Polícia conclui inquérito até o fim do mês e busca autor de tiro na cabeça de menino boliviano
Brayan, de cinco anos, foi assassinado em junho deste ano na zona leste de São Paulo
São Paulo|Thiago de Araújo, do R7

A polícia promete concluir até o fim deste mês o inquérito sobre a morte do menino boliviano Brayan Yanarico Capcha, de cinco anos, morto há quase dois meses em São Mateus, zona leste de São Paulo. A informação foi confirmada pelos delegados do 49º Distrito Policial e pela advogada da família da vítima, Patrícia Vega. Dois acusados pelo crime continuam foragidos.
A chegada de um laudo necroscópico é tudo o que falta para que o inquérito seja encaminhado ao Fórum Criminal da Barra Funda, para posterior análise do Ministério Público e possível denúncia contra os cinco acusados pelo latrocínio (roubo seguido de morte) ocorrido no fim de junho deste ano. Três deles estão detidos (Paulo Ricardo Martins, 19 anos, e Felipe dos Santos Lima, de 18, e um menor de 17) e devem permanecer assim até o julgamento.
Já Diego Rocha Freitas Campos e Wesley Pedroso, ambos de 19 anos, já tiveram decretada a sua prisão temporária há semanas, porém no momento a polícia não tem pistas deles. De acordo com os comparsas, foi Campos quem efetuou o disparo contra a cabeça de Brayan durante o crime na casa da família. Em várias entrevistas, o pai do acusado declarou que o filho alegou que o tiro teria sido acidental, versão negada pela família da vítima.
Garoto boliviano de cinco anos morto por bandidos não gostava de viver no Brasil
Em entrevista ao R7, a advogada Patrícia Vega mostrou otimismo e acredita que o inquérito possa ser encaminhado ao fórum já na próxima semana. Segundo ela, as investigações da polícia mostraram que o grupo era responsável por outros crimes. Ela aguarda pela denúncia da Promotoria contra os cinco em no máximo dez dias. O julgamento, segundo a defensora, poderia acontecer em março de 2014.
O corpo de Brayan foi levado para a Bolívia, onde foi enterrado. Os pais do menino, Verônica Capcha Mamani e Edberto Yanarico Capcha Mamani, voltaram para o país andino e decidiram não retornar para o Brasil.
O crime
Um morador chegava em casa de carro, por volta da 0h30 do dia 28 de junho, quando seis homens se aproximaram, cinco deles estavam encapuzados. Eles estavam com duas armas e quatro facas. Três famílias de origem boliviana moravam na casa que fica na Vila Bela, em São Mateus, zona leste de São Paulo. O imóvel é dividido em cômodos com cama, armários, fogão, geladeira e pia.
As dez pessoas que estavam na casa foram levadas para um desses quartos, no piso superior e mantidas reféns. Brayan estava no andar de baixo e foi entregue à mãe por um dos assaltantes. Ele ficou assustado e começou a chorar no colo dela.
Os criminosos roubaram R$ 4.500 durante o assalto. Eles ainda pediam mais dinheiro e ficaram incomodados com o choro do menino. Um dos assaltantes, armado com um revólver, mandou a criança se calar, caso contrário, atiraria. Foi naquele momento que Brayan pediu para não ser morto e também para que não assassinassem a mãe dele.
O menino levou um tiro na cabeça depois que a mãe ajoelhou e mostrou a carteira vazia. Após o crime, eles fugiram levando o dinheiro. O menino foi levado a um hospital, mas já chegou morto à unidade de saúde.
Os pais de Brayan vieram com ele para o Brasil há seis meses. Eles moravam e trabalhavam como costureiros no mesmo imóvel onde aconteceu o crime. Após a tragédia, a mãe disse na ocasião que não queria mais continuar vivendo no País e voltaria à Bolívia. Brayan era filho único do casal.
Relembre o caso:













