Polícia vai pedir prisões temporárias de PMs suspeitos de envolvimento em chacinas na Grande São Paulo
Entre os suspeitos estão dois policiais militares e dois vigilantes
São Paulo|Fernando Mellis, do R7
A Polícia Civil vai pedir a prisão temporária de dois policiais militares, já detidos administrativamente na Corregedoria da PM desde sábado (20), e de dois vigilantes. Eles são suspeitos de participação em um grupo de extermínio que age na Grande São Paulo. Na semana passada, onze pessoas foram baleadas e quatro delas morreram em ataques ocorridos em Osasco e Carapicuíba. Uma força-tarefa foi montada para investigar as mortes.
A informação foi dada nesta quarta-feira (24), durante entrevista coletiva na Secretaria da Segurança Pública com o comandante da PM, coronel Benedito Roberto Meira, e com o delegado geral da Polícia Civil, Luiz Maurício Souza Blazeck.
Segundo o chefe da Polícia Civil, os delegados responsáveis pelas investigações devem apresentar, na quinta-feira (25), à Justiça, o pedido de prisão temporária.
— Ainda não foi pedida, mas já existem indícios suficientes para que se possa pedir a prisão temporária. O conjunto de provas vai nos permitir, amanhã [quinta-feira], entrar com o pedido de prisão temporária para a comprovação e autoria do crime.
Com um dos policiais, foi encontrada a foto de um traficante conhecido como Rodrigo "Bonitão". Ele é suspeito de ordenar a morte do soldado Luiz Carlos Nascimento da Costa, de 42 anos. O assassinato aconteceu em frente a uma farmácia onde a vítima fazia bico, no dia 5 de fevereiro deste ano. Por causa disso, a polícia não descarta a hipótese de as mortes da semana passada terem uma espécie de vingança.
Segundo testemunhas, os ataques aconteceram de forma parecida em Osasco e Carapicuíba. Quatro homens em um carro prata passavam atirando em um grupo de pessoas em três locais, dois deles muito próximos e outro a cerca de 2 km. Nenhum dos mortos tinha passagem pela polícia.
No armário de um dos detidos, foi achada uma touca ninja e uma cápsula de munição calibre 9 mm, a mesma encontrada na cena dos crimes. Testemunhas também relataram que os atiradores usavam toucas, como a que foi apreendida.
No carro do outro PM havia munições de calibre 22, também usada nos ataques da última semana, segundo o comandante da PM.
— Esse policial permaneceu recolhido porque ele não tem nos nossos registros nenhuma arma de calibre 22.
Segundo Meira, os PMs presos não souberam explicar aquilo que foi encontrado no armário de um e no carro do outro. Mesmo assim, as investigações buscam outras provas que possam ligá-los aos crimes.
— Quando eu tenho uma resposta evasiva, eu tenho indícios para decretar a prisão administrativa. Não é só a touca ou a munição, nós temos que reunir outros indícios fortes que apontem a participação desses policiais.
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Grupos de extermínio
Policiais militares são os principais suspeitos de termontado um grupo de extermínio em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, que seria responsável por matar 35 pessoas e ferir outras 17 na cidade desde junho. A onda de crimes na cidade da Grande São Paulo começou no auge dos ataques de uma facção criminosa contra a polícia.
Segundo investigações da Polícia Civil, homens do 31.º e do 44.º Batalhões da PM se uniram em uma vingança que atingiu criminosos, frequentadores de pontos de venda de drogas, vizinhos de bandidos e mesmo quem, por acidente, estava na hora e no lugar errados. Nem mesmo crianças escaparam.
O Comando-Geral da PM informou que abriu dois inquéritos policial-militares para apurar a participação de integrantes da corporação em assassinatos em Guarulhos. As investigações são feitas pelo Comando de Policiamento de Área-7 e pela Corregedoria da PM. Testemunhas já foram ouvidas e perícias, feitas. A PM informou que não compactua com desvios de conduta.













