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Saiba como diferenciar a síndrome de burnout, da depressão e dos transtornos de ansiedade

Esgotamento está associado apenas com questões que envolvam o trabalho, e os sintomas não influenciam toda a vida da pessoa

Saúde|Carla Canteras, do R7

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Antes da pandemia 30% dos brasileiros apresentavam quadro de esgotamento e estresse pelo trabalho
Antes da pandemia 30% dos brasileiros apresentavam quadro de esgotamento e estresse pelo trabalho

Desde o mês de janeiro, a síndrome de burnout, ou esgotamento por estresse relacionado ao trabalho, passou a fazer parte do CID, documento elaborado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) que classifica todas as doenças.

Aqui, o assunto já faz parte da rotina há um bom tempo. Tanto que em pesquisa feita pela ISMA (sigla em inglês da Associação Internacional de Gerenciamento de Estresse), em 2019, o Brasil aparecia em segundo lugar no ranking dos países com mais casos do problema.

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Sendo que 30% dos brasileiros apresentavam um quadro de estresse relacionado à profissão. Situação que ficou ainda mais grave durante a pandemia do coronavírus, devido às preocupações em perder emprego e manter as entregas mesmo no home office.

O psiquiatra Álvaro Cabral, colaborador do Ipq - HCFMUSP (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), explica que mesmo com classificação no CID-11, a síndrome não é uma doença e, na verdade, influencia o estado de saúde do indivíduo.

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"O burnout é uma condição que pode prejudicar o estado de saúde da pessoa. Da mesma forma que podemos ter algum tipo de outro estresse. Alguma situação que é porta de entrada para outras doenças. Por exemplo, a pessoa se machuca e fica com uma ferida. Aí a ferida infecciona e aí vai para o quadro mais grave", compara o médico. 

Por ser uma situação que influencia a saúde mental e pode causar problemas mais sérios, os sintomas acabam sendo confundidos com a depressão e os transtornos de ansiedade. "As pessoas estão associando muito os diagnósticos, dentro dessa hierarquia de descrições diagnósticas, o burnout seria uma condição menor. Ele está relacionado exclusivamente ao trabalho", diz ele. 

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As características da síndrome por estresse são sentimentos de esgotamento, exaustão ou falta de energia para exercer práticas profissionais; aumento da distância mental do trabalho, ou sentimentos de negativismo em relação à profissão; e a sensação de ineficácia ou falta de realização profissional. 

"A pessoa não chega a se perceber triste ou desanimada a maior parte do seu dia, ou ainda com alterações de sono e apetite, que são coisas que a gente descreve, por exemplo, no quadro de depressão", orienta Álvaro. 

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Porém o burnout pode levar à depressão. "A partir do momento observamos sintomas, como: tristeza o tempo todo, desanimo o tempo todo, falta de energia para tudo, pessoa está dormindo mal ou dormindo demais, está sem apetite ou comendo demais. Quando começamos a identificar esses outros sintomas, passamos a falar em um quadro de depressão. Não é mais burnout", ressalta o psiquiatra. 

No caso da comparação com os sintomas dos transtornos de ansiedade, mais uma vez os sinais deixam de estar associados somente com as questões profissionais. "A pessoa se percebe ansiosa a maior parte do tempo, passa a ter sintomas físicos, como sensação de aperto no peito, batimentos cardíacos acelerados, tremores", explica Álvaro Cabral. 

Qual o tratamento da síndrome de burnout?

Para cuidar da síndrome de burnout não há indicação de medicamentos, o que deve ser buscado é uma mudança de comportamento das empresas e dos profissionais. "É difícil pensar de um tratamento para essa questão que parta somente do indivíduo. As intervenções são mudanças no estilo de vida e não dependem exclusivamente dos funcionários.", alerta o médico. 

Do lado das organizações, é importante coibir práticas, como assédio moral, evitar o clima de cobrança por altas demandas, com metas muito rígidas. "Algumas empresas estão implementando atividades de promoção de saúde, estímulo às atividades físicas, cursos de meditação. Essas práticas tornam o ambiente mais agradável e satisfatório", diz Cabral. 

Do ponto de vista das pessoas, a indicação é buscar e implementar atividades físicas, atividades de lazer e buscar propósito para a vida que vão além do trabalho. "Embora o burnout não seja doença, a psicoterapia que pode ajudar a pensar sobre essas coisas e o que é possível mudar na vida, além do trabalho para melhorar a condição. Outras vezes como a pessoa pode lidar com os relacionamentos com as pessoas no trabalho ou aprender a lidar com as cobranças de uma forma que diminua o sofrimento", conclui o psiquiatra do Ipq - HCFMUSP. 

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