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Policiais do Denarc são reconhecidos por traficantes e devem ser denunciados pelo MP

Seis dos sete agentes que participaram foram apontados como participantes de esquema

São Paulo|Thiago de Araújo, do R7

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Criminosos reconheceram seis policiais do Denarc em Campinas
Criminosos reconheceram seis policiais do Denarc em Campinas

Terminou por volta das 18h50 desta terça-feira (23) a sessão de reconhecimento e de depoimentos na sede do MP (Ministério Público) em Campinas, no interior de São Paulo. Lá estavam nove dos dez policiais civis ligados ao Denarc (Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico) que foram presos por um suposto esquema de pagamento de propina de traficantes a policiais. Dois se recusaram a participar e seis foram reconhecidos.

Os policiais civis Renato Teixeira Pinto e Mark de Castro Pestana, que trabalhavam no 10º Distrito Policial de Campinas, se recusaram a participar, por orientação do advogado de ambos, Ralph Tórtima Stettinger Filho. A sessão, que começou às 9h30, acabou não sendo a acareação anunciada pelos promotores e pelos agentes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).


Segundo informações da assessoria do MP, o reconhecimento de seis policiais foi feito pelos traficantes Agnaldo Aparecido Simão, o Codorna, e Lucas Escotão – ambos ligados a Wanderson Nilson de Paula, o Andinho, chefe do tráfico em Campinas – além de outros três presos e parentes deles, em um total de oito pessoas. Apenas o policial Rodrigo de Longhi Gomes de Mello não foi reconhecido (“houve dúvida”, segundo o MP). Ele deve ser libertado ainda nesta semana, segundo o promotor Ricardo Schade.

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Ainda de acordo com o MP e o Gaeco, resta apenas um depoimento a ser colhido antes do fim das investigações. Os promotores devem oferecer denúncia contra pelo menos os seis policiais do Denarc reconhecidos nos próximos dias. A Promotoria ainda deve definir se denuncia ou não o supervisor da unidade de investigações do Denarc, Clemente Castilhone Junior, que está em liberdade desde a última quinta-feira (18).

O MP não pronunciou sobre o fim do prazo da prisão temporária dos investigados de Campinas, previsto para a meia-noite desta quinta-feira (25). Para que eles sigam detidos, a Promotoria deverá apresentar argumentos para a prisão preventiva dos agentes. Se aceitos, os detidos ficariam na prisão por pelo menos mais 30 dias. Caso contrário, os policiais ganham direito de voltar às ruas, enquanto as investigações prosseguem. Para os demais, a detenção vale até o dia 13 de agosto.


O esquema pode ter rendido mais de R$ 2 milhões, em menos de um ano aos policiais, segundo as 400 páginas de documentos do Gaeco já entregues à Justiça. Três policiais – Daniel Dreyer Bazzan, Danilo Leonel Rodrigues Santos e Silvio Cesar de Carvalho Videira – ainda estão foragidos.

A operação

A Corregedoria da Polícia Civil e o MP-SP (Ministério Público de São Paulo) desarticularam a quadrilha de policiais do Denarc suspeitos de roubo, corrupção e extorsão mediante sequestro. As investigações indicaram que os agentes recebiam propina de até R$ 300 mil de traficantes de drogas na capital e na região de Campinas.

O promotor José Tadeu Baglio ouviu na quarta-feira os depoimentos de dois delegados envolvidos no esquema, Clemente Castilhone Júnior, da Unidade de Investigações, e Fábio Amaral de Alcântara, da 3ª Delegacia de Apoio.

— Os depoimentos aumentaram as convicções do Ministério Público de que houve vazamento de informações no Denarc.

Castilhone Júnior e Alcântara teriam fornecido informações a traficantes sobre a invasão da favela do São Fernando — um dos principais pontos de venda de drogas de Campinas, comandado por Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, que está preso em Presidente Venceslau. Os dois negaram que passaram detalhes da operação policial a criminosos.

Outros dois policiais do 10º Distrito Policial de Campinas também foram chamados para depor, mas ficaram calados. O advogado Ralph Tórtima Stettinger Filho questionou a validade do depoimento de Andinho usado para incriminar os agentes.

— É a palavra de um delator traficante contra policiais com histórico de combate ao tráfico.

Investigação

A investigação foi instaurada pelo MP em outubro de 2012 e tinha, inicialmente, como objeto a atuação de traficantes, ligados a uma organização criminosa, que atuam na região de Campinas, segundo informou o promotor Amauri Silveira Filho, em entrevista coletiva no último dia 15 de julho.

— No curso do trabalho, foi detectado indicativos de possíveis desvios de condutas por parte de policiais. Como as situações eram conexas, tornou-se impossível a continuidade da investigação referente ao tráfico sem uma atenção específica sobre os desvios dos policiais, os fatos foram imediatamente comunicados à Secretaria de Segurança Pública e à Corregedoria da Polícia Civil, que, desde então, vem acompanhando o trabalho do Ministério Público e dando todo o suporte necessário.

De acordo com o promotor, ao longo dos últimos meses, os esforços foram direcionados em duas frentes distintas: a investigação em relação à organização criminosa e a identificação dos desvios praticados por policiais e quem seriam eles. Ele explica o motivo das prisões dos agentes suspeitos:

— Ocorre que, em um determinado momento da investigação, por conta de algumas condutas praticadas por policiais específicos, tornou-se impraticável a continuação do trabalho do Ministério Público, porque várias ações foram tomadas por esses policiais no sentido de prejudicar a apuração. Então, tentou-se forjar evidências, constranger vítimas e testemunhas. Daí, veio a necessidade de procurarmos o poder Judiciário para solicitar medida mais contundente, que é a prisão temporária dos policiais.

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