Sociedade de Pediatria defende um mês de licença-paternidade em carta a parlamentares
Segundo o documento, modelo atual está em desacordo com evidências sobre benefícios da presença paterna junto ao bebê
Saúde|Do R7
RESUMO DA NOTÍCIA
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A SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) divulgou uma carta aberta em apoio à ampliação da licença-paternidade para até um mês. Segundo o documento, a presença paterna junto à mãe, especialmente nos primeiros meses de vida do bebê, é fundamental para fortalecer o vínculo familiar e criar condições reais de sucesso para o aleitamento materno.
O texto também manifesta apoio às propostas que tramitam no Congresso Nacional visando à ampliação da licença. Para a SBP, essas medidas representam avanços importantes para a consolidação de políticas públicas mais justas, capazes de favorecer o aleitamento materno e garantir o cuidado integral na primeira infância.
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A iniciativa se soma aos esforços da Coalizão Licença-Paternidade, que reúne, além da associação médica, diversas organizações da sociedade civil, entidades científicas e especialistas comprometidos com a promoção da parentalidade ativa como estratégia de desenvolvimento humano e justiça social.
De acordo com o documento, o modelo vigente — que concede apenas cinco dias de licença ao pai — está em desacordo com as evidências científicas sobre os benefícios da presença paterna junto ao bebê.
“Estudos reconhecidos mostram que pais que usufruem de pelo menos quatro semanas de afastamento podem contribuir efetivamente para o sucesso do aleitamento materno, fortalecendo o vínculo afetivo com o filho ou filha. Esses pais poderão apoiar melhor a mãe na amamentação, dividindo de forma mais equitativa as tarefas do cuidado e do lar”, destaca o texto.
Na avaliação do presidente da SBP, Edson Liberal, a ampliação da licença-paternidade é um passo relevante em direção a um modelo de parentalidade equitativa.
“Cientificamente, a presença constante do pai nos cuidados com a criança pode ser considerada um catalisador de mudanças funcionais no cérebro, aumentando a sensibilidade paterna aos sinais do bebê e a capacidade cognitiva de atenção. Segundo pesquisas divulgadas por Harvard, em países com políticas mais generosas de licença, essas alterações cerebrais foram mais expressivas, reforçando a importância da duração do afastamento para o fortalecimento das habilidades parentais”, explica o pediatra.
Benefícios
Estudos clássicos do economista James J. Heckman, prêmio Nobel de Ciências Econômicas em 2000, demonstram que cada dólar investido na primeira infância gera até sete dólares em retorno social e econômico. “Investir desde os primeiros dias de vida, portanto, é investir em capital humano, pois é nesse período que se desenvolvem competências cognitivas e socioemocionais”, destaca a carta da SBP.
“A SBP apoia todas as iniciativas que fortaleçam a parentalidade ativa e, por isso, conclama parlamentares, gestores, lideranças empresariais e organizações sociais a somar esforços por uma legislação mais justa. Licença-paternidade não é luxo. É cuidado, é saúde, é desenvolvimento. E, sobretudo, é um direito de crianças e famílias que desejam começar a vida com mais afeto, apoio e dignidade”, finaliza a carta.
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