Logo R7.com
RecordPlus

Workshop discute implantação da ponte entre Santos e Guarujá

Reunião discutiu qual é a melhor opção de ligação seca entre os municípios. A gestão Doria optou pela ponte como solução do impasse 

São Paulo|Do R7

  • Google News
Maquete virtual da ponte projetada para ligar Santos e Guarujá
Maquete virtual da ponte projetada para ligar Santos e Guarujá

A Fiesp promoveu um workshop nesta terça-feira (10) para discutir a melhor opção de ligação seca entre Santos e Guarujá. O Governo do Estado de São Paulo, na gestão anterior, fez a opção pelo túnel. Já nesta gestão, fez-se a opção pela ponte. A possibilidade da instalação de um limitador artificial no maior porto da América Latina tem preocupado o setor, uma vez que os navios estão cada vez maiores e a ponte pode dificultar o trânsito das embarcações.

A ponte projetada pela Ecovias, que é a concessionária do SAI (Sistema Anchieta-Imigrantes), principal ligação entre a região metropolitana de São Paulo e o Porto de Santos, terá 7,5 quilômetros de extensão entre Santos e Guarujá. O custo previsto da obra é de R$ 2,9 bilhões. Em troca, o governo estenderia o contrato de concessão da Ecovias, que vigora até 2026.


Leia mais: Iniciado estudo ambiental de ponte que vai ligar Santos ao Guarujá

A empreitada da gestão de João Doria de fazer uma ligação seca - atualmente o trajeto pode ser feito por balsas - está longe de ser uma briga nova. Há mais de 90 anos, diversos governos tentaram avançar com o projeto, mas sem sucesso.


Para especialistas, ponte pode trazer prejuízo às operações do porto de Santos

A possível construção de uma ponte para ligar a região de Santos ao Guarujá poderia trazer prejuízo às operações do porto de Santos, levantando riscos até de acidentes nas imediações. As ponderações foram feitas por especialistas e representantes do setor, durante o evento promovido pela Fiesp.


Leia mais: Ministro diz que dragagem do Porto de Santos vai para iniciativa privada

"Muito se fala sobre a altura da estrutura (que vai ter 85 metros no vão central), mas a nossa maior preocupação é no espaçamento entre os pilares", defendeu a diretora de infraestrutura da CODESP (Companhia Docas do Estado de São Paulo), Jennyfer Tsai. Ela destacou que, diferentemente da ponte Rio-Niteroi, que é ponto de passagem, a área em que a ponte seria construída fica em região de manobra.


"Hoje o canal de navegação tem 220 metros em maior parte. Mas a ultima campanha feita pelo ministério já colocou 350 metros", disse, defendendo que a tendência é chegar aos 370 metros nas principais curvas.

Segundo Jennyfer, ainda que a ponte tenha estruturas de proteção o casco do navio pode ser danificado, comprometendo toda a operação. "Isso traz risco, uma vez que fecha o porto", afirmou.

Leia também

De acordo com Clythio van Buggenhout, presidente do Conselho Deliberativo da ABTP, o que normalmente existe depois das primeiras pontes nesta característica são operações de embarcações secundárias, não navios de grande porte. "Com aumento da restrição, ainda que não haja restrições com altura, aumenta a estatística de um incidente qualquer.

Um acidente com ou sem derramamento de poluentes vai implicar em aumento de custos por parte operacional. Sabemos como é isso. Eu, como oficial da marinha, sei que a corporação foca corretamente na segurança na navegação", disse.

De acordo com Buggenhout, se fosse para optar em ter ou não o obstáculo da ponte, "é óbvio que optaríamos por não ter", afirmou.

Projeto "atende muito mais fluxo logístico do que urbano"

O projeto para construir uma ponte para ligar a região de Santos e Guarujá seria uma solução mais logística do que necessariamente urbana, afirmou Jennyfer Tsai.

"Ela atende muito mais a um fluxo logístico do que urbano. Ele está conectado ao sistema Anchieta-Imigrantes. E não vem resolver um problema de mobilidade de quem trabalha em Santos e mora em Guarujá", disse a diretora do Codesp.

Em apresentação na Fiesp, Jennyfer apresentou um novo projeto de ligação seca por meio do túnel, com redução de custos. Segundo a diretora, o projeto anterior estava custeado na casa dos R$ 3,2 bilhões, contra os R$ 2,9 bilhões do projeto da ponte. "Viemos com a solução de um túnel otimizado, ao custo de R$2,5 bilhões (por meio de redução sobretudo nas desapropriações) com ligações perimetrais (com projeto ainda em andamento) no valor de R$ 1 bilhão", afirmou. "Se a dificuldade fosse meramente financeira, podemos destacar técnicos. A gente quer tirar o projeto do papel e identificar o que pode ser otimizado".

Jennyfer disse que muito se fala que as balsas em operação prejudicariam a atividade do porto, o que não seria verdade. "A balsa aguarda o momento em que não tem nenhuma embarcação de grande porte para atravessar. Então, a ponte não resolve esse problema. Isso traz fila na balsa. O problema da fila não é questão de manutenção. As balsas precisam esperar os navios atravessarem para passar pelo canal", destacou.

De acordo com o diretor executivo de concessões estaduais da Ecovias, Rui Juarez Klein, o projeto da ponte não exclui todas as propostas que já foram feitas. "Meu papel é mostrar que a ponte precisa ser desmitificada", defendeu.

Ele acrescentou que o ideal seria que os dois projetos fossem construídos, mas defendeu que a empresa tem restrições jurídicas com abrangência apenas em melhorias que cabem ao sistema Anchieta-Imigrantes.

"As manobras que ocorrem por baixo da ponte respeitam as estruturas já existentes e futuras. A ponte só se harmoniza a essas restrições", disse, ao responder questionamentos de riscos diante da instalação da estrutura.

Sopesp não tem posição definida sobre ponte ou túnel entre Santos e Guarujá

O Sopesp (Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo) ainda não tomou uma posição sobre a construção da ponte. A afirmação foi feita pelo diretor executivo do sindicato, José dos Santos Martins.

"A Sopesp não tem posição definida. Adota uma posição de neutralidade. Mas isso não implica dizer que estamos fora da discussão. Queremos participar ativamente. Temos o maior interesse em termos efetivamente um porto adequado para atender toda a demanda do setor", disse.

Segundo o diretor, o grande desafio das autoridades agora é tomar uma posição técnica para avançar no projeto o quanto antes. "No ultimo workshop, em Santos, tivemos apenas o debate da ponte. Hoje, tivemos a apresentação completa, com ponte e túnel", defendeu.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.