‘Achei que era golpe’, diz cientista brasileira listada como uma das pessoas mais influentes do mundo
Trabalho de Mariângela Hungria ajudou o Brasil a se consolidar como o maior produtor mundial de soja
Tecnologia e Ciência|Do R7, com RECORD NEWS
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Uma cientista brasileira foi incluída na lista das cem pessoas mais influentes do mundo da revista Time. O trabalho de Mariângela Hungria ajudou o Brasil a se consolidar como o maior produtor mundial de soja.
A agrônoma e microbiologista da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) desenvolveu um método, chamado de inoculação, por meio do qual microorganismos do solo permitem que as plantas absorvam nitrogênio diretamente do ar. Essa tecnologia substitui os fertilizantes.

Por isso, ela auxiliou os agricultores brasileiros a economizar mais de R$ 120 bilhões por ano e a evitar a emissão de 230 milhões de toneladas de dióxido de carbono, ajudando a preservar o meio ambiente.
Em entrevista ao Jornal da Record News desta sexta-feira (17), Mariângela conta que a técnica sobre os microrganismos já tinha sido descoberta no final do século 19. Porém, ela foi a profissional responsável por aprimorar o estudo. “O processo científico era conhecido, mas se acreditava que era só em pequena escala, uma agricultura orgânica, uma agricultura familiar pequena”, explica.
Segundo a agrônoma, o aprimoramento do processo foi desenvolvido para que pudesse ser usado em propriedades maiores, com a finalidade de fazer funcionar para outras propriedades de média e pequena escala.
Sobre o convite para fazer parte da lista de pessoas mais influentes do mundo em uma revista internacional, a cientista conta que foi uma surpresa. “Eu jamais poderia imaginar”, afirma. Ela revela ainda que, quando recebeu o primeiro e-mail da Time, achou que se tratava de um golpe.
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“Foram várias tecnologias que lancei e que hoje fazem com que o Brasil seja líder nisso e possa produzir. Inclusive, essa soja que este ano ainda vai ter 5 milhões de toneladas a mais produzidas no país, que precise de zero de fertilizante e nitrogenado. Porque ela pode ter todo o nitrogênio vindo via essas bactérias, via o processo biológico”, ressalta Mariângela.
A cientista cita ainda as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio como responsáveis por impulsionar a procura por fertilizantes biológicos, que não dependem da exportação de outros países.
“Uma das nossas limitações é o setor privado produzir biológicos para todas as culturas que a gente já tem soluções e para pequenos agricultores, porque às vezes são embalagens grandes, então nem sempre a pesquisa é o limitante. Nesse caso, eu acho que muito da limitação está na indústria”, diz a microbiologista sobre dificuldades enfrentadas.
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