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Solidariedade na veia: veja a urgência de pacientes que precisam de doação de sangue

Com estoques baixos, hemocentros do país enfrentam desafios constantes em seus bancos de sangue

Saúde|Yumi Kuwano, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Hemocentros enfrentam baixa nos estoques de sangue, com vários tipos sanguíneos em níveis críticos.
  • Priscila de Oliveira teve uma experiência de vida e morte que a levou a dependência de doações de sangue após contrair tuberculose.
  • Campanhas de doação de sangue foram fundamentais para a recuperação de Priscila e de outros pacientes que necessitaram de transfusões.
  • A alerta sobre a importância da doação de sangue é necessário, especialmente em períodos de feriados e festas, quando as doações diminuem.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Hemocentro de Brasília tem nível crítico para sangue tipo AB-
Hemocentro de Brasília tem nível crítico de sangue do tipo AB- Mike Sena/Ministério da Saúde/Arquivo

O banco de sangue da Fundação Hemocentro de Brasília divulgou alerta para este mês.

Segundo a instituição, o tipo AB- encontra-se em nível crítico; O+, O-, B-, A+ e A- apresentam baixo estoque e somente B+ e AB+ estão em situação regular.


A média diária de 121 doações representa queda de 33% em relação ao necessário para manter a estabilidade, sendo o menor índice de 2025.

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Durante 64 dias de internação — a maior parte na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) — em 2019, a publicitária e designer Priscila de Oliveira, 28, viveu uma experiência inesperada.


Saudável, na época com 22 anos, viajou para um intercâmbio na Irlanda. O que deveria ser um período produtivo de estudos terminou com hospitalização imediata após o desembarque.

“Eu estava com a capacidade respiratória de 30%. Cheguei ao hospital já bem febril, o pessoal viu que a minha saturação estava bem baixa. Começaram a fazer vários exames e não sabiam ainda o que eu tinha. Mas eu já fui direto para UTI. Após a primeira parada respiratória, entrei em coma induzido”, lembra.


Priscila contraiu tuberculose — possivelmente no Brasil, agravada durante a estadia em clima abaixo de zero — e permaneceu cerca de um mês em coma.

Com o pulmão comprometido, precisou recorrer à ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea), máquina que substitui funções cardíacas e pulmonares, permitindo a recuperação do órgão. O recurso também foi utilizado no tratamento do ator Paulo Gustavo, que morreu em 2021, vítima de Covid-19.


O procedimento demanda grande volume de sangue, e a família da jovem organizou campanhas de doação para atender à necessidade de transfusões.

“Era a última alternativa que tinha para o meu caso, porque, de fato, eles já tinham tentado de tudo para o meu pulmão reagir e ele não estava reagindo. Minha família, minha igreja, meus amigos fizeram toda uma ação para pedir para o pessoal doar sangue para mim. Eu não lembro a quantidade exata de pessoas que doaram, mas foi muita gente. Na época, foi uma das maiores doações”, conta.

Recuperada, Priscila não esconde a gratidão e busca retribuir.

“Eu realmente sou muito grata. Precisei ainda passar por esse período de recuperação para voltar a doar sangue também. Mas é algo que eu e minha família valorizamos muito, por toda essa experiência que a gente passou”, acrescenta.

Necessidade de transfusão

A oncologista e hematologista do Hospital Sírio-Libanês Patricia Eiko explica que a transfusão ocorre em quadros de anemia severa ou baixa contagem de plaquetas.

“Pacientes oncológicos e hematológicos têm grande demanda de transfusões. Pacientes submetidos a cirurgia para retirada de tumor podem precisar de transfusão para repor o sangue perdido no procedimento”, afirma.

Esse foi o caso do pai da empreendedora Míriam Cavalcante, Ailton Cabral, diagnosticado com câncer de próstata aos 68 anos.

Após cirurgia em um hospital particular de Brasília, ele perdeu muito sangue e necessitou de transfusão total. Foram utilizadas 120 bolsas do tipo O+, compatível com o dele.

“A gente fez um mutirão de várias pessoas da família, conhecidos, pedindo doações. Ele tem 80 anos atualmente, já teve outros problemas de saúde e tudo, mas em relação à transfusão de sangue, na época, foi o que trouxe para ele essa sobrevida”, relata, emocionada.

A operação teve êxito, assim como a transfusão. Mais tarde, devido a sequelas, Ailton precisou de outras duas ou três, também bem-sucedidas.

Com a experiência, toda a família, incluindo os mais jovens, adotou o hábito da doação.

“Quando meu filho ficou sabendo da história do avô e teve possibilidade, a partir dos 16 anos, ele se tornou doador. Eu sou doadora de sangue também. Então, a gente tem esse cuidado. Principalmente por a gente ter o sangue O+, que tem mais utilização”, ressalta.

Cenário no Brasil

Patricia explica a classificação do sistema sanguíneo humano: ABO e fator Rh. Segundo ela, os tipos mais requisitados são os da família O, tanto negativo quanto positivo, por serem universais.

“O AB negativo é o tipo sanguíneo mais raro entre os oito principais, porém, sua demanda específica é baixa, já que o tipo AB é receptor universal, podendo receber sangue O, A, B e AB que tenham o Rh compatível”, explica.

De acordo com a médica, os hemocentros enfrentam dificuldades, sobretudo em períodos de feriados, férias e festas, quando há queda nas doações.

“Apesar de a porcentagem dos brasileiros que doam estar dentro do estimado adequado pela OMS (entre 1 e 3% da população), ainda é insuficiente devido à periodicidade com que as pessoas fazem as doações. Acredito que ainda precisamos trabalhar para maior conscientização sobre a importância da doação”, comenta Patricia.

Outro ponto citado pela especialista é a desinformação sobre o tema. Ela ressalta que a coleta é segura: retira-se cerca de 450 ml, quantidade reposta rapidamente pelo organismo.

“A ideia de que deixa a pessoa fraca, que causa danos ao organismo. É um procedimento seguro, onde os profissionais do hemocentro avaliam se o doador preenche os requisitos. Atualmente, os hemocentros passam por rigorosos critérios de avaliação de qualidade e segurança e, felizmente, o risco de reações por incompatibilidade e infecções é extremamente baixo”, conclui.

Para doar, é necessário ter mais de 16 anos, pesar acima de 50 quilos, estar descansado, ter dormido ao menos seis horas na noite anterior e não ingerir bebida alcoólica nas 12 horas que antecedem a coleta.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Qual é a situação atual dos estoques de sangue no Brasil?

 

Os hemocentros do Brasil enfrentam uma situação crítica, com o banco de sangue da Fundação Hemocentro de Brasília emitindo um alerta para agosto. O tipo sanguíneo AB- está em nível crítico, enquanto O+, O-, B-, A+ e A- estão com estoques baixos. Apenas B+ e AB+ apresentam nível regular. A média diária de doações é 33% menor do que o ideal para manter os estoques estáveis.

 

Qual é a história de Priscila de Oliveira em relação à doação de sangue?

 

Priscila de Oliveira, uma publicitária e designer, passou por uma grave situação de saúde em 2019, quando contraiu tuberculose durante um intercâmbio na Irlanda. Ela ficou internada por 64 dias, a maior parte na UTI, e precisou de transfusões de sangue devido ao comprometimento de seu pulmão. Sua família organizou campanhas de doação para suprir a alta demanda de sangue necessária para seu tratamento. Priscila expressa sua gratidão por aqueles que doaram sangue para salvá-la e agora se dedica a retribuir, planejando voltar a doar sangue.

 

Como a transfusão de sangue é utilizada em pacientes oncológicos?

 

A transfusão de sangue é frequentemente necessária em pacientes oncológicos e hematológicos que enfrentam anemia severa ou plaquetas muito baixas. A oncologista e hematologista Patricia Eiko explica que pacientes que passam por cirurgias, como a remoção de tumores, podem precisar de transfusões para repor o sangue perdido durante o procedimento.

 

Qual foi a experiência de Ailton Cabral com a doação de sangue?

 

Ailton Cabral, pai da empreendedora Míriam Cavalcante, foi diagnosticado com câncer de próstata e precisou de uma transfusão total após uma cirurgia, necessitando de 120 bolsas de sangue tipo O. A família organizou um mutirão de doações e, após a transfusão, Ailton conseguiu se recuperar. Desde então, a família se tornou doadora assídua, incentivando as novas gerações a também doarem sangue.

 

Quais são os tipos sanguíneos mais requisitados e a situação dos hemocentros?

 

O tipo sanguíneo mais requisitado é o O, tanto negativo quanto positivo, por ser considerado o doador universal. O AB negativo é o tipo mais raro, mas sua demanda específica é baixa. Os hemocentros brasileiros enfrentam dificuldades de estoque, especialmente em épocas de feriados e festas, e a médica Patricia Eiko ressalta a importância de aumentar a conscientização sobre a doação de sangue.

 

Quais são os mitos sobre a doação de sangue?

 

Um dos mitos comuns é que a doação de sangue deixa a pessoa fraca ou causa danos ao organismo. A hematologista Patricia Eiko esclarece que a doação é um procedimento seguro, onde são retirados cerca de 450ml de sangue, quantidade que é rapidamente reposta pelo organismo. Os hemocentros seguem rigorosos critérios de avaliação de qualidade e segurança, reduzindo o risco de reações adversas.

 

Quais são os requisitos para se tornar um doador de sangue?

 

Para doar sangue, é necessário ter mais de 16 anos, pesar mais de 50 quilos, estar bem descansado e não ter ingerido bebida alcoólica nas 12 horas anteriores à doação. É importante que o doador tenha dormido pelo menos seis horas na noite anterior.

 

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