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Queixas sobre buracos, árvores e limpeza crescem na gestão Covas

Com crescimento já registrado na administração Doria, reclamações de zeladoria seguem sem solução no primeiro mês de seu sucessor

São Paulo|Fabíola Perez, do R7

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Árvore, buraco e limpeza: queixas sobem no primeiro mês da gestão Covas
Árvore, buraco e limpeza: queixas sobem no primeiro mês da gestão Covas

Árvores, limpeza de áreas verdes e buracos são os assuntos com mais reclamações registradas pela população de São Paulo, de acordo com o balanço da Ouvidoria Geral do Município. O levantamento é o primeiro realizado após o prefeito Bruno Covas ter assumido o cargo, no dia 9 de abril. Os bairros que reúnem o maior número de queixas são Itaquera, na zona leste, Ipiranga, na zona sul, e Pirituba, zona norte.

Os números, que se referem a serviços que não foram atendidos e, portanto, tiveram o registro em segunda instância, demonstram que na esteira do aumento das reclamações já notificadas no governo do prefeito João Doria (PSDB-SP), as queixas aumentaram ainda mais no primeiro mês de gestão de seu sucesso, Bruno Covas, do mesmo partido.

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As reclamações sobre árvores, por exemplo, eram de 241 em março. Já em abril subiram para 309. Queixas sobre capinação e roçada de áreas verdes eram de 203 em março e chegaram a 227 em abril. Reclamações em relação aos buracos e pavimentação eram de 178 e chegaram a 205. Entre os dez assuntos mais demandados, nove tiveram aumento nas queixas. Apenas um dos temas, o quesito poluição sonora, manteve a mesma quantidade de reclamações.

Críticas

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A zeladoria urbana, que inclui limpeza, buracos e pavimentação e árvores, são atribuições das prefeituras regionais. “Se existem pedidos não atendidos temos um problema em relação à eficiência no trabalho das prefeituras regionais”, afirma Américo Sampaio, gestor da Rede Nossa São Paulo.

Bruno Covas foi secretário das Subprefeituras Regionais durante a gestão Doria
Bruno Covas foi secretário das Subprefeituras Regionais durante a gestão Doria

De acordo com ele, as prefeituras regionais têm perdido o papel na gestão das políticas públicas municipais. “A gestão Dória cortou pela metade o número de conselheiros e extinguiu o Conselho de Planejamento e Orçamento Participativo, espaços de participação da população que podia acompanhar e apontar a destinação desse dinheiro.”

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Para o especialista, quando a prefeitura reduz as instâncias de participação amplia-se a incapacidade de cumprir papeis relevantes. Sampaio diz ainda que em ano eleitoral toda a dinâmica política na cidade pode ser impactada. “Os espaços de participação são muito importantes. Se esses canais são eliminados, a prefeitura fica surda e isso gera uma piora na entrega dos serviços.”

Participação cidadã

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A coordenadora da rede Minha Sampa, Karolina Bergamo, também acredita na necessidade de fortalecimento da participação política e na gestão das cidades. "É uma burocracia muito grande para reclamar. Não sentimos um movimento genuíno da Prefeitura para fortalecer esses mecanismos", diz. 

Uma alternativa, segundo ela, seria o investimento em ferramentar tecnológicas para dar conta do volume de reclamações. "Temos um desenvolvimento tecnológico tão significativo, mas parece que não chega à gestão", afirma. "Existem vários aplicativos que ajudam na administração urbana: um cidadão pode tirar foto e enviar diretamente à ouvidoria", diz. 

Enquanto conversava com a reportagem do R7, ela afirmou que verificou a existência de matagal que interrompem a passagem na calçada do cemitério do Araçá. "Sei que se entrar em contato provavelmente não serei atendida", afirma. "No fim do ano passado, eu morava em frente em Pinheiros e os moradores do bairro tiveram que colocar uma placa em folha de sulfite em uma árvore que estava prestes a cair. 

Essas soluções paliativas encontradas por moradores não são raras. Segundo Karolina, por um lado, elas demonstram o poder de colaboração da sociedade civil e, por outro, a ineficiência das gestões. "É preciso fazer uma reforma política no âmbito municipal. A prefeitura poderia fortalecer os mecanismos de participação, os conselhos municipais", afirma. "Não é o que vem sendo feito. Esses espaços foram desmontados."

Outro lado

A Prefeitura de São Paulo, por meio de nota, diz que "herdou 604 mil demandas que não foram atendidas e priorizou esse tipo de atendimento". A pasta diz que foi a primeira vez em que o número de serviços executados foi superior ao de pedidos recebidos: "121 mil solicitações contra mais de 150 mil atendimentos, no ano passado".

Confira a nota na íntegra:

Em janeiro de 2017, a Prefeitura herdou 604 mil demandas que não foram atendidas no serviço SP 156 e priorizou esse atendimento no ano passado, que cresceu 38%. Foi a primeira vez em que o número de serviços executados foi superior ao de pedidos recebidos. Foram 121 mil solicitações e mais de 150 mil atendimentos somente no ano passado.

Agora, no primeiro trimestre de 2018, foram contratadas novas equipes de poda e conservação de áreas verdes, o que não ocorria desde 2014. Neste ano, a Prefeitura já executou 18.332 podas de árvores na cidade; em 2017 foram 108.277; em 2016 foram 104.826. Foi firmado um convênio inédito com a AES Eletropaulo no qual a empresa deverá atuar mais de 200 mil pontos, em áreas próximas à fiação elétrica ainda em 2018.

O programa Asfalto Novo, que teve início em novembro de 2017, fará recapeamento de 294 km de ruas e avenidas da cidade. Atualmente, 159 km de vias já estão finalizadas.

A Secretaria Municipal das Prefeituras Regionais informa que os serviços de tapa-buracos são realizados diariamente na cidade. No final de 2017, os agentes zeraram o estoque de pedidos de tapa-buraco que não haviam sido atendidos desde 2012. Entre janeiro e abril deste ano, foram tapados 90.722 buracos; em 2017 foram 250.862; em 2016 foram 199.873.

O Conselho de Planejamento e Orçamento Participativos (CPOP) foi extinto porque estava inativo desde junho de 2016 e limitava a participação da população. Com a manutenção da plataforma Planeja Sampa, a participação das pessoas foi ampliada e, assim, qualquer cidadão pode acompanhar a evolução do Programa de Metas e do Orçamento Municipal.

A proporção anteriormente vigente do Conselho Participativo Municipal, de 1 conselheiro para cada 10 mil habitantes do distrito, foi alterada para 1 conselheiro para cada 30 mil habitantes. É importante ressaltar que o número mínimo de conselheiros, estipulado por lei e vigente desde a criação dos colegiados, permanece inalterada, sendo de 5 por distrito.

A administração municipal entende que com a redução no total de eleitos, melhor organização e efetiva representatividade, os conselheiros automaticamente terão maior poder de decisão e resolutividade nas questões por eles trazidas e debatidas. A profundidade da participação não é determinada apenas pelo número de participantes do Conselho Participativo Municipal.

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