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Reorganização do cérebro alivia 'dor fantasma'

Dor é frequente na maioria das pessoas que tiveram membros amputados

Saúde|Do R7

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No experimento, os cientistas usaram um equipamento de interface cérebro-máquina
No experimento, os cientistas usaram um equipamento de interface cérebro-máquina

Um grupo de pesquisadores japoneses e britânicos descobriu que uma "reorganização" dos circuitos do cérebro pode eliminar a "dor fantasma" frequente na maioria das pessoas que tiveram membros amputados. O estudo também aponta um potencial método de tratamento com base em técnicas de inteligência artificial.

A pesquisa, publicada nesta quinta-feira (27), na revista Nature Communications, foi liderada por cientistas da Universidade de Osaka (Japão), com a colaboração de pesquisadores da Universidade de Cambridge (Reino Unido).

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No experimento, os cientistas usaram um equipamento de interface cérebro-máquina, com o objetivo de treinar um grupo de dez indivíduos para controlarem braços robóticos com seus cérebros. Segundo o artigo, quando os pacientes tentavam controlar a prótese associando o movimento ao braço amputado, a "dor fantasma" aumentava. Mas, quando eles foram treinados para associar o movimento da prótese ao braço que não foi afetado, a dor diminuiu consideravelmente.

De acordo com um dos autores, Ben Seymour, do Departamento de Engenharia da Universidade de Cambridge, entre 50% e 80% das pessoas com membros amputados sofrem com a "dor fantasma".

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Engenharia

"Embora o membro tenha sido perdido, a pessoa ainda sente dor como se ele estivesse lá. É um tipo de dor semelhante à que é provocada por queimaduras, mas os analgésicos convencionais são ineficazes para tratá-la. Fizemos esse estudo para ver se conseguíamos desenvolver um tratamento baseado na engenharia, em vez dos convencionais com drogas", disse Seymour.

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Os cientistas já suspeitavam que a "dor fantasma" está associada a falhas nos circuitos da parte do cérebro responsável por processar os estímulos sensoriais e executar movimentos. No novo estudo, eles usaram a interface cérebro-máquina para decodificar a atividade dos neurônios e a ação mental necessária para que os pacientes movessem seu "braço fantasma". Depois, com uso de técnicas de inteligência artificial, converteram esse movimento no controle do braço robótico.

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"Descobrimos que, quanto mais o lado afetado do cérebro se aperfeiçoava no uso d o braço robótico, pior ficava a dor. A parte do cérebro que comanda o movimento funcionava bem, mas eles não têm o retorno sensorial normal", disse o líder do estudo, Takufumi Yanagisawa, da Universidade de Osaka.

Os cientistas então alteraram a técnica para treinar o "lado errado" do cérebro, isto é, os pacientes que tiveram o braço esquerdo amputado foram treinados para mover o braço robótico decodificando movimentos associados ao braço direito, e vice-versa.

Treinados com a técnica invertida, os pacientes tiveram a dor reduzida. Segundo Yanagisawa, ao aprenderem a controlar o braço robótico com o "lado errado" do cérebro, os pacientes tiraram vantagem da plasticidade - a capacidade cerebral para se reestruturar e aprender novas coisas. "A dor está claramente ligada à plasticidade. Combinar técnicas de inteligência artificial com novas tecnologias é um caminho promissor para tratá-la", disse o cientista. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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