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Gordura abdominal na pós-menopausa está ligada ao desempenho cognitivo

Estudo indica que a relação cintura-quadril pode ser um marcador mais sensível que o IMC para avaliar memória e atenção

Saúde|Fernanda Bassette, da Agência Einstein

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Estudo revela que mulheres na pós-menopausa com maior relação cintura-quadril (RCQ) têm pior desempenho cognitivo.
  • A pesquisa analisou mais de 700 mulheres com idades entre 42 e 58 anos, focando na relação entre gordura abdominal e funções cognitivas.
  • O estrogênio tem papel crucial na distribuição de gordura corporal, e a queda desse hormônio na menopausa pode afetar a saúde cognitiva.
  • A terapia hormonal não mostrou efeitos prejudiciais na cognição, mas o estilo de vida saudável é fundamental para resguardar a saúde do cérebro.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A pesquisa analisou dados de mais de 700 mulheres, ao longo de 4 anos Andres Ayrton/Pexels – Arquivo

Mulheres na pós-menopausa com maior medida na relação cintura-quadril (RCQ) apresentam pior desempenho dos domínios cognitivos em testes de memória verbal, atenção auditiva e visual, linguagem e função executiva. É o que conclui um estudo recém-publicado no periódico Menopause, conduzido por pesquisadores dos Estados Unidos.

A pesquisa analisou dados de mais de 700 mulheres, com idades entre 42 e 58 anos, acompanhadas por quatro anos no levantamento Kronos Early Estrogen Prevention Study (KEEPS-Cog). As participantes estavam na menopausa natural havia três anos e foram divididas em três grupos: um recebeu estrogênio oral; outro, estradiol transdérmico; e, no grupo controle, foi aplicado um placebo. Mulheres com diabetes ou alto risco cardiovascular foram excluídas da análise.

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A avaliação cognitiva foi realizada no início do estudo e após 18, 36 e 48 meses. O principal marcador analisado foi a relação cintura-quadril, que estima a quantidade de gordura abdominal em relação à medida do quadril. Os resultados apontam que 61,5% das mulheres avaliadas tinham circunferência da cintura superior a 80 cm, o que indica risco metabólico. E 28,7% apresentavam índice de 0,85 na comparação entre as medidas de cintura e quadril, o que configura presença de gordura abdominal.

“A RCQ reflete a distribuição da gordura corporal, diferenciando o acúmulo central do periférico. E isso é fundamental porque a gordura visceral está associada a maior resistência insulínica, inflamação de baixo grau e aumento de risco cardiovascular”, explica a ginecologista e nutróloga Alessandra Bedin Pochini, do Einstein Hospital Israelita.

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Mulheres com essa medida mais elevada no início do estudo apresentaram piores resultados nos testes que avaliaram memória verbal, atenção auditiva, atenção visual e função executiva — habilidades ligadas a planejamento, organização e controle de impulsos.

O estrogênio tem papel decisivo nessa dinâmica. “Durante a vida reprodutiva, níveis adequados do hormônio favorecem maior deposição de gordura periférica. Com a queda estrogênica da menopausa, ocorre deslocamento para maior centralização”, detalha Bedin. Em outras palavras, mesmo que mantenha o peso, pode haver uma piora metabólica.

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O estrogênio modula, entre outras coisas, a função endotelial, o metabolismo glicídico, o perfil lipídico e exerce efeitos diretos no sistema nervoso central, incluindo plasticidade sináptica e fluxo sanguíneo cerebral. “Quando esse fator protetor diminui com a menopausa, cria-se um ambiente mais favorável a alterações metabólicas e, secundariamente, cognitivas”, alerta a ginecologista.

Daí por que a relação cintura-quadril pode ser um marcador mais sensível do que o índice de massa corporal (IMC) — cálculo que relaciona peso e altura para estimar se uma pessoa está dentro de uma faixa adequada de peso — para captar riscos na menopausa.

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Terapia hormonal e estilo de vida

A pesquisa não encontrou efeito prejudicial da terapia hormonal com reposição de estrogênio sobre a cognição das mulheres, nem observou que ela pudesse modificar a associação entre maior RCQ e pior desempenho cognitivo. “Ainda existe receio de que a terapia hormonal possa piorar a cognição, o que não se confirma com os esquemas e protocolos atuais. Neste estudo, não houve sinal de dano cognitivo”, comenta a médica.

Ainda assim, a terapia hormonal não pode ser usada para prevenção de demência — ela deve ser indicada conforme avaliação individualizada junto a um médico ginecologista. Para resguardar o cérebro, o estilo de vida é o principal aliado.

“O primeiro passo é investir em uma alimentação menos processada, adequada em proteínas e micronutrientes, associada à prática regular de exercícios, especialmente o treino de força combinado à atividade aeróbia, que ajuda a reduzir gordura visceral e melhora a sensibilidade à insulina”, orienta Alessandra Bedin. Manter um acompanhamento de saúde também é essencial para avaliar, entre outras coisas, circunferência da cintura, relação cintura-quadril e marcadores metabólicos.

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