Síria celebra aproximação de EUA e Rússia, e diz aceitar investigação sobre armas químicas
Turquia está fazendo testes sanguíneos em combatentes refugiados para descobrir detalhes sobre suposto uso de armas químicas
Internacional|Do R7

Damasco saudou nesta quinta-feira (9) o acordo entre Estados Unidos e Rússia para incitar o regime sírio e os rebeldes a encontrarem uma solução política para o conflito. O regime do presidente Bashar al Assad disse ainda estar disposto a receber os investigadores de armas químicas da ONU.
"A Síria se alegra com a aproximação entre Rússia e Estados Unidos", indicou o Ministério das Relações Exteriores sírio depois que os dois países chagaram a um acordo terça-feira na capital russa. Moscou e Washington também propuseram organizar o mais rápido possível uma conferência internacional sobre a Síria.
O Ministério das Relações Exteriores do país disse que "confia que a posição russa, baseada na Carta da ONU e no Direito Internacional, não mudará".
"Apenas o povo sírio decidirá seu futuro e [qual será] o sistema constitucional de seu país, sem nenhuma interferência estrangeira, principalmente porque o governo sírio avançou em direção à aplicação do programa político proposto pelo presidente Assad", acrescentou o ministério.
O governo sírio também anunciou que está disposto a receber imediatamente a comissão de investigação da ONU sobre armas químicas, informou o vice-ministro sírio das Relações Exteriores em uma entrevista exclusiva à AFP.
"Estávamos dispostos e continuamos dispostos agora, neste mesmo momento, a receber a delegação tal como foi estabelecida pelo [secretário-geral da ONU] Ban Ki-moon para investigar o ocorrido em Khan al Assal", declarou Faisal Moqdad.
Enquanto isso, o secretário americano de Estado, John Kerry, voltou a ressaltar nesta quinta-feira em Roma que Assad não poderá fazer parte de um futuro governo de transição, razão pela qual deve abandonar seu cargo.
Já a Coalizão Nacional Síria, da oposição, já havia declarado na quarta-feira que qualquer solução política para o conflito deveria começar com a renúncia de Assad.
Líder do Hezbollah afirma que grupo irá receber armas da Síria
Com relação aos dois ataques lançados por Israel na última semana, a Síria alertou que "responderá imediatamente" a qualquer nova ofensiva.
"Nossas represálias serão fortes e dolorosas", assegurou Muqdad.
Fontes israelenses disseram que os ataques tiveram como alvo as armas destinadas ao grupo xiita libanês Hezbollah, um aliado de Damasco.
Muqdad desmentiu isso. "Eles não atingiram o seu alvo e mentem quando dizem que este alvo era o Hezbollah", disse, acrescentando que "de maneira nenhuma a Síria deixará que isso ocorra outra vez".
Em Roma, Kerry também advertiu que o envio de sofisticados mísseis antiaéreos russos à Síria seria potencialmente desestabilizador para a região. O Wall Street Journal indicou que Moscou está muito perto de vender a Damasco uma série de baterias antiaéreas e mísseis. Autoridades israelenses estimam que a entrega será realizada em 90 dias, sustenta a publicação.
Refugiados
Além disso, Kerry confirmou oficialmente o desbloqueio de R$ 200 milhões (US$ 100 milhões) adicionais de ajuda humanitária para os refugiados, dos quais a metade servirá para ajudar a Jordânia a enfrentar o fluxo de sírios que fogem do conflito.
A cada dia, cerca de 2.000 pessoas cruzam a fronteira entre Síria e Jordânia fugindo dos combates. A Jordânia acolhe cerca de 525 mil refugiados, disse o ministro jordaniano das Relações Exteriores.
Neste contexto, a Turquia confirmou que havia feito testes sanguíneos em refugiados sírios feridos nos combates de seu país para determinar se tinham sido vítimas de armas químicas e que os resultados serão publicados assim que estiverem disponíveis.
Na Síria, o Exército reconquistou uma localidade na zona de Qouseir e forças leais ao regime de Assad, apoiadas pelo Hezbollah, seguiam lutando contra combatentes rebeldes em populações próximas, indicaram diversas fontes.
A Síria "dará tudo ao Hezbollah" xiita libanês em agradecimento por seu apoio e seguirá seu modelo de resistência contra Israel, afirmou nesta quinta-feira o jornal libanês Al Akhbar, citando o presidente sírio Bashar al Assad.
Qouseir, localizada na estrada que une Homs ao litoral sírio, perto da fronteira libanesa, é considerada uma região estratégica.
A frente islamita radical Al Nosra, na linha de frente no combate contra o regime sírio, desmentiu nesta quinta-feira que seu chefe em Damasco, Abu Mohamed al Youlani, esteja ferido, como havia anunciado o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), órgão opositor com sede na Grã-Bretanha.
Em abril, o chefe da Frente al Nosra anunciou sua lealdade ao líder da Al Qaeda, Ayman Al-Zawahiri.
A Al Nosra, classificada como organização terrorista por Washington, se tornou conhecida na Síria com uma série de atentados suicidas.
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