São Paulo

2/7/2013 às 09h25 (Atualizado em 2/7/2013 às 10h21)

Empresário doa R$ 4.500 à família de menino assassinado

Criança boliviana de cinco anos foi morta porque chorava demais e pais não tinham mais dinheiro

Agência Estado

Menino boliviano de cinco anos foi morto durante assalto na zona leste na última sexta-feira (5) Reprodução/Rede Record

A morte do garoto Brayan Yanarico Capcha, de 5 anos, criou uma rede de solidariedade de bolivianos no Brasil. Um empresário e presidente de uma ONG (organização não governamental) de direitos humanos que não quis se identificar deu R$ 4,5 mil à família para cobrir o que foi levado pelos ladrões.

— Estou tentando fazer minha parte.

Outros contribuíram como podiam. De origem boliviana, a advogada Patrícia Veiga defende a família de graça. Patrícia ajudou a comprar uma roupa branca para vestir Brayan para o velório. A família buscou, sem sucesso, uma peça de roupa do Pica-Pau. O menino queria um boneco do personagem de aniversário, que seria neste sábado (6).

O corpo de Brayan, morto com um tiro na cabeça durante um assalto, será enterrado nesta terça-feira (2) na Bolívia. Os pais do garoto, Verônica Capcha Mamani e Edberto Yanarico Capcha Mamani, retornaram ao país junto com o corpo do filho e relataram não querer voltar para o Brasil. A família deixou o País na tarde desta segunda-feira (1º) em direção à cidade de La Paz, capital da Bolívia. Em seguida, eles seguiriam para o vilarejo de Takarama, a 150 km de La Paz, onde acontecerá outro velório e o enterro.

Prisões

Os três suspeitos que já foram presos pela polícia disseram que foram assaltar os bolivianos porque sabiam que eles não tinham conta bancária e guardavam dinheiro em casa. O menino Brayan Yanarico Capcha, de cinco anos, foi morto com um tiro na cabeça porque chorava muito e os pais não tinham mais dinheiro. A quadrilha roubava motos na zona leste e na marginal Tietê.

No domingo (30), a polícia prendeu o terceiro suspeito de participar do bando que matou Brayan. Trata-se de um adolescente de 17 anos, que chegou a ser apontado como o autor do tiro. Mas ele e os outros dois presos afirmaram à polícia que o autor do disparo foi Diego Freitas Campos, de 20 anos. À polícia, disseram que "não entenderam" a atitude do comparsa, que está foragido. Também confessaram ter tentado matar o comparsa. Ao ser detido, o menor carregava R$ 990.

O outro foragido, além de Campos, é Wesley Pedroso, também de 19 anos. Neste domingo, a polícia chegou a entrar na casa onde os dois estavam escondidos, perto do Parque do Carmo, na zona leste de São Paulo, mas eles fugiram pulando o muro. A casa tinha três pit bulls, o que dificultou o trabalho da polícia.

Na tarde desta segunda-feira (1º), um homem foi detido suspeito de ser o atirador, o que não foi confirmado. Ele já foi liberado.

Antes de ser baleado, menino boliviano entregou aos criminosos dinheiro de seu presente de aniversário

Segundo o delegado Antônio Mestre Junior, o adolescente e outros dois acusados que já estavam presos — Paulo Henrique Martins, de 19 anos, e Felipe dos Santos Lima, de 18, o Tripa — confessaram o crime. Segundo a SAP (Secretaria de Administração Penitenciária), Campos fugiu em maio do CDP (Centro de Detenção Provisória) Franco da Rocha, onde cumpria pena por roubo. Ele deixou o presídio durante a saída temporária do Dia das Mães e não retornou.

O crime

Na madrugada de sexta-feira (28), o bando invadiu a casa dos pais de Brayan, em São Mateus, na zona leste, para fazer um assalto. Os bandidos já haviam pegado R$ 4,5 mil, quando o menino começou a chorar. Irritado com a reação da criança e com o fato de os pais não terem mais dinheiro, Diego Freitas Campos, de 19 anos, teria atirado na cabeça de Bryan. Antes, o menino implorou: "Não quero morrer, não matem minha mãe". Mas o ladrão, que havia mandado a mãe calar a criança, apertou o gatilho.

Antes de levar um tiro na cabeça, o menino Brayan havia entregado aos assaltantes as moedinhas que mantinha em um pequeno cofre em casa. Segundo a advogada Patrícia Veiga, representante do Consulado da Bolívia que ajudou a família do garoto a resolver a burocracia relacionada ao traslado do corpo, Brayan chegou a dizer "toma la plata (pegue o dinheiro)" aos bandidos ao entregar sua pequena economia — o que não evitou que fosse morto.

Outros bolivianos que estavam no velório do garoto neste domingo (30), no cemitério São Judas Tadeu, em Guarulhos, fizeram uma vaquinha para arrecadar fundos à família, que voltará para a Bolívia sem um tostão, uma vez que a economia feita em seis meses, R$ 4,5 mil, foi levada. Os conterrâneos dos pais do garoto foram ao velório em ônibus alugados pelo consulado, que também vai arcar com os custos do traslado do corpo de volta à Bolívia. O embarque deve ser feito nesta segunda-feira (1º).  

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