Uso do celular antes dos 13 anos aumenta risco de transtornos mentais, alerta estudo
Pesquisa aponta maior incidência de baixa autoestima, agressividade e pensamentos suicidas em quem teve acesso precoce a celulares
Saúde|Do R7, em Brasília
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Um estudo internacional publicado no Journal of Human Development and Capabilities (Revista de Desenvolvimento Humano e Capacidades) acende um sinal de alerta sobre os efeitos do acesso precoce a smartphones e redes sociais.
O documento “Protegendo a Mente em Desenvolvimento na Era Digital: Um Imperativo de Política Global” mostra que receber um celular antes dos 13 anos está associado a impactos negativos duradouros na saúde mental, sobretudo entre meninas.
Segundo a neurocientista Tara Thiagarajan, fundadora e cientista-chefe do Sapien Labs, que liderou a pesquisa, “nossos dados indicam que a posse precoce de smartphones — e o acesso às mídias sociais que isso geralmente traz — está associada a uma mudança profunda na saúde mental e no bem-estar no início da idade adulta”.
A pesquisa utilizou dados do Projeto Mente Global, iniciativa que monitora o bem-estar em 163 países por meio do Quociente de Saúde Mental (MHQ, na sigla em inglês), ferramenta de autoavaliação que mede 47 funções sociais, emocionais, cognitivas e físicas.
Desde 2020, quase 2 milhões de pessoas responderam ao questionário, permitindo traçar um panorama mundial.
Os resultados revelam que quanto mais cedo ocorre o primeiro contato com smartphones, piores são as pontuações de saúde mental. Para quem ganhou o aparelho aos 13 anos, a média do MHQ foi de 30 pontos, enquanto entre os que tiveram acesso por volta dos cinco anos caiu para 1.
O percentual de jovens em sofrimento psicológico também sobe: 9,5% entre mulheres e 7% entre homens.
Sintomas graves
O impacto é ainda mais forte em sintomas graves. Entre mulheres de 18 a 24 anos, 48% das que receberam celular aos 5 ou 6 anos relataram pensamentos suicidas, contra 28% das que tiveram o primeiro aparelho aos 13.
Entre os homens, a diferença foi de 31% para 20%. Alucinações, agressividade e sensação de desapego da realidade também aparecem com maior frequência nos que iniciaram o uso na infância.
“Nossas evidências sugerem que a posse de smartphones na infância, uma porta de entrada precoce para ambientes digitais alimentados por IA, está diminuindo profundamente a saúde mental e o bem-estar na idade adulta, com consequências profundas para a autonomia individual e o florescimento social”, disse Thiagarajan em entrevista ao Science Daily.
O infectologista João Prats, da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, afirma que celulares são foco de bactérias. Segundo ele, tratam-se das mesmas bactérias do corpo, encontradas nas mãos e de lugares onde é guardado. Outras bactérias, que pode...
O infectologista João Prats, da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, afirma que celulares são foco de bactérias. Segundo ele, tratam-se das mesmas bactérias do corpo, encontradas nas mãos e de lugares onde é guardado. Outras bactérias, que podem causar doenças, também podem estar presentes, mas são mais incomuns
Os pesquisadores identificaram que parte desse efeito está ligada ao acesso precoce às redes sociais. Estima-se que 40% da associação entre celular e saúde mental derive diretamente desse fator.
Outras influências incluem problemas familiares, cyberbullying e distúrbios do sono. Em países de língua inglesa, o peso das mídias sociais chega a explicar até 70% dos impactos negativos.
Medidas preventivas
Diante desse cenário, os autores defendem medidas preventivas de caráter amplo.
“Com base nessas descobertas, e com a idade dos primeiros smartphones agora bem abaixo dos 13 anos em todo o mundo, pedimos aos formuladores de políticas que adotem uma abordagem preventiva, semelhante às regulamentações sobre álcool e tabaco, restringindo o acesso a smartphones para menores de 13 anos, exigindo educação em alfabetização digital e aplicando a responsabilidade corporativa”, destacou Thiagarajan.
As principais propostas de política listadas pelo estudo são:
- Educação obrigatória sobre letramento digital e saúde mental – incluir no currículo escolar conteúdos sobre engajamento ético online, influência algorítmica, cyberbullying, predadores sexuais e estratégias de proteção antes do ingresso em redes sociais.
- Responsabilização das empresas de tecnologia – reforçar a identificação de violações de idade em plataformas digitais, com sistemas eficazes de verificação e penalidades significativas para casos de descumprimento.
- Proibição de acesso a redes sociais para menores de 13 anos – impedir o uso de plataformas que permitem publicação de conteúdo e interação em dispositivos conectados à internet para crianças dessa faixa etária.
- Restrições graduais ao uso de smartphones – limitar o acesso a celulares para menores de 13 anos, oferecendo alternativas como aparelhos infantis com funções básicas, sem redes sociais ou conteúdos mediados por inteligência artificial.
Embora o foco seja o grupo abaixo de 13 anos, os especialistas defendem ampliar a proteção também para adolescentes entre 14 e 18. Para eles, esperar por evidências definitivas pode significar perder a chance de adotar medidas preventivas diante de riscos já identificados em escala global.
Perguntas e Respostas
Qual é o foco do estudo publicado no Journal of Human Development and Capabilities?
O estudo alerta sobre os efeitos negativos do acesso precoce a smartphones e redes sociais, especialmente em crianças menores de 13 anos, e como isso pode impactar a saúde mental a longo prazo.
Quem liderou a pesquisa e qual é a sua conclusão principal?
A pesquisa foi liderada pela neurocientista Tara Thiagarajan, que concluiu que a posse precoce de smartphones está associada a uma mudança significativa na saúde mental e no bem-estar na idade adulta.
Como os dados foram coletados para a pesquisa?
A pesquisa utilizou dados do Projeto Mente Global, que monitora o bem-estar em 163 países através do Quociente de Saúde Mental (MHQ), uma ferramenta de autoavaliação que mede diversas funções sociais, emocionais, cognitivas e físicas.
Quais foram os resultados em relação ao acesso a smartphones e saúde mental?
Os resultados mostraram que quanto mais cedo a criança tem acesso a um smartphone, piores são suas pontuações de saúde mental. Por exemplo, quem ganhou o aparelho aos 13 anos teve uma média de 30 pontos no MHQ, enquanto aqueles que tiveram acesso aos cinco anos tiveram uma média de apenas 1 ponto.
Qual é a incidência de sofrimento psicológico entre jovens com acesso precoce a smartphones?
O estudo revelou que 9,5% das mulheres e 7% dos homens com acesso precoce a smartphones apresentam sofrimento psicológico.
Quais são os sintomas mais graves associados ao uso precoce de smartphones?
Entre mulheres de 18 a 24 anos, 48% que receberam celular aos 5 ou 6 anos relataram pensamentos suicidas, em comparação com 28% das que tiveram o primeiro aparelho aos 13 anos. Entre os homens, a diferença foi de 31% para 20%.
Quais outros problemas de saúde mental foram observados entre os jovens que começaram a usar smartphones na infância?
Além de pensamentos suicidas, foram observados sintomas como alucinações, agressividade e sensação de desapego da realidade com maior frequência entre aqueles que iniciaram o uso na infância.
Qual é a relação entre o uso de redes sociais e a saúde mental, segundo o estudo?
Os pesquisadores identificaram que cerca de 40% da associação entre o uso de celulares e problemas de saúde mental está ligada ao acesso precoce às redes sociais, com esse percentual chegando a 70% em países de língua inglesa.
Quais medidas preventivas os autores do estudo sugerem?
Os autores defendem que políticas públicas sejam adotadas para restringir o acesso a smartphones para menores de 13 anos, exigir educação em alfabetização digital e aplicar responsabilidade corporativa, ampliando a proteção também para adolescentes entre 14 e 18 anos.
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