Promotoria vai à Justiça para que acusados de tragédia na Kiss voltem à cadeia
Os quatro réus deixaram a penitenciária de Santa Maria na noite de quarta-feira
Cidades|Do R7, com Rede Record

O promotor de Justiça de Santa Maria, Joel Dutra, informou que o Ministério Público deve recorrer ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) para tentar fazer com que os quatro acusados do incêndio na boate Kiss voltem à prisão. Eles deixaram o presídio por volta das 21h30 de quarta-feira (29).
Dutra teme que os réus fujam para o exterior. Ele afirmou que, quando foram presos após o incêndio, os músicos da banda Gurizada Fandangueira já haviam deixado Santa Maria. A partir de agora, cabe à promotora de Justiça Angela Rotunno, que representa o MP junto ao TJ, encaminhar o recurso.
Três desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul decidiram, por unanimidade, conceder liberdade aos acusados. Eles entenderam que os réus são primários, não apresentam riscos à sociedade e que, após quatro meses, o clamor público teria esfriado.
Os sócios da casa noturna Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann, e os integrantes da banda Gurizada Fandangueira Marcelo dos Santos e Luciano Bonilha Leão saíram do presídio escoltados por viaturas da Brigada Militar.
Parentes das vítimas que participaram da audiência ficaram revoltados com a decisão da Justiça. A mãe de uma jovem morta no incêndio chegou a gritar no momento do pronunciamento.
Após acompanhar a decisão que deu liberdade a quatro acusados da morte da filha dele, Adherbal Alves Ferreira, presidente da Associação dos Familiares das Vítimas e Sobreviventes da Tragédia na Boate Kiss, em Santa Maria (RS), disse estar envergonhado com o Poder Judiciário.
— [Soltá-los] simplesmente regrediu a questão psicológica nossa. É como se nossos filhos não valessem nada. Estamos fazendo um trabalho perfeito até agora, tentando recuperar as pessoas, só que agora a Justiça decretou o caos na cidade.
Feridos
No último dia 19, Mariane Wallau Vielmo, de 24 anos, morreu. Ela foi a 242ª vítima do incêndio e estava internada desde 27 de janeiro, data da tragédia. Natural de Santiago, Mariane estudava Sistemas de Informação e trabalhava com informática em uma escola.
De acordo com a assessoria de comunicação, quatro vítimas do incêndio continuam internadas no Hospital de Clínicas, em Porto Alegre. Um paciente que havia recebido alta retornou para uma avaliação e a equipe médica achou melhor interná-lo de novo.
Incêndio
O incêndio dentro da boate Kiss no centro de Santa Maria, cidade a 290 km da capital, Porto Alegre, aconteceu na madrugada de 27 de janeiro.
O fogo começou porque, durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, um dos integrantes acendeu um artefato pirotécnico — uma espécie de fogo de artifício chamado "sputnik" — que ao ser lançado atingiu a espuma do isolamento acústico, no teto da boate. As chamas se espalharam em poucos minutos.
A casa noturna estava cheia na hora que o fogo começou. Cerca de mil pessoas estariam no local. O incêndio provocou pânico e muitas pessoas não conseguiram acessar a saída de emergência. Os donos não tinham qualquer autorização do Corpo de Bombeiros para organizar um show pirotécnico na casa noturna. O alvará da boate estava vencido desde agosto de 2012, afirmou o Corpo de Bombeiros.











