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Tire suas dúvidas: veja perguntas e respostas sobre a revacinação contra o sarampo em SP

Já foram confirmados 16 casos da doença no estado apenas em 2026; recomendação vale para pessoas de 6 meses até 60 anos

São Paulo|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Em 2026, São Paulo registrou 16 casos de sarampo, levando à recomendação de dose adicional da vacina tríplice viral em três municípios.
  • Pessoas de 6 meses a 59 anos em São Paulo, São Bernardo do Campo e Guarulhos devem receber a dose extra, mesmo que já tenham sido vacinadas.
  • A vacina tríplice viral é contraindicada para gestantes e pessoas com imunossupressão grave; a decisão para imunossuprimidos leves deve ser individualizada.
  • A vacinação busca interromper a transmissão do vírus em um surto ativo, sendo a única forma eficaz de proteção contra o sarampo.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Aplicação busca ampliar a proteção diante do aumento de infecções confirmadas Reprodução/RECORD

O aumento dos casos de sarampo em São Paulo levou as autoridades de saúde a reforçarem a vacinação em três municípios do estado. Em 2026, já foram confirmados 16 casos da doença: 13 na capital, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos.

Diante desse cenário, pessoas que moram ou circulam por essas cidades receberam a recomendação de uma dose adicional da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. A medida é temporária e busca interromper rapidamente a transmissão do vírus, um dos mais contagiosos conhecidos.

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A seguir, a presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Mônica Levi, esclarece as principais dúvidas sobre a estratégia.

1 - Quem deve se revacinar?

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A recomendação vale para pessoas de 6 meses a 59 anos, 11 meses e 29 dias que moram ou circulam pelos municípios de São Paulo, São Bernardo do Campo e Guarulhos.

“O objetivo é aumentar rapidamente a proteção da população e interromper a transmissão do vírus nos locais onde há um surto ativo de sarampo”, explica Mônica. A orientação é válida independentemente do número de doses recebidas anteriormente.

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2 - Já tomei duas doses da tríplice viral. Preciso me vacinar novamente?

Sim, desde que você faça parte do público contemplado pela estratégia.

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Mônica ressalta que isso não significa que as duas doses deixaram de funcionar. “A dose adicional é uma medida temporária de saúde pública utilizada durante surtos para ampliar a proteção coletiva e interromper a circulação do vírus. Não é uma revacinação por falha da vacina.”

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3 - Por que a dose adicional está sendo recomendada neste momento?

A especialista explica que São Paulo é o único estado com um surto ativo caracterizado por cadeias de transmissão.

“Como o sarampo é uma doença extremamente contagiosa, precisamos reduzir rapidamente o número de pessoas suscetíveis para impedir que esse surto cresça. Essa é uma estratégia utilizada internacionalmente em situações semelhantes”, diz.

Ela lembra ainda que a alta densidade populacional e o intenso fluxo de pessoas, inclusive do exterior, tornam o controle da doença mais desafiador no Estado.

4 - Gestantes podem receber a vacina?

Não. A tríplice viral é uma vacina de vírus vivo atenuado e, por isso, não é recomendada durante a gestação.

A especialista explica que existe um risco teórico de o vírus, mesmo enfraquecido, atravessar a placenta, infectar o feto e provocar prejuízos ao seu desenvolvimento ou um aborto espontâneo. Por esse motivo, vacinas desse tipo são contraindicadas para gestantes.

“Nesses casos, a melhor forma de proteção é reduzir a circulação do vírus na comunidade. Quando as pessoas que podem ser vacinadas se imunizam, elas ajudam a proteger indiretamente quem não pode receber a vacina”, afirma.

5 - Pessoas imunossuprimidas podem receber a vacina?

Pessoas imunossuprimidas são aquelas que têm o sistema imunológico enfraquecido por uma doença ou por determinado tratamento. Nesses casos, a vacinação com a dose adicional depende do grau de imunossupressão, que deve ser avaliado pelo médico que acompanha o paciente.

Nos casos de imunossupressão grave, a tríplice viral é contraindicada. “Mesmo o vírus enfraquecido presente na vacina pode ser suficiente para causar a própria doença em um imunocomprometido grave”, explica a especialista.

Já pessoas com imunossupressão leve podem, em alguns casos, receber vacinas de vírus vivo atenuado. Mônica cita como exemplo pessoas que vivem com HIV e estão em tratamento, com carga viral controlada e boa resposta imunológica. “Embora tenham uma doença que cursa com imunossupressão, o tratamento pode deixá-las com uma imunidade muito próxima do normal”, afirma.

Por isso, segundo a especialista, a decisão deve ser individualizada.

6 - Por que pessoas com 60 anos ou mais não fazem parte da estratégia?

A estratégia prioriza a faixa etária em que há maior número de pessoas suscetíveis e em que a vacinação tem maior impacto para interromper a transmissão.

“A grande maioria das pessoas com 60 anos ou mais nasceu antes da introdução da vacina no Programa Nacional de Imunizações e provavelmente teve contato natural com o vírus, mesmo que não se lembre disso. Por isso, já desenvolveu uma imunidade duradoura e não faz parte da estratégia de vacinação”, explica.

7 - Quem não sabe se já foi vacinado ou perdeu a carteira de vacinação deve tomar a dose?

Sim. Nos municípios em que a estratégia está em vigor, a vacinação está sendo realizada independentemente do histórico vacinal. “Uma dose extra da tríplice viral não traz prejuízo para quem já estava vacinado. O problema é deixar de tomar a vacina e permanecer vulnerável ao sarampo”, afirma a especialista.

8 - Se acabei de tomar outra vacina, preciso esperar para receber a tríplice viral?

Na maior parte dos casos, não.

A presidente da SBIm explica que a tríplice viral pode ser aplicada no mesmo dia que outras vacinas. A exceção envolve alguns imunizantes de vírus vivo atenuado, como as doses contra febre amarela e varicela, situações em que pode ser necessário respeitar um intervalo de quatro semanas.

“No caso de crianças menores de 2 anos, a tríplice viral não deve ser aplicada no mesmo dia da vacina contra a febre amarela. Por isso, é importante conversar com o profissional de saúde”, orienta.

9 - Quais são os possíveis efeitos colaterais?

Os eventos adversos costumam ser leves e pouco frequentes.

De acordo com Mônica, entre cinco e doze dias após a vacinação, algumas pessoas podem apresentar febre e pequenas manchas avermelhadas na pele, quadro conhecido popularmente como “sarampinho”. “Isso ocorre em cerca de 5% dos vacinados, não transmite a doença e desaparece sozinho”, afirma.

Ela reforça que as complicações graves estão associadas ao sarampo, e não à vacina. “A doença pode causar pneumonia, encefalite e até levar ao óbito.”

10 - O que fazer se o posto de saúde não tiver a vacina ou se os profissionais não conhecerem a estratégia?

Segundo a especialista, não há previsão de falta de doses, já que o Ministério da Saúde distribuiu milhões de vacinas para abastecer a rede durante a campanha.

Caso uma unidade não tenha o imunizante, a orientação é procurar outro posto de saúde. Se houver desconhecimento da estratégia por parte do profissional, Mônica recomenda solicitar a presença do responsável pela unidade para esclarecer a situação.

11 - Quem está com sintomas gripais ou febre pode se vacinar ou deve esperar?

Depende do quadro.

Resfriados leves, sem febre e com bom estado geral não impedem a vacinação. Já pessoas com febre ou doenças moderadas e graves devem aguardar a recuperação.

“O parâmetro é permanecer pelo menos 24 horas sem febre e estar em bom estado geral antes de receber a vacina”, diz a presidente da SBIm. Esse período evita a confusão entre sintomas da doença, uma piora no quadro ou uma possível reação vacinal.

12 - Quem teve sarampo no passado também precisa se revacinar?

Quem teve diagnóstico confirmado de sarampo por avaliação médica ou exames laboratoriais não precisa receber a dose adicional.

Por outro lado, muitas pessoas acreditam ter tido a doença sem confirmação. “Na dúvida, a recomendação é se vacinar. Receber a vacina, mesmo após ter tido sarampo, não traz prejuízo”, afirma Mônica.

A especialista reforça que o sarampo é uma doença extremamente contagiosa e que a vacinação é a única forma eficaz de proteção.

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