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Tivemos que escalar uma montanha de corpos, diz sobrevivente do massacre do Carandiru

Promotor reproduziu depoimento feito na primeira parte do julgamento

São Paulo|Julia Carolina, do R7

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Júri de outros 26 policiais acusados de envolvimento no massacre começou nesta segunda-feira (29)
Júri de outros 26 policiais acusados de envolvimento no massacre começou nesta segunda-feira (29)

O depoimento de Antônio Carlos Dias no primeiro julgamento do massacre do Carandiru, em abril deste ano, foi reproduzido durante a tarde desta segunda-feira (29). Ele afirmou que os detentos 

foram "brutalmente espancados e tiveram que escalar uma montanha de corpos". Começou hoje, o júri dos 26 policiais militares, acusados pela morte de 73 detentos no terceiro pavimento (2º andar) no Carandiru, em 2 de outubro de 1992. Para assistir ao vídeo, os réus sentaram no local do público no plenário. Na época do crime, Carlos Dias estava preso no Pavilhão 9 na data da operação policial que terminou com a morte de 111 presos. 


Ele se emocionou ao contar sobre a entrada dos policias no pavilhão. A testemunha contou que os policiais atiraram contra os detentos após o fim da rebelião. 

— Fizeram um corredor de policiais e a gente tinha que passar por eles para ir para o pátio. Fomos brutalmente espancados. Eles tinham facas e pedaços de madeira. Vários [presos] foram espetados e, no acesso a escada, tínhamos que escalar uma montanha de corpos e se você caísse eles atiravam. Muitos morreram só de olhar para eles.


Relembre a história do complexo penitenciário do Carandiru

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Relembre o caso

O massacre do Carandiru começou após uma discussão entre dois presos dar início a uma rebelião no Pavilhão 9. Com a confusão, a Tropa de Choque da Polícia Militar, comandada pelo coronel Ubiratan Guimarães, foi chamada para conter a revolta.


Ao todo, 286 policiais militares entraram no complexo penitenciário do Carandiru para conter a rebelião em 1992, desses, 84 foram acusados de homicídio.

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Em abril de 2013, 26 policiais militares foram levados ao banco dos réus pela morte de 15 detentos no segundo pavimento do Pavilhão 9 no massacre do Carandiru. Após sete dias de julgamento, a maioria foi condenada por homicídio qualificado — com uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Naquela ocasião, seis homens e uma mulher formaram o Conselho de Sentença.

Dos 26 policiais, 23 foram condenados a 156 anos de prisão, inicialmente, em regime fechado. Os réus receberam a pena mínima de 12 anos por cada uma das mortes dos 13 detentos. Os condenados poderão recorrer em liberdade. Outros três PMs foram absolvidos pelo júri, que acatou o pedido feito pela acusação.

Antes deles, Ubiratan Guimarães chegou a ser condenado a 632 anos de prisão, porém, um recurso absolveu o réu e ele não chegou a passar um dia na cadeia. Em setembro de 2006, Guimarães foi encontrado morto com um tiro na barriga em seu apartamento nos Jardins. A ex-namorada dele, a advogada Carla Cepollina, foi a julgamento em novembro do ano passado pelo crime e absolvida.

Dezessete testemunhas foram convocadas. Onze de acusação e seis de defesa Do total, 12 eram aguardadas no tribunal, enquanto as outras cinco teriam vídeos dos seus depoimentos apresentados no plenário. Entre elas, estão o ex-governador de São Paulo Luiz Antônio Fleury Filho e o secretário de Segurança na época do massacre, Pedro Franco de Campos.

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