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Doenças infantis mortais aumentam na Etiópia à medida que a guerra dificulta as vacinações

A cobertura vacinal na região de Tigray está abaixo de 10% e foi causada, por exemplo, por quedas de energia, que interromperam o esfriamento de imunizantes

Saúde|Do R7

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Hemen Hagos, criança etíope de 1 mês e meio internada com coqueluche
Hemen Hagos, criança etíope de 1 mês e meio internada com coqueluche

A incidência de doenças mortais como sarampo, tétano e coqueluche está aumentando na região de Tigray, na Etiópia, depois que as taxas de vacinação caíram durante a guerra civil que eclodiu há quase dois anos, dizem médicos e autoridades regionais de saúde.

A porcentagem de crianças em Tigray que receberam vacinas de rotina caiu abaixo de 10% neste ano, mostram dados do Departamento de Saúde de Tigray. Esses números desfazem os anos de esforços do governo para aumentar as taxas de imunização.

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"As esperanças das crianças da região de crescerem mais saudáveis ​​e felizes foram arrebatadas em um piscar de olhos", disse a agência, neste mês, em uma carta à Gavi (Aliança Mundial para Vacinas e Imunização).

A carta, vista pela Reuters, culpou pelo declínio na vacinação a escassez de suprimentos causada pelo que chamou de "cerco" de Tigray pelas forças federais etíopes, quedas de energia que interromperam as cadeias de frio das vacinas e ao impedimento às pessoas das áreas rurais de chegar às instalações de saúde.

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Um cessar-fogo entre março e o fim de agosto entre Tigray e forças federais permitiu uma pequena ajuda médica, mas o acesso humanitário foi suspenso desde que os combates foram retomados, disse uma comissão de especialistas em direitos humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) nesta segunda-feira (20).

Os especialistas disseram em um relatório que tinham motivos razoáveis ​​para acreditar que a negação do acesso à saúde e outros auxílios pelas autoridades federais equivale a um crime contra a humanidade.

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O porta-voz do governo etíope, Legesse Tulu, o porta-voz militar, coronel Getnet Adane, e o porta-voz do primeiro-ministro, Billene Seyoum, não responderam imediatamente aos pedidos de comentários sobre o relatório da ONU.

O governo negou repetidamente o bloqueio da ajuda e diz que a TPLF (Frente de Libertação Popular Tigray, na sigla em inglês), o partido que lidera o governo regional, é o responsável pelo conflito, que já matou milhares de civis.

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Surtos de sarampo

A ministra da Saúde da Etiópia, Lia Tadesse, disse que as vacinas foram fornecidas a Tigray neste ano e que mais unidades estão prontas para ser entregues, assim que as condições permitirem.

Em sua carta, o Departamento de Saúde de Tigray diz que a porcentagem de crianças que receberam as três doses completas da vacina pentavalente, contra difteria, coqueluche, tétano, hepatite B e Haemophilus influenzae tipo b (Hib), caiu de 99,3% em 2020 para 36% em 2021 e 7% neste ano.

A taxa em toda a Etiópia foi de 65% em 2021, de acordo com dados da agência da ONU para crianças, a Unicef (Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância).

A carta diz ainda que asporcentagem de crianças vacinadas contra a tuberculose e o sarampo também caíram, de mais de 90% em 2020 para menos de 10% neste ano.

Ele disse que houve surtos de sarampo em dez dos 35 distritos da região desde o início da guerra e 25 casos de tétano neonatal neste ano, em comparação com apenas dois em cada um dos três anos anteriores.

"As vacinas são dadas gratuitamente em toda a Etiópia, mas não estão chegando às crianças de Tigray", disse Fasika Amdeslasie, cirurgiã do Hospital de Referência Ayder, que, segundo ele, trata crianças com sarampo e coqueluche.

A Gavi, que compra e distribui vacinas para países em desenvolvimento, informou que forneceu vacinas contra o sarampo e a Covid-19 durante o cessar-fogo, mas algumas atividades foram suspensas desde que os combates foram retomados.

A ministra da Saúde disse que 860 mil doses de vacinas contra o sarampo foram entregues a Tigray em dezembro passado, e doses adicionais foram entregues em dois de abril.

Outra entrega planejada está suspensa por instrução do Programa Mundial de Alimentos da ONU, que coordena entregas humanitárias em Tigray.

A porta-voz do PMA, Claire Nevill, disse porém, que a agência aguarda autorizações do governo da Etiópia.

"Na ausência dessas autorizações, a entrega de suprimentos humanitários que salvam vidas, incluindo alimentos, nutrição e itens médicos, terá que ser suspensa", disse ela.

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