PMs teriam ameaçado testemunhas após morte de jovem na Grande SP
Familiares e amigos prestaram depoimento na Corregedoria da corporação
São Paulo|Peu Araújo, do R7

Nesta sexta-feira (10), testemunhas e familiares do adolescente Luan Gabriel Nogueira de Souza, de 14 anos, morto com um tiro na nuca supostamente disparado por um policial militar, foram à Corregedoria da PM falar sobre o caso.
Um jovem, que testemunhou o crime, relatou que foi agarrado pelo pescoço por um policial militar que não estava na ocorrência.
Na sequência, disse o garoto, foi ameaçado de ser “zoado” caso acusasse os policiais supostamente responsáveis pela morte de Souza.
A mãe do adolescente contou ainda que também foi advertida. “Ameaçaram de ‘zoar’ ele e eu.”
Essas e outras testemunhas revelaram ter medo de represálias dos policiais militares.
O crime aconteceu no último domingo (5) na Travessa Sete, no Parque João Ramalho, em Santo André, na Grande São Paulo.
Em depoimento, a mãe Maria Medina e o irmão mais velho, Lucas Nogueira, de 23 anos, afirmaram que, no dia do crime, não tiveram acesso ao corpo logo após Souza ter sido baleado. Eles contaram ainda que foram expulsos do local.
Outros familiares relataram que estiveram no 2º DP de Santo André e que o policial civil presente ao plantão os mandou embora, alegando que bastaria ouvir a versão dos PMs. Eles contaram ainda que não conseguiram ver o corpo no IML (Instituto Médico Legal) do município mesmo tendo ido duas vezes ao local.
Testemunhas disseram que o PM atirou três vezes contra os jovens que estavam na viela. Em depoimento dado à corregedoria, o policial reconhece ter atirado três vezes.
O IPM (Inquérito Policial Militar), diferente do boletim de ocorrência, aponta como indiciado o cabo da PM Alécio José de Souza e o jovem como vítima. O documento revelou ainda que foram apreendidos dois cartuchos de pistola .40, usada pela polícia.
Policiais afastados
Questionada, a SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública) afirmou, por meio de nota emitida no sábado (11), que os policiais envolvidos na ação foram afastados do serviço operacional.
"Como é de praxe nesses casos, eles realizarão trabalhos administrativos até a conclusão dos inquéritos policiais civil – a cargo do 2º Distrito Policial de Santo André – e militar – que corre pelo 10º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, com acompanhamento da Corregedoria", diz a nota da pasta.
"Até o momento diversas pessoas prestaram depoimento, inclusive os familiares da vítima. As polícias aguardam a conclusão do laudo pericial do teste de balística feito pelo Instituto de Criminalística (IC) para saber qual arma disparou o tiro que matou o garoto", prossegue a SSP.
O órgão afirma que o corpo do rapaz chegou ao IML já identificado e, após comprovação por meio de impressão digitais e exame necroscópico, foi liberado à família.













