Crianças usam cada vez mais o celular em aula, mas a tecnologia não deve ser encarada como inimiga
Pesquisa mostra que as redes sociais estão crescendo entre os jovens brasileiros
Tecnologia e Ciência|Do R7*

A juventude está cada vez mais conectada à internet. Essa é a conclusão do relatório 2014 da TIC Kids Online Brasil, pesquisa realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil.
Segundo os dados divulgados, 77% dos jovens brasileiros entre 10 e 17 anos têm acesso a internet e 73% deles possuem contas em redes sociais.
Neste cenário, o uso dos celulares em sala de aula se tornam um obstáculo no aprendizado, dispersando a atenção dos alunos e dificultando a relação entre estudante e professores. O coordenador do curso de pedagogia da Universidade Presbiteriana Mackenzie Paulo Fraga, acredita que quando o inimigo não pode ser vencido, juntar-se a ele é a melhor opção.
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— O professor tem que usar as plataformas digitais a favor da aula. O primeiro movimento do educador deve ser de conhecer o que os alunos estão acessandos nos celulares, tablets, o que interessa a eles e refletir de que maneira transformar esse conteúdo em algo que possa ser aplicado em sala de aula para voltar a atenção do estudante a conteúdos escolares.
Novos alunos
Mesmo não sendo uma tarefa fácil, é necessário uma adequação dos professores a este novo perfil de aluno. Cada vez mais cedo, o uso de tecnologia se faz presente na vida de crianças e adolescentes. Portanto, estratégias de ensino tradicionais não surtem o efeito desejado na geração que já nasceu conectada.

Para tentar tornar o aprendizado de conteúdo escolar mais atrativo para os internautas mirins, a Maratona de Aplicativos, patrocinada pela Fiap (Faculdade de Informática e Administração Paulista) e pelo Google, chega a sua terceira edição. O objetivo da competição é a criação de aplicativos que estimulem a educação e trazem. Todos os programas são feitos por alunos de escolas públicas que participam de "hack days", oficinas de programação que ensinam os participantes a criar um app.
Um dos organizadores da maratona, Felipe Barreiros, diz que já sentiu uma evoluição em relação às duas primeiras edições do campeonato, tanto em nível dos participantes como no conceito de educação compreendido pelos alunos.
— Sempre quisemos criar uma solução que pudesse ser útil no campo de educação, mas com uma nova visão sobre o tema. Queremos fazer com que eles possam pensar em educação de forma bem livre, e possam aplicar conceitos tradicionais de sala de aula em qualquer ambiente. Para ensinar os conceitos, os palestrantes utilizam técnicas de empresas multinacionais para ensinar com materiais como música, anotações, quadros interativos e muitos outros, sempre para incentivar os alunos a compartilharem suas ideias.
A trava do "não sei"
Barreiros ainda comenta que os eventos duram cerca de 3 horas e ensinam os alunos os conceitos básicos para a criação de um aplicativo, desde a ideia até mesmo sua programação. Os interessados ainda podem acessar um currículo online, no qual podem aprender mais sobre os assuntos explicados.
— A geração de ideias acaba sendo natural porque retiramos essa trava de "eu não sei" que os participantes geralmente têm. Nos "hack days" ensinamos desde a concepção da ideia, como fazer brainstorming, como programar os apps, isso tudo em 3 horas.
A meta da edição 2015 do projeto é bater 10 mil inscritos e deve ser cumprida em breve. Atualmente, a iniciativa tem 50 embaixadores, voluntários que ensinam programação a participantes em várias partes do Brasil. De acordo com Batteiros, a tendência é que o uso da internet cresça cada vez mais, mas é errado encará-la como inimiga do aprendizado.

Internet liberada
A coordenadora da pesquisa TIC Kids Online Brasil, Camila Garroux, nota que outro motivo que também leva ao uso intenso de tecnologia em geral é o fato de que, no Brasil, a utilização da internet é menos restritiva pelos pais.
— Na Europa, existe uma preocupação grande com o uso da internet pelas crianças, com políticas voltadas à proteção da criança online, e aqui, a agenda do Brasil com relação a esse tema não é muito contemplada. Em consequência, os pais acabam sendo mais permissivos com o conteúdo que o filho pode acessar.
É importante entender que a tecnologia chegou para ficar, então, preparar melhor as crianças para o uso dela é a melhor opção.
— As crianças ficam cada vez mais sozinhas com as redes sociais, então a orientação dos pais tem que ser cada vez mais pedagógica. É importante que o pai converse com o filho sobre o uso da internet ao invés de restringir porque é cada vez mais difícil bloquear o uso da internet.
*Colaborou Raphael Andrade, estágiário do R7















