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Brasil está entre os países onde publicidade de cigarro influencia crianças

Das crianças estudadas, 68% eram capazes de reconhecer ao menos uma marca de cigarros

Saúde|Do R7

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No Brasil, 59% das crianças podiam reconhecer uma marca de cigarros
No Brasil, 59% das crianças podiam reconhecer uma marca de cigarros

A publicidade das empresas fabricantes de cigarros influencia crianças de cinco e seis anos nos países de renda baixa e média, como o Brasil, o que aumenta o risco de que venham a se tornar fumantes, revelou um estudo americano divulgado nesta segunda-feira.

A pesquisa publicada na revista Pediatrics abrangeu seis países: Brasil, China, Índia, Nigéria, Paquistão e Rússia, escolhidos por terem as taxas mais elevadas de tabagismo, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).

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Nesses países, as crianças reconhecem com mais frequência pelo menos um logotipo de uma fabricante de cigarros, não necessariamente por morarem com alguém que fuma, destacou o estudo da Escola de Saúde Pública de Johns Hopkins em Baltimore (Maryland, leste).

— O incrível para mim foi ver crianças que não moravam com fumantes, mas eram muito conscientes das marcas de cigarros", disse à AFP a principal autora do estudo, Dina Borzekowski, da Universidade de Maryland. O que isso me diz é que (as crianças) estão recebendo a mensagem em sua comunidade, em seu entorno. Estão vendo em estabelecimentos comerciais, estão vendo cartazes. Quando vão comprar uma bala em uma loja local, elas veem esses logotipos. 

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Das 2.423 crianças estudadas em seis países, 68% eram capazes de reconhecer ao menos uma marca de cigarros, em um percentual que vai de 50% na Rússia a 86% na China, onde mais de 28% da população fuma (53% dos homens e 2% das mulheres), segundo a pesquisa da Escola de Saúde Pública de John Hopkins em Baltimore (Maryland, leste).

As taxas mais elevadas de reconhecimento foram registradas na China, onde 86% das crianças conseguiram identificar pelo menos um logotipo de uma marca de cigarros.

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— Na China, em média, as crianças conheciam quase quatro de oito das marcas", disse Borzekowski. "Eram crianças pequenas. É incrível que possam reconhecer logotipos com tão pouca idade.

No extremo oposto do espectro está a Rússia, onde 50% das crianças estudadas conheciam pelo menos um logotipo de cigarros.

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No Brasil, 59% das crianças podiam reconhecer uma marca de cigarros e 16% reconheceram especificamente a Marlboro.

Os resultados geram preocupação sobre o cumprimento das restrições internacionais da publicidade de tabaco em países de renda baixa e média, disseram os autores do estudo.Mais de um quarto das crianças estudadas foram capazes de identificar de duas a três marcas de cigarros e 18% conheciam quatro ou mais.

Também foi perguntado às crianças se pensavam em fumar quando chegassem à idade adulta. A taxa mais alta de respostas afirmativas ocorreu na Índia, onde 30% - tanto meninos quanto meninas - disseram que pensavam em se tornar fumantes.

Em China, Nigéria, Paquistão e Rússia, mais meninos do que meninas disseram que fumariam no futuro.

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O estudo foi realizado em áreas urbanas e rurais, com cuidado especial em não refletir apenas a realidade das comunidades mais ricas, onde a consciência da comercialização do tabaco poderia ser maior, afirmaram os pesquisadores.

No entanto, eles advertiram que o estudo "pode não refletir as populações nacionais de cada país".

Este estudo e outros semelhantes evidenciam estratégias de marketing sofisticadas e eficazes, adotadas pelas fabricantes de tabaco, cujas mensagens afetam claramente os mais jovens, lamentaram os autores da pesquisa.

Embora muitos fatores estejam relacionados com o tabagismo, o estudo mostra que, para os mais jovens, estar exposto ao tabaco e ter uma atitude de aceitação dos anúncios de cigarros está ligado a um aumento da probabilidade de fumar.

Em 2003, a OMS reagiu à epidemia mundial do tabagismo com a adoção de um convênio assinado por 168 países, que aponta para um controle maior, especialmente da publicidade, da promoção e do patrocínio de eventos por parte das fabricantes.

Mas segundo esses estudiosos, ainda há um longo caminho para a plena aplicação da presente Convenção e suas recomendações.

Diante das rígidas regulações da publicidade de cigarros e das campanhas antitabaco nos países industrializados, as fabricantes de cigarros concentram seus esforços promocionais em países de renda baixa e média, a maioria dos quais têm leis mais brandas nesta questão, destacaram os pesquisadores.

Um estudo feito nos Estados Unidos há 22 anos demonstrou que crianças de 6 anos podiam reconhecer tanto o logotipo da Disney quanto dos cigarros Camel. Essa pesquisa levou a regulamentações da publicidade de tabaco nos Estados Unidos para proteger as crianças, lembraram os cientistas.

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