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Refugiado consegue bolsa em faculdade com solidariedade

Quase "100% adaptado", ele hoje não cogita deixar o País

São Paulo|Do R7

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Quase "100% adaptado", ele hoje não cogita deixar o País
Quase "100% adaptado", ele hoje não cogita deixar o País

Foi há três anos que a vida de Louran Alchanaa, de 18 anos, mudou. Da Síria para o Líbano, do Líbano para o Brasil, foram dias de viagem até chegar a São Paulo com a família. Quase "100% adaptado", ele hoje não cogita deixar o País — e um dos principais motivos é a graduação em Farmácia. "Tem muitas diferenças no idioma, na cultura, no jeito que as pessoas pensam, mas agora já me acostumei", conta.

Com início em 2018, o curso já está devidamente marcado nas redes sociais do garoto, que termina o ensino médio neste mês. Até pouco tempo atrás, contudo, a situação era distinta: sem dinheiro, não conseguiu se inscrever na Fuvest e, no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), considera não ter se saído bem o suficiente para passar em uma instituição pública.


A mudança de perspectiva veio por intermédio de três mulheres, todas de origem árabe, que acompanhavam a família de Louran desde que sua mãe, Amal, engravidou de Gabriella, há dois anos. Dentre elas, estava Rose Ghachache, de 59 anos, professora de pós-graduação das Faculdades Oswaldo Cruz, que inscreveu o garoto no programa de bolsas.

"Levei ele para conhecer [a faculdade], os laboratórios, até para ver se era isso que ele queria", conta. "Ele está superanimado, até porque tem parentes na Síria que também são da área", diz.


O pedido foi aprovado e Louran pode se matricular, com uma bolsa de 60%. Resta, contudo, um valor mensal de R$ 720. Para custear a mensalidade, o garoto está agora atrás de emprego "em qualquer coisa", pois o pai, o cabeleireiro Fadi, é a única fonte de renda da família.

Assim como Louran, Rose é filha de sírios de Damasco. Por falar árabe, ela acompanhou a mãe do garoto durante os três dias que esteve internada até o nascimento de Gabriella, traduzindo tudo o que era relatado por Amal (que tem pouca fluência em português).


A jornalista Maria Alice Jorge Maluf, de 62 anos, também se aproximou da família Alchanaa por ter origem árabe. "Meus avós vieram como imigrantes também, tentar acompanhar eles é até uma forma de agradecimento. Em vez de acolher, eu que fui acolhida. A pequena [Gabriella] até me chama de vovó".

Maria Alice se refere a Louran como um "menino de ouro", que ajuda os pais nos cuidados da irmã caçula — seus dois irmãos mais velhos foram para a Alemanha como refugiados. "Acho que ela [a mãe] ficaria perdida se não tivesse ele para ajudar", aponta.


Esporte

As redes sociais de Louran são repletas de comentários e imagens de futebol, especialmente o europeu. Torcedor do Barcelona, ele adotou o São Paulo como segundo time ao chegar no Brasil. "Na Síria, a gente costuma torcer para clubes de fora, da Europa, é mais Barcelona, Real Madrid", compara.

Como não conhecia as equipes brasileiras, Louran acabou se aproximando do São Paulo, pois conhecia o atacante Kaká, com passagens pela Europa e que, em 2014, jogava pelo time do Morumbi. Em outubro deste ano, até foi na partida em que a equipe paulistana derrotou o Flamengo por 2 a 0 no Pacaembu, pelo Campeonato Brasileiro. "Se não fosse a Farmácia, eu iria procurar uma faculdade de Educação Física", conta o garoto, que costuma jogar como atacante.

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