Sarampo: melhor estratégia é sair vacinando todo mundo, diz infectologista
Apenas gestantes e imunossuprimidos não devem ser vacinados, explica médica; surto de casos na Grande São Paulo acende alerta
Saúde|Do R7, com RECORD NEWS
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O recente surto de sarampo que atingiu o estado de São Paulo preocupa a população. Após identificar uma cadeia de transmissão na região metropolitana da capital, o Ministério da Saúde recomendou a ampliação da vacinação para a população entre 6 meses e 59 anos de idade.
Em entrevista ao Link News, a médica infectologista Mirian Dal Ben explica que o surto tem relação com uma queda de cobertura vacinal nos últimos anos. “A gente está vivendo uma situação na América do Norte — Estados Unidos, México, Canadá — por queda na cobertura vacinal. A situação lá está bem crítica. E juntou com o fato de a gente ter muita gente que viaja para essa região.”
Ela destaca que o sarampo é uma das doenças infecciosas mais facilmente transmissíveis. Entre os sintomas iniciais estão febre, dor de cabeça, dor de garganta, tosse e conjuntivite, que são comuns a outros quadros infecciosos e podem levar as pessoas a confundirem com doenças menos graves. As manchas vermelhas na pele começam a aparecer por volta do segundo ou terceiro dia de contaminação, aponta a médica.
Para controlar o contágio, é necessário atingir uma cobertura vacinal de 95%. “E a gente tinha aqui no estado de São Paulo uma cobertura vacinal próxima de 70%, 80%, apenas. Longe da cobertura vacinal que a gente precisaria para não dar chance para o vírus circular”, diz.
Uma pessoa infectada com o sarampo é capaz de infectar uma média de até 18 pessoas vulneráveis à doença por dia. “A pessoa que está com sarampo no período de transmissibilidade elimina partículas no ar quando fala, quando tosse, quando expira, que são partículas bem pequenininhas e ficam suspensas no ar por um período de até duas horas”, explica a médica, que reforça a importância da vacina.
“Quem já tem duas doses da vacina de sarampo depois de 1 ano de idade está protegido contra o sarampo. Mas tem muita gente na cidade de São Paulo, no Brasil mesmo, que não tem essas duas doses, e fica muito difícil numa situação de surto como a gente tem atualmente. Às vezes a pessoa não tem a carteirinha, acha que tomou na infância, mas, no final, não tomou. E a gente sabe que tomar uma dose extra da vacina não faz mal nenhum. Então, na dúvida, a melhor estratégia é sair vacinando de maneira indiscriminada todo mundo”, à exceção de gestantes e imunossuprimidos, conclui a especialista.
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