USP deve ter fiscais da CET e multas por infrações já em 2015
Hoje, autoridade que controla trânsito na capital não tem jurisprudência para atuar no câmpus
Trânsito|Do R7
No início do próximo ano, a Cidade Universitária, no Butantã, zona oeste da capital, deve passar a ter fiscalização viária, com a presença de agentes da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), que multarão infrações cometidas no local. Hoje, a autoridade que controla o trânsito na capital não tem jurisprudência para atuar no câmpus da USP (Universidade de São Paulo), com 470 hectares e tráfego de 100 mil veículos por dia. Isso porque a área, embora pública, tem autonomia.
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Universidade, CET e MPE (Ministério Público Estadual) vão reunir-se no dia 26 para discutir o convênio para que os agentes da companhia atuem no câmpus. Depois disso, as três instituições vão fechar o instrumento jurídico que permita a presença de marronzinhos na Cidade Universitária. Segundo o prefeito do câmpus, Arlindo Phillipi Júnior, a Secretaria Municipal de Transportes e a administração local farão reuniões neste mês para discutir o acordo. A expectativa de Phillipi Júnior é que a proposta já comece a valer no início de 2015.
— O número de agentes que atuariam aqui depende dos estudos da CET.
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Um programa de educação no trânsito dentro da Cidade Universitária também é previsto. As reformas no sistema de mobilidade, afirma Phillipi Júnior, vão demandar mudanças de cultura da comunidade universitária.
— Precisamos ter o envolvimento e a aceitação da própria comunidade. Quando tivermos uma proposta, queremos que a CET esteja sempre conosco. Isso significa que quem não respeitar o que há aqui dentro (em relação às regras), a CET vai agir.
O secretário dos Transportes, Jilmar Tatto, falou sobre a atuação de agentes no câmpus.
— A prefeitura está empenhada em encontrar opções ou soluções para as questões levantadas pela universidade, no que se refere a faixas exclusivas, ciclovias e fiscalização. [...] Estamos à disposição.

Na quarta-feria (12), a reportagem flagrou carros e motos circulando em velocidade alta na avenida Professor Mello Moraes, que liga os portões 1 e 2. A via, que é plana e sem semáforos, tem como únicas barreiras algumas lombadas. A professora Fátima Martins, de 57 anos, fala sobre a falta de respeito na região.
— Muita gente usa a via para cortar caminho e não respeita pedestres, ciclistas e atletas.
Outra avenida que sofre com o excesso de velocidade, segundo a própria USP, é a Professor Lineu Prestes, que integra as Faculdades de História, Geografia, Química e Matemática.
Para o consultor em Trânsito Alexandre zum Winkel, a Cidade Universitária precisa de monitoramento de trânsito.
— O desrespeito lá dentro é muito grande e acredito que a fiscalização virá em um bom momento para a USP.
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Em sua avaliação, o câmpus tem capacidade para receber cerca de 30 radares. Winkel lembra ainda que a sinalização precisa ser reforçada antes do início da aplicação de multas na Cidade Universitária. Em um percurso pelas avenidas Professor Mello Moraes, Professor Lineu Prestes e Professor Luciano Gualberto, a reportagem viu na quarta-feira nove placas de limite de velocidade.
Empréstimo de bike
Além de prever a construção de faixas exclusivas para ônibus e uma rede cicloviária até o fim de 2015, a prefeitura da Cidade Universitária quer também oferecer um sistema de empréstimo de bicicletas dentro do câmpus. De acordo com o órgão, serão criadas 25 estações, com 250 bikes à disposição de 2,5 mil pessoas, entre funcionários, estudantes e professores da USP.
Há alguns anos, o câmpus havia recebido um projeto batizado de Pedalusp, que permitia o compartilhamento de bicicletas na comunidade, como conta o estudante de Engenharia Rafael Sánchez Souza, de 26 anos.
— Mas, depois, tudo foi meio que abandonado.
De acordo com a prefeitura do câmpus, os estudos para a instalação desse sistema "estão inseridos em um programa de apoio à pesquisa e ao ensino". Não há prazo para sair do papel. Contudo, a rede de ciclovias deve funcionar até o fim do ano de 2015.
— O plano cicloviário considerará estações de empréstimos de bicicletas, que deverão ser instaladas.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.





