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Dois estudos sobre cloroquina foram anulados. Entenda por quê

Publicadas na Lancet e no New England Journal of Medicine, as pesquisas eram consideradas as maiores sobre o assunto até o momento

Saúde|Deborah Giannini, do R7

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Hidrocloroquina no tratamento da covid-19 tem sido analisado por pesquisadores
Hidrocloroquina no tratamento da covid-19 tem sido analisado por pesquisadores

Dois grandes estudos científicos que condenavam o uso da cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento da covid-19 em respeitadas publicações da área, o periódico médico The Lancet e The New England Journal of Medicine, foram anulados. Após a retratação, a OMS afirmou que vai retomar os trabalhos com o medicamento, que haviam sido interrompidos após essas pesquisas.

Ambos os estudos foram liderados por um professor de Harvard e utilizaram um banco de dados internacional de prontuários de pacientes que poucos especialistas tinham ouvido falar, segundo The New York Times: a empresa Surgisphere, que teria um imenso banco de dados de hospitais. 

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Os estudos foram revistos pelos autores, após questionamento de cientistas, que assumiram que não poderiam sustentar suas conclusões. Quando confrontada, a Surgisphere informou que não forneceria informações sobre sua base de dados, alegando violação do acordo de privacidade com os clientes, segundo publicado no Wall Street Journal.

O estudo publicado na Lancet, teria analisado dados de 96 mil pacientes hospitalizados, afirmava que o medicamento representava risco de complicações cardíacas e até de morte no tratamento da covid-19. Esse estudo foi publicado em 22 de maio, chegou a ser corrigido no dia 29, mas foi anulado na última sexta-feira (5).

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Já a pesquisa publicada no New England Journal of Medicine demonstrava que pacientes com covid-19 que foram medicados com hidroxicloroquina não apresentaram melhores resultados do que aqueles que não haviam sido tratados com o remédio. Publicado em 7 de maio, teria contado com dados de 1.300 pacientes internados em Nova York.

Quando publicados, ambos os estudos chegaram a ser apontados como maiores análises sobre os efeitos da droga no tratamento da doença.

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Leia também: Autores de estudo na 'Lancet' sobre hidroxicloroquina retiram artigo

Críticos do estudo sinalizaram anomalias nas pesquisas, como descobertas não plausíveis que deveriam ter sido detectadas durante o processo de revisão de pares, como a inclusão do registro de um grande número de casos da covid-19 mesmo antes da pandemia, inclusive na África, segundo o New York Times.

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Muitos cientistas duvidaram que esse gigantesco banco de dados, oferecidos pela empresa, pudesse existir, e que a coleta de dados em vários continentes não poderia ter sido realizada tão rapidamente, ainda de acordo com a publicação.

A revisão dos pares consiste em uma avaliação feita por especialistas da mesma área de conhecimento que avaliam a metodologia e a conclusão dos artigos científicos. 

O médico Sapan Desai, fundador da Surgisphere, é um dos autores do estudo da Lancet. Alega-se que, além de Desai, os demais autores não sabiam sobre os dados que haviam sido usados na pesquisa. 

Saiba mais: OMS retoma testes solidários com hidroxicloroquina

Não é a primeira vez que o Lancet retira um estudo publicado. Há 20 anos, o periódico publicou uma pesquisa que associava erroneamente o autismo à vacina tríplice viral (rubéola, caxumba e sarampo), posteriormente cancelada. Mesmo infundada, repercute até hoje nos movimentos antivacina.

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