voepass
Investigação conclui que falhas no sistema de degelo não foram registradas, o que impediu a retirada da aeronave de operação
São Paulo|Márcio Neves, repórter investigativo da RECORD
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Quase dois anos após a queda do voo 2283 da Voepass, em Vinhedo (SP), a Polícia Federal concluiu a investigação criminal e indiciou 16 pessoas por crimes contra a segurança do transporte aéreo e 1 por falsidade ideológica.
O despacho do delegado André Almeida de Azevedo Ribeiro, assinado em 5 de agosto de 2026, encerra o inquérito e determina o envio do caso à 1ª Vara Federal de Campinas. Agora caberá ao Ministério Público Federal analisar as provas e decidir se apresenta denúncia à Justiça.
Segundo a Polícia Federal, a investigação reuniu um amplo conjunto de provas técnicas, documentais e testemunhais para reconstruir as circunstâncias do acidente que matou os 58 passageiros e os 4 tripulantes do ATR-72 da Voepass, em 9 de agosto de 2024.
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Na coletiva em que apresentou o resultado do inquérito, a PF afirmou que a investigação foi baseada em “um robusto e diversificado conjunto de provas técnicas, documentais e testemunhais”.
A principal conclusão da perícia é que o sistema pneumático de degelo apresentava falhas recorrentes antes do voo do acidente e que esses problemas deixaram de ser registrados nos livros técnicos da aeronave.
Segundo o laudo pericial, a ausência desses registros impediu que a manutenção identificasse a gravidade da falha e retirasse o avião de operação antes do voo.
O documento afirma que, ao deixarem de registrar as falhas, as tripulações anteriores “interromperam o fluxo de segurança operacional, impedindo que a manutenção interviesse antes do voo sinistrado”. Em outro trecho, a perícia conclui que, se essas falhas tivessem sido registradas, “a aeronave não poderia ser mantida operando em condições de formação de gelo”.
Durante a coletiva, um dos peritos explicou que os dados das caixas-pretas mostram que pilotos de um voo anterior acionaram repetidamente o sistema de degelo, indicando que tinham conhecimento da falha. Apesar disso, segundo ele, os livros técnicos registravam apenas “nada a relatar”.
A Polícia Federal também afirma que identificou o que classificou como uma “cultura de omissão” dentro da empresa, com falhas recorrentes deixando de ser registradas, comprometendo sucessivamente as barreiras de segurança operacional previstas para impedir que uma aeronave em condições inadequadas permanecesse em serviço.
O delegado responsável pela investigação destacou ainda que o crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo se consuma quando uma aeronave é colocada em situação de perigo, independentemente da ocorrência do acidente. No entendimento da PF, a aeronave foi exposta a risco em diferentes momentos ao longo do dia do acidente.
Quem foi indiciado
Segundo o despacho da Polícia Federal, foram indiciados:
- Edson Serra Martins — (cargo não informado) — falsidade ideológica (art. 299 do Código Penal);
- Luciano Alves de Macedo — (cargo não informado);
- Oderlino de Campos Figueiredo — (cargo não informado);
- John Major Viana — (cargo não informado);
- Marcos Hiroyuki Sato — despachante operacional;
- Alex de Souza Leandro — técnico de manutenção;
- William Schmidt Agatz — gerente de planejamento;
- Juliano Flores Pacheco — gerente de aeroporto;
- Marcel Sarquis Moura — diretor de operações;
- Carlos Alberto Costa — diretor de manutenção;
- Tiago Passucci Morani — chefe de inspeção;
- Eric Consoli — diretor de manutenção;
- Raphael Limongi de Figueiredo — diretor de operações;
- Rafael Gimenez Rodrigues — chefe dos pilotos;
- David da Costa Faria Neto — diretor de Segurança Operacional;
- José Luiz Felício Filho — proprietário da Voepass.
Com exceção de Edson Serra Martins, indiciado por falsidade ideológica, os demais respondem por crimes previstos no artigo 261 do Código Penal (atentado contra a segurança do transporte aéreo), com as agravantes dos artigos 263 e 258, conforme as imputações individualizadas no despacho.
A investigação foi conduzida paralelamente ao trabalho do Cenipa. Enquanto o órgão da Aeronáutica teve como objetivo identificar fatores contribuintes para prevenir novos acidentes, a Polícia Federal apurou eventual responsabilidade criminal pelas condutas relacionadas ao desastre.
A reportagem procurou a defesa dos envolvidos e o texto será atualizado conforme as manifestações sejam enviadas à redação.
Nota à imprensa
A VOEPASS informa que a segurança operacional sempre foi sua prioridade. Ao longo de mais de 30 anos de atuação na aviação brasileira, a companhia adotou rigorosamente todos os protocolos de segurança, manutenção e capacitação de tripulações previstos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
A empresa reforça que sua atuação sempre esteve pautada pelos mais elevados padrões de segurança da aviação, contando, desde 2012, com a certificação IOSA (IATA Operational Safety Audit), concedida pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) às companhias aprovadas em rigorosa auditoria internacional de segurança operacional.
Os treinamentos de pilotos contemplavam os procedimentos previstos para o enfrentamento de condições de formação de gelo, incluindo medidas como alteração de altitude e velocidade, conforme as orientações do fabricante da aeronave e os protocolos operacionais aplicáveis. As tripulações eram permanentemente orientadas a cumprir rigorosamente esses procedimentos, de acordo com cada cenário operacional.
A tripulação do voo 2283 era composta por profissionais experientes, devidamente habilitados e certificados, que somavam mais de 5 mil horas de voo, com treinamentos técnicos, certificações e avaliações médicas regularmente atualizados, sem qualquer registro prévio que comprometesse sua aptidão para o exercício da função.
Desde o início das investigações, a VOEPASS colaborou integralmente com as autoridades, disponibilizando documentos, diários de bordo, registros operacionais e relatórios técnicos ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e à Polícia Federal. A companhia compreende que o relatório da Polícia Federal integra a fase investigatória e aguardará os próximos desdobramentos processuais, e, se for o caso, exercerá plenamente seu direito de defesa, nos termos da legislação vigente.
A VOEPASS reitera sua solidariedade às famílias das vítimas e reafirma que permanece à disposição das autoridades, das instituições competentes e dos demais agentes envolvidos para prestar todos os esclarecimentos necessários.
A VOEPASS informa que a segurança operacional sempre foi sua prioridade. Ao longo de mais de 30 anos de atuação na aviação brasileira, a companhia adotou rigorosamente todos os protocolos de segurança, manutenção e capacitação de tripulações previstos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
A empresa reforça que sua atuação sempre esteve pautada pelos mais elevados padrões de segurança da aviação, contando, desde 2012, com a certificação IOSA (IATA Operational Safety Audit), concedida pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) às companhias aprovadas em rigorosa auditoria internacional de segurança operacional.
Os treinamentos de pilotos contemplavam os procedimentos previstos para o enfrentamento de condições de formação de gelo, incluindo medidas como alteração de altitude e velocidade, conforme as orientações do fabricante da aeronave e os protocolos operacionais aplicáveis. As tripulações eram permanentemente orientadas a cumprir rigorosamente esses procedimentos, de acordo com cada cenário operacional.
A tripulação do voo 2283 era composta por profissionais experientes, devidamente habilitados e certificados, que somavam mais de 5 mil horas de voo, com treinamentos técnicos, certificações e avaliações médicas regularmente atualizados, sem qualquer registro prévio que comprometesse sua aptidão para o exercício da função.
Desde o início das investigações, a VOEPASS colaborou integralmente com as autoridades, disponibilizando documentos, diários de bordo, registros operacionais e relatórios técnicos ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e à Polícia Federal. A companhia compreende que o relatório da Polícia Federal integra a fase investigatória e aguardará os próximos desdobramentos processuais, e, se for o caso, exercerá plenamente seu direito de defesa, nos termos da legislação vigente.
A VOEPASS reitera sua solidariedade às famílias das vítimas e reafirma que permanece à disposição das autoridades, das instituições competentes e dos demais agentes envolvidos para prestar todos os esclarecimentos necessários.
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