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Erdogan vence referendo para implantar sistema presidencialista na Turquia

Triunfo da reforma abre caminho para que presidente governe o país até 2029

Internacional|Com Agência Brasil

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Voto a favor do novo sistema lidera a contagem com uma vantagem de 1,3 milhão de votos sobre o "não", o que lhe garante a vitória
Voto a favor do novo sistema lidera a contagem com uma vantagem de 1,3 milhão de votos sobre o "não", o que lhe garante a vitória

O novo sistema presidencialista sugerido pelo chefe de Estado, Recep Tayyip Erdogan, venceu o referendo neste domingo (16) na A agência de notícias oficial da Turquia, Anadolu, noticia a vitória do "sim" no referendo promovido no país sobre a expansão de poderes presidenciais. De acordo com a agência, após 99,27% das urnas apuradas dentro do país, o "sim" recebeu 51,35% contra 48,65% do "não".

Os turcos foram às urnas neste domingo para um referendo histórico sobre a aprovação de reformas constitucionais que expandem significativamente os poderes do presidente Recep Tayyip Erdogan.


Confirmada a vitória, as 18 mudanças constitucionais vão substituir o sistema parlamentarista turco de governo por um presidencialista, abolindo o papel de primeiro-ministro.

O primeiro-ministro e o próprio presidente Erdogan anunciaram a vitória antes mesmo da divulgação dos resultados oficiais. Dirigindo-se a milhares de adeptos de bandeira que acenam na noite de domingo, o primeiro-ministro Binali Yildirim disse que o resultado final "não oficial" é "sim" para o referendo constitucional.


O principal partido de oposição da Turquia diz que vai contestar 37% das urnas contadas no referendo. O vice-presidente do Partido Popular da República, ou CHP, Erdal Aksunger, previu que o número poderia até aumentar para 60%. "Desde esta manhã, detectamos cerca de 2,5 milhões de votos problemáticos".

O partido de oposição pró-curdo do país, que também se opôs às mudanças constitucionais, disse que planeja se opor a dois terços das cédulas. O Partido Popular Democrático se pronunciou por meio de redes sociais. "Nossos dados indicam uma manipulação na faixa de 3% a 4%."


A vitória do governo no referendo representa um fortalecimento das políticas do presidente, embora seja preciso algum tempo até que todo o impacto da mudança constitucional seja sentido. Algumas medidas não teriam efeito até as eleições de 2019. (Dayanne Sousa - dayanne.sousa@estadao.com e Renato Carvalho - renato.carvalho@estadao.com, com agências internacionais)

Erdogan enfrenta seu maior teste em referendo histórico na Turquia


No entanto, o Partido Republicano do Povo (CHP), o maior da oposição, que fez campanha contra a reforma, denunciou que estas cifras provêm da agência semipública Anadolu e ainda não são os resultados definitivos da Junta Suprema Eleitoral.

Além disso, Erdal Aksünger, um porta-voz do CHP, declarou à imprensa que seu partido impugnará 37% das urnas apuradas, porque há "muita manipulação".

Uma das maiores preocupações da oposição é o comunicado da Junta Suprema Eleitoral que hoje permitiu considerar válidas na contagem as papeletas não previamente seladas pela equipe da mesa eleitoral, o que abre a porta para manipulações na avaliação dos opositores de Erdogan.

"Dizem que são válidas as papeletas e envelopes sem selo oficial. Isso é ilegal. Isso quer dizer que podem ser trazidos votos de fora", disse à imprensa o vice-presidente do CHP, Bülent Tezcan.

O triunfo da reforma, que seria aplicada a partir de 2019, abriria o caminho para que Erdogan possa governar até 2029, ou, inclusive, até 2034.

Os defensores da reforma sustentam que esta daria estabilidade ao país e melhoraria o crescimento econômico e a segurança, enquanto a oposição teme que Turquia se converta em uma espécie de ditadura devido aos enormes poderes que seriam atribuídos ao presidente.

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