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Rodízio de água causaria problemas operacionais, diz diretor da Sabesp

Companhia descartou racionamento recomendado pelo Ministério Público Federal

São Paulo|, com R7

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O racionamento de água na região metropolitana de São Paulo não será adotado neste momento, mesmo com o pedido do MPF (Ministério Público Federal), porque o rodízio de água causaria problemas operacionais e não seria suficiente, afirmou nesta quinta-feira (31), Edson Pinzan, diretor de Tecnologia e Empreendimentos da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Segundo explicou, o governo estadual cuida do pedido encaminhado pelo MPF neste mês.

"A Sabesp já fez sua manifestação técnica de que um racionamento não ajudaria neste momento", disse Pinzan, em entrevista a jornalistas pouco antes de entrar em uma palestra dentro do Congresso Nacional de Saneamento e Meio Ambiente. O evento teria a presença da presidente da Sabesp, Dilma Pena, que não compareceu e enviou o diretor como representante da companhia.


O MPF em São Paulo recomendou ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) e à Sabesp que apresentem projetos para a imediata implementação do racionamento de água nas regiões atendidas pelo Sistema Cantareira. Segundo o MPF, o objetivo é evitar um colapso do conjunto de reservatórios que abastece a região metropolitana, em meio à crise hídrica. O MPF alega que tem atribuição para atuar no caso, porque os recursos hídricos do Sistema Cantareira, principal fonte de água extraída pela Sabesp, pertencem à União, que concede o uso para a companhia paulista.

— São Paulo já passou por um período muito cruel de racionamento anos atrás, e o que o pessoal técnico da Sabesp aprendeu é que o racionamento pode provocar problemas na operação, como aumento dos vazamentos, e também problemas na saúde. Quando se tira o volume de água que está na tubulação, corre o risco de se ter um rompimento e causar problemas na qualidade da água.


Em nota divulgada pela assessoria de imprensa, a Sabesp diz que o Estado "preferiu enfrentar de forma organizada a maior estiagem de sua história" e que tem convicção das medidas adotadas. De acordo com a companhia, a economia adotada pela população até o momento equivale ao efeito que seria obtido com um rodízio de 36 horas com água por 72 horas sem água.

O diretor acrescentou que a companhia optou por gerir as reservas por meio de uma política de incentivo à economia de água, com oferta de desconto aos clientes que reduzissem o consumo. Outra alternativa tem sido a redução da vazão. Essa medida, no entanto, tem deixado bairros da periferia da cidade em alguns períodos, como a noite e madrugada.


— Muita gente está reclamando de que em alguns períodos noturnos falta água. Mas isso acontece em muitos sistemas do mundo, em que se reduz a vazão à noite. A Sabesp reconhece que é um período crítico, de falta da água. E a forma como a Sabesp está lidando com isso é a mais justa.

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O diretor acrescentou que técnicos da companhia esperam que as chuvas se normalizem no chamado "período úmido", que começa em setembro.

— Acreditamos que no período úmido haverá chuva. A gente espera que pelo menos o nível histórico de chuva seja realizado. Isso vai normalizar as reservas de água ao longo do ano no Sistema Cantareira.

Nesta quinta-feira, o volume do Sistema Cantareira mais uma vez caiu, chegando a 15,4%. No mesmo período do ano anterior, o nível era de 53,4%.

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