"Podem tirar do Gil a liberdade, mas nunca a inocência dele", afirma advogado de defesa
Marcelo Feller confirma que defesa vai recorrer da sentença
São Paulo|Ana Cláudia Barros e Vanessa Beltrão, do R7

O advogado de defesa, Marcelo Feller, afirmou nesta sexta-feira (22) que vai recorrer da decisão que sentenciou Gil Rugai a 33 anos e nove meses, culpado pelo crime de duplo homicídio qualificado do pai, Luiz Carlos Rugai, e da madrasta, Alessandra de Fátima Troitino, por motivo torpe. No entanto, o condenado poderá recorrer da sentença em liberdade.
— Podem tirar do Gil a liberdade, podem tirar do Gil a privacidade. Nunca podem tirar a inocência dele.
Na leitura da sentença, o juiz Adilson Paukoski Simoni lembrou que o condenado é réu primário e que conseguiu, anteriormente, em instâncias superiores o direito de permanecer em liberdade.
Feller afirmou ainda que os suspeitos insinuados pela defesa devem ser investigados.
Leia mais notícias de São Paulo
O publicitário Luiz Carlos Rugai, 40 anos, e sua mulher, Alessandra de Fátima Troitino, 33 anos, foram assassinados a tiros dentro da casa onde moravam em Perdizes, zona oeste de São Paulo no dia 28 de março de 2004.
O julgamento de Gil Rugai aconteceu no Fórum Criminal da Barra Funda e terminou nesta sexta-feira (22), após cinco dias. Ao tomar conhecimento do veredicto, o promotor Rogério Zagallo se emocionou e disse que nunca duvidou que o réu seria condenado.
— Missão dada, missão cumprida.
Ao todo, 14 testemunhas foram ouvidas — cinco da defesa, seis da acusação e três do juízo. Inicialmente, estavam previstas 16, mas duas acabaram dispensadas.
Durante o julgamento, a defesa de Gil Rugai abordou falhas na investigação do caso e erros na perícia realizada na época do crime. A acusação, por sua vez, discutiu a personalidade “excêntrica” de Gil.
Relembre o caso
O publicitário Luiz Carlos Rugai, 40 anos, e sua mulher, Alessandra de Fátima Troitino, 33 anos, foram assassinados a tiros dentro da casa onde moravam em Perdizes, zona oeste de São Paulo no dia 28 de março de 2004.
Alessandra foi baleada cinco vezes na porta da cozinha, segundo laudo da perícia. Luiz Carlos teria tentado se proteger na sala de TV. A pessoa que entrou no imóvel naquela noite arrombou a porta do cômodo com os pés e disparou quatro vezes contra o publicitário.
O comportamento aparentemente frio de Gil Rugai, na época com 20 anos, ao ver o pai e a madrasta mortos chamou a atenção da polícia, que passou a suspeitar dele.
Os peritos concluíram que a marca encontrada na porta arrombada era compatível com o sapato de Rugai, que, ao ser submetido pela Justiça a radiografias e ressonância magnética, teria apresentado lesão no pé direito.
Na mesma semana do duplo homicídio, os policiais encontraram no quarto do rapaz, um certificado de curso de tiro e um cartucho 380 deflagrado, o mesmo calibre da arma usada no assassinato do casal.
As investigações apontaram ainda que ele teria dado um desfalque de R$ 228 mil na empresa do pai, a Referência Filmes, falsificando a assinatura do publicitário em cheques da firma. Poucos dias antes do assassinato, ele foi expulso de casa.
Um ano e três meses após o duplo homicídio, uma pistola foi encontrada no poço de armazenamento de água de chuva do prédio onde o rapaz tinha escritório, na zona sul. Segundo a perícia, seria a mesma arma de onde partiram os tiros que atingiram as vítimas.
Rugai respondeu pelo crime em liberdade. Ele foi julgado e condenado por duplo homicídio qualificado por motivo torpe.













