Policiais do Denarc suspeitos de envolvimento com tráfico se entregam à polícia
Eles eram os únicos agentes investigados pelo Ministério Público que estavam foragidos
São Paulo|Do R7, com Agência Record
Três policiais do Denarc (Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico), investigados pela Corregedoria Geral da Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo se entregaram nesta terça-feira (30). Os policias são suspeitos de ligação com o tráfico de drogas e eram os únicos que estavam foragidos.
Acompanhado de seus advogados, Daniel Dreyer Bazzan, de 35 anos, Leonel Rodrigues Santos, de 42, e Silvio Cesar de Carvalho Videira, de 44, apresentaram-se por volta das 6h na sede da corregedoria, em São Paulo.Os três atuavam em delegacias da capital paulista. Videira e Santos no 90ª DP (Parque Novo Mundo) e Bazzan estava lotado no 73ª DP (Jaçanã).
Os mandados de prisão foram expedidos pela Justiça de Campinas, em investigação envolvendo policiais e ex-policiais do Denarc. A Corregedoria da Polícia Civil afirmou que já adotou providências legais cabíveis, instaurando procedimentos para apurar a conduta individual de cada policial envolvido na investigação.
Investigação
A investigação foi instaurada pelo MP em outubro de 2012 e tinha, inicialmente, como objeto a atuação de traficantes, ligados a uma organização criminosa, que atuam na região de Campinas, segundo informou o promotor Amauri Silveira Filho, em entrevista coletiva no último dia 15 de julho.
— No curso do trabalho, foi detectado indicativos de possíveis desvios de condutas por parte de policiais. Como as situações eram conexas, tornou-se impossível a continuidade da investigação referente ao tráfico sem uma atenção específica sobre os desvios dos policiais, os fatos foram imediatamente comunicados à Secretaria de Segurança Pública e à Corregedoria da Polícia Civil, que, desde então, vem acompanhando o trabalho do Ministério Público e dando todo o suporte necessário.
De acordo com o promotor, ao longo dos últimos meses, os esforços foram direcionados em duas frentes distintas: a investigação em relação à organização criminosa e a identificação dos desvios praticados por policiais e quem seriam eles. Ele explica o motivo das prisões dos agentes suspeitos:
— Ocorre que, em um determinado momento da investigação, por conta de algumas condutas praticadas por policiais específicos, tornou-se impraticável a continuação do trabalho do Ministério Público, porque várias ações foram tomadas por esses policiais no sentido de prejudicar a apuração. Então, tentou-se forjar evidências, constranger vítimas e testemunhas. Daí, veio a necessidade de procurarmos o poder Judiciário para solicitar medida mais contundente, que é a prisão temporária dos policiais.













