São Paulo Polícia investiga se marmitas foram envenenadas por vingança em SP

Polícia investiga se marmitas foram envenenadas por vingança em SP

Dois moradores de rua morreram após ingerir o alimento em Itapevi. Um garoto de 11 anos e uma adolescente de 17 continuam internados

  • São Paulo | Do R7, com informações da Record TV

Marmitas podem ter sido envenenadas após a entrega aos moradores de rua

Marmitas podem ter sido envenenadas após a entrega aos moradores de rua

Reprodução / Record TV

A Polícia Civil de Itapevi, na Grande São Paulo, investiga a possibilidade de as marmitas terem sido envenenadas por vingança. Isto porque uma das vítimas, Vagner Aparecido Gouveia de Oliveira, de 37 anos, era briguento e recentemente agrediu uma pessoa, segundo o relato de um amigo dele, que acredita que ele possa ter sido o alvo da ação. As informações são da Record TV.

A polícia trabalha com três hipóteses para as mortes de Vagner e de José Luis de Araujo Conceição, de 61 anos. "As marmitas foram entregues já envenenadas ou elas foram envenenadas após a entrega aos moradores de rua. Há ainda a possibilidade de que a comida estivesse estragada", segundo o delegado Aloysio de Mendonça Neto.

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Mais de dez pessoas já foram ouvidas durante a investigação. Nesta sexta-feira (24), mais um morador de rua que estava com as vítimas vai à delegacia de Itapevi.

As vítimas dormiam em um posto de gasolina e costumavam receber doações de alimentos. Na terça-feira (21), 50 marmitas foram entregues, sendo cinco no endereço das vítimas. Elas teriam sido preparadas em uma igreja de Cotia, cidade vizinha.

Mas uma voluntária que cozinhou a comida que estava na marmita suspeita afirma que ela e a família comeram a quentinha e não passaram mal. Os dois moradores de rua morreram e um menino de 11 anos e uma jovem de 17, que se alimentaram da mesma comida entregue por Vagner, estão internados em estado grave.

O pai do garoto, Flávio Colaco, afirmou que também comeu a linguiça e a salsinha da marmita, mas não passou mal.

Para o delegado do caso, causa estranhamento que "outras pessoas receberam a mesma marmita e não tiveram problema nenhum".

"Nós também comemos dessa comida. Eu comi, meu esposo comeu, levou pro trabalho e está todo mundo bem", afirma Agda Casimiro. A voluntária, que costuma preparar as marmitas na cozinha de uma igreja, procurou a delegacia voluntariamente para depor.

Imagens de uma câmera de segurança mostram a chegada de voluntários ao local na mesma noite para fazer a entrega das marmitas. Na tarde desta quinta-feira (23), a polícia periciou a cozinha.

Um vizinho do posto, o aposentado José Carlos Jacob, revelou que uma das vítimas foi até o portão e pediu que ele guardasse a marmita para comer depois. "Foi maldade isso", concluiu.

Chumbinho

Há indícios de que chumbinho foi colocado nas marmitas, apesar de a comercialização da substância ser proibida. O chumbinho pode matar em uma hora, segundo o toxicologista Anthony Wong: "Causa convulsão, desmaios, reduz a respiração e os batimentos cardíacos. A pessoa pode ter uma parada respiratória ou cardíaca".

Os corpos de José Luis de Araujo Conceição, de 61 anos, e de Vagner Aparecido Gouveia de Oliveira, de 37 anos, foram sepultados nesta quinta-feira (23).

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Fábio Araújo, de 11 anos, está intubado e segue internado no Hospital Geral de Pirajussara, tomando uma medicação preventiva caso seja comprovada a contaminação da comida. Naiara Cardoso Romano, de 17 anos, foi transferida para o Hospital Geral de Osasco e também está intubada.

O delegado aguarda os exames necroscópicos e toxicológicos para concluir o inquérito. As marmitas estão sendo analisadas no Instituto de Criminalística. O laudo que vai comprovar se houve envenenamento deve sair em três semanas.

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