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Após pressão popular, Senado do Paraguai cassa imunidade de parlamentar

Os protestos contrários à manutenção da imunidade de Bogado tiveram a adesão de diversos estabelecimentos comerciais, especialmente restaurantes

Internacional|Agência Brasil

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Manifestações populares levaram o Senado do Paraguai a reavaliar nesta quinta-feira (28) o processo de cassação da imunidade de um senador, que havia sido negada pelos parlamentares no dia 14 de novembro, quando 23 membros da Casa votaram contra a perda do benefício do colega.

A decisão dos senadores provocou uma onda de insatisfação entre os paraguaios, que organizaram protestos nas últimas semanas na capital do país, Assunção. Estima-se que o maior protesto desde então, do dia 15 de novembro, tenha reunido aproximadamente 20 mil pessoas em frente ao Congresso Nacional.

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Nesta quinta-feira, os parlamentares voltaram atrás e o senador Victor Bogado, do Partido Colorado, perdeu a imunidade. Ele poderá responder na Justiça por má conduta administrativa, fraude e cobrança ilegal de impostos. O estopim para o caso foi a denúncia de que a babá de suas filhas estaria recebendo mais dois salários — como empregada da Câmara dos Deputados e comissionada da Hidrelétrica Itaipu. O senador se declara inocente das acusações.

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Os protestos contrários à manutenção da imunidade de Bogado tiveram a adesão de diversos estabelecimentos comerciais, especialmente restaurantes. Isso porque no mesmo dia em que o senador conseguiu manter o benefício, o político foi a uma churrascaria. Um dos parlamentares que votou pela absolvição foi a uma pizzaria e acabou expulso do local a gritos, empurrões e insultos, entre eles, “ratazana sem vergonha”. Nos dias seguintes, vários restaurantes penduraram nas portas o seguinte aviso: "Aqui não servimos ratos".

Nos últimos dias, restaurantes, bares, comércios, lojas, shoppings, estádios de futebol e prestadores de serviços de todo tipo passaram a anunciar que barrariam a entrada dos 23 senadores “cúmplices da impunidade”, que votaram a favor da manutenção da imunidade.

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Hospitais declararam que atenderiam os referidos políticos somente em caso de urgência. Foi criada uma página na internet para identificar os parlamentares que se posicionaram favoravelmente a Bogado, com notícias, fotos e contatos. Os estabelecimentos que aderiram ao movimento de não aceitar a presença dos senadores chegam a 150. Uma funerária, ligada a um cemitério particular, foi a exceção - informou que, diferentemente dos demais, está disposta a recebê-los.

O Paraguai, que foi governado durante 35 anos pelo governo militar de Alfredo Stroessner, cuja ditadura terminou em 1985, jamais havia passado por onda de insatisfação semelhante, com a manifestação popular.

O empresário Eduardo Fernandez se diz favorável aos protestos da população e explica que ir às ruas foi uma forma de exigir uma melhor conduta dos políticos no país. Segundo ele, isso reflete uma nova mentalidade no país, favorecida pelo melhor acesso à informação.

"Tudo começou em uma pizzaria. Depois, todo mundo começou a fazer a mesma coisa. Até então, no Paraguai, os políticos podiam fazer o que eles queriam e o povo não fazia nada. Hoje em dia as coisas mudaram, mais pessoas tem acesso à informação. Há mais smartphones do que pessoas no país, tudo vai parar em redes sociais", disse o empresário.

Os últimos fatos no país estão no contexto do novo governo do presidente Horacio Cartes, empossado em agosto deste ano, que é filiado ao Partido Colorado. Em sua gestão, foi criada uma página na internet que disponibiliza dados de funcionários do Estado, em uma espécie de página de transparência. A partir daí, a imprensa passou a revelar denúncias de fraudes com recursos públicos, como a que envolveu o senador Victor Bogado.

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