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Pacientes que usam cloroquina vivem incerteza com nova regra

Anvisa passou a exigir a apresentação de receita médica em farmácias para venda do remédio e liberou seu uso para casos graves de covid-19 

Saúde|Brenda Marques, do R7

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Medicamento se esgotou nas farmácias após alta demanda
Medicamento se esgotou nas farmácias após alta demanda

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) passou a exigir a apresentação de receita médica em farmácias para liberação de hidroxicloroquina e cloroquina. Os medicamentos são usados originalmente para tratar artrite, lupus eritematoso, doenças fotossensíveis e malária.

A decisão veio após a notícia de que o remédio estava sendo usado em testes contra a covid-19 - doença causada pelo novo coronavírus - e de que foi aprovado nos Estados Unidos com essa finalidade.

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Esse fato gerou um aumento na procura pelo medicamento, que chegou a esgotar em farmácias do Brasil. Por isso, pessoas que já usavam o medicamento não conseguiam encontrá-lo, como contou Eliene Costa Machado, de 37 anos, em entrevista ao R7.

Ela usa um medicamento à base de hidroxicloroquina há mais de 10 anos para tratar lúpus. Agora, a exigência de receita gerou um trastorno financeiro.

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"A lúpus estava controlada, então eu ia na médica no máximo duas vezes ao ano. Agora, com essa necessidade de receita vou ter que aumentar a frequência e não sei se poderei pedir duas ou três caixas de uma vez", conta.

"Antes a receita não tinha data e eu nem precisava levar nas farmácias, A médica prescrevia mais para eu saber a quantidade e os dias que precisava tomar", compara.

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Eliene faz acompanhamento com uma especialista na rede particular. Após a determinação da Anvisa a médica comunicou aos seus pacientes que, quem não tivesse feito uma consulta nos últimos três meses, deveria fazer agendamento para conseguir uma nova receita.

O problema é que a consulta custa R$ 600 se for feita online e R$ 800 presencialmente. Como Eliene passou por avaliação em janeiro, não vai precisar fazer novamente. A médica vai lhe mandar a receita por correio.

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"Eu entendo completamente o lado médico, porque precisa avaliar para prescrever um remédio", pondera. "Mas atrapalhou a vida de quem tem doenças [crônicas]. E tudo fica mais caro, porque é [o valor da] consulta e o medicamento. Eu tomo mais dois fora esse", relata.

A funcionária pública Maria Josefa dos Santos, 58 anos, também tem lúpuse conseguiu mais caixas do medicamento à base de hidroxicloroquina graças a uma doação de Eliene, que leu seu desabafo sobre a falta do remédio feito em uma rede social.

Na opinião dela, a exigência de receita médica foi benéfica. "Ficou melhor porque agora o pessoal não pode ficar comprando a torto e a direito", ressalta.

Ela toma o remédio de segunda a sexta-feira e aos finais de semana faz uma pausa, conforme recomendação de sua reumatologista, que a atende pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

"Agora tenho três caixas e estou abastecida por três meses, graças a doações", relata.

Entretanto, a consulta de Maria que aconteceria no dia 3 de abril, quando renovaria sua receita, foi desmarcada por causa da pandemia de covid-19. "Eles desmarcaram todos os médicos e disseram que entram em contato para informar a nova data".

A Anvisa afirma que a exigência de receita vai permitir que pacientes que já utilizam o medicamento não fiquem sem tratamento.

Em nota publicada na última quarta-feira (25) a agência informa que alterou dois itens das regras publicadas no dia 20 deste mês para venda e uso de cloroquina e hidroxicloroquina.

"De acordo com a nova regra, programas de governo poderão distribuir medicamentos à base da substância sem a necessidade de Receita de Controle Especial em duas vias", afirma.

Já a segunda alteração diz respeito a regras de embalagem e rotulagem desses medicamentos.

Nesta segunda-feira (30) o órgão liberou o uso da cloroquina apenas para pacientes hospitalizados e em estado grave por causa da covid-19 e determinou a dosagem específica para utilização da droga nesse caso.

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