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Confundido até com sintomas da menopausa, TDAH pode levar quatro anos a mais para ser diagnosticado em mulheres

No caso delas, a neurodivergência pode levar a rótulos ainda mais estigmatizantes, como ‘desatenta’ ou ‘desorganizada’

Saúde|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Mulheres com TDAH são frequentemente rotuladas como desatentas ou desorganizadas, enfrentando estigmas que afetam sua autoestima e saúde.
  • Estudos mostram que mulheres recebem o diagnóstico de TDAH, em média, quatro anos mais tarde que os homens, complicando ainda mais sua condição.
  • Confusões com sintomas da menopausa podem atrasar ainda mais o diagnóstico de TDAH em mulheres acima dos 40 anos.
  • Eventos e campanhas, como o Body 2026 e TDAH Levado a Sério, buscam aumentar a conscientização e combater estigmas associados ao TDAH em mulheres.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Confusões com sintomas da menopausa podem atrasar ainda mais o diagnóstico de TDAH em mulheres acima dos 40 anos Pexels

Desatenta, desorganizada ou incapaz de dar conta de tudo. Quantas mulheres já não passaram por rótulos como esses na sua rotina, muitas vezes, com impactos na sua autoestima e desafios reais para sua saúde física e psicológica? E quantos anos uma mulher passa sendo julgada antes de entender o próprio diagnóstico?

O que pode ser estigmatizado como falta de esforço ou uma falha pessoal, muitas vezes, esconde aspectos do TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade), uma condição que ainda enfrenta desafios e reconhecimento, principalmente junto ao público feminino.

Neste ano, os rótulos associados ao TDAH e as dificuldades de diagnóstico, que também são maiores para as mulheres, estarão entre os temas centrais do painel “Por trás de cada rótulo existe uma pessoa” do Body 2026, evento dedicado à autoaceitação e ao empoderamento feminino, que acontece no Hotel Unique em São Paulo, reunindo mais de 2.000 mulheres.

De acordo com um estudo recente publicado no Journal of Child Psychology and Psychiatry, que analisou 85.330 pessoas com TDAH, as mulheres recebem o diagnóstico, em média, até quatro anos mais tarde que os homens.

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“Quando uma mulher passa anos ouvindo que é desorganizada, que não consegue dar conta de tudo ou que precisa se esforçar mais, esses julgamentos podem influenciar a maneira como ela enxerga a si mesma. Precisamos ampliar o acesso à informação e abrir espaço para que as pessoas contem suas histórias sem serem reduzidas a rótulos, com mais compreensão e menos culpa”, afirma Renata Spallicci, vice-presidente executiva da Apsen, que participa do painel.

Como se não bastasse, muitas vezes, as queixas femininas também acontecem no período de perimenopausa ou menopausa, levando a um diagnóstico ainda mais tardio das mulheres acima dos 40 anos, justamente por uma confusão relacionada a esse momento de transição feminina.

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“As mulheres que sofrem com o TDAH, muitas vezes, ainda vão ouvir que se trata de algo normal nesse período, quando, na prática, precisam de uma avaliação clínica mais detalhada relacionada ao seu histórico e as diferentes fases da sua vida”, alerta Fabrícia Signorelli, psiquiatra do Ambulatório de TDAH no Adulto da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

As particularidades da experiência feminina também aparecem na meia-idade. Pesquisa publicada em 2025 na revista European Psychiatry, com 5.392 mulheres de 35 a 55 anos, identificou sintomas graves relacionados à perimenopausa em 54,2% das participantes com TDAH, em comparação com 30,1% daquelas sem o transtorno.

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Os resultados apontam para uma associação entre o TDAH e uma maior prevalência desses sintomas, reforçando a importância de uma avaliação clínica que considere o histórico e as diferentes fases da vida da mulher.

“Nenhuma mulher deveria precisar passar anos tentando provar que se esforça o suficiente para que suas dificuldades sejam levadas a sério. Por trás de cada rótulo, existe uma história que merece ser compreendida”, completa Ju Ferraz, sócia-diretora da Holding Clube, idealizadora do evento Body.

Por trás dos rótulos, histórias que precisam ser ouvidas

O diagnóstico tardio não diz respeito apenas à identificação de sintomas. Ele também pode afetar a maneira como uma mulher interpreta sua própria trajetória, especialmente quando passou anos tentando corresponder às expectativas sociais e atribuindo suas dificuldades à falta de capacidade ou dedicação.

A participação da Apsen no evento também se conecta à campanha TDAH Levado a Sério, iniciativa que busca ampliar o conhecimento sobre o transtorno e combater estigmas. Ao aproximar evidências científicas das experiências de quem convive com o TDAH, a campanha reforça a importância de reconhecer os sinais, evitar julgamentos precipitados e buscar orientação profissional.

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