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Seis Escolas Técnicas estão ocupadas em protesto por merenda, dizem estudantes

Juiz considerou ilegal entrada da PM no Centro Paula Souza, 1º prédio ocupado no protesto

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SSP pediu à Justiça audiência de conciliação com estudantes
SSP pediu à Justiça audiência de conciliação com estudantes

Mais três escolas técnicas do Estado de São Paulo estão ocupadas em protesto contra a falta de merenda em algumas unidades da rede. De acordo com informações dos estudantes que lideram o movimento, nesta terça-feira (3) estão ocupados seis prédios: o Centro Paula Souza, a Etec Paulistano, a Etesp, a Etec Basilides de Godoy, a Etec Pirituba e a Etec Jaraguá.

Em resposta aos protestos, o Centro Paula Souza afirmou que, desde ontem, 100% das Etecs passaram a oferecer alimentação escolar — algumas unidades recebem merenda seca (bolachas, sucos e barras de cereal).


Nesta segunda-feira (2), o juiz Luis Manuel Fonseca Pires, da Central de Mandados do Tribunal de Justiça de São Paulo, considerou ilegal a entrada, sem autorização judicial, da Força Tática da Polícia Militar na sede do Centro Paula Souza. O prédio está ocupado desde quinta-feira (28) por cerca de 200 estudantes. Os policiais deixaram o edifício às 19h45.

Após ocupação do Centro Paula Souza, 10 Etecs terão refeitórios


A operação com 60 PMs começou por volta das 11h e foi coordenada pessoalmente pelo secretário da Segurança Pública, Alexandre de Moraes. Eles quebraram o cadeado de um portão dos fundos e entraram no edifício, no centro da capital. Em nota, a SSP informou que "a PM ingressou para acompanhar e garantir a segurança de funcionários e professores que chegaram para trabalhar no prédio administrativo, que não estava invadido". Os estudantes haviam decidido, em assembleia, barrar a entrada de servidores.

A ação policial aconteceu um dia após o juiz Fernão Borba Franco, da 14ª Vara da Fazenda Pública, determinar a reintegração do prédio, em decisão liminar. A PM, porém, deve esperar que um mandado seja entregue aos ocupantes, o que não aconteceu. Após tomar conhecimento do fato, Pires expediu, às 14h30, uma decisão determinando a saída da PM e cobrando explicações de Moraes sobre de quem partiu a ordem da ação.


"Sem mandado judicial, não há cumprimento de decisão alguma. Sem mandado judicial, qualquer ato de execução forçada caracteriza arbítrio, violência ao estado democrático, rompimento com a Constituição vigente e seus fundamentos", escreveu o juiz. A decisão, porém, não foi cumprida imediatamente.

À noite, ao ser informado de que a polícia permanecia no local, Pires determinou novamente a retirada da PM e criticou o descumprimento da decisão anterior. "Se antes se anunciavam sinais de um estado de exceção sob a coordenação do secretário da Segurança Pública, no presente se constata a afronta direta e intencional do secretário à ordem judicial", escreveu. "Não é admissível que o governo se comporte de modo acintoso com o Poder Judiciário."


Em nota, a SSP informou que "somente tomou conhecimento oficial da decisão no início da noite, pois o juiz determinou a intimação pessoal do secretário", que aconteceu, segundo a pasta, às 19h20. Em seguida, afirmou, a ordem judicial foi cumprida. Nesta terça-feira, 3, será realizada uma audiência de conciliação.

Batalha

Os estudantes comemoraram a retirada da tropa. "Ganhamos mais uma batalha com a saída da PM, mas ainda não vencemos a luta. É importante que tenham reconhecido os abusos do governo, em mandar os policiais até aqui. Sabemos que a resistência nos próximos dias não vai ser fácil, mas estamos preparados e fortes", disse Ícaro Dias, de 17 anos, estudante de uma Etec.

Ao longo do dia, estudantes e PMs ficaram frente a frente no hall do prédio, em clima tenso. A Força Tática fez um cordão de isolamento para os funcionários. "A polícia permanece até o fim do expediente", disse o tenente-coronel Francisco Cangerana. Com a medida, o Centro Paula Souza conseguiu processar a folha de pagamento de 20 mil servidores.

A ocupação recebeu a visita da deputada federal Luiza Erundina (PSOL), do deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) e do ex-senador Eduardo Suplicy (PT). "A causa é mais do que justa. Os alunos terem de lutar por merenda no Estado mais rico do País é uma vergonha", disse Erundina.

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