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Julgamento de grupo acusado de agressão em evento pela tolerância pode terminar hoje

Vítimas foram agredidas com tacos de beisebol e facadas em 2011

São Paulo|Do R7

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Grupo de skinheads foi preso com espingarda de chumbinho, munição, facões, faca, canivetes, soco inglês e machadinha
Grupo de skinheads foi preso com espingarda de chumbinho, munição, facões, faca, canivetes, soco inglês e machadinha

O segundo dia de julgamento de três rapazes acusados de agredir violentamente quatro pessoas em um evento que pregava o antifacismo, em 2011, começou por volta das 9h30 desta quarta-feira (2). Um quarto acusado morreu antes de ser julgado, segundo a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo. Pelo menos um membro do grupo se declarava skinhead, informou o promotor do caso, Fernando César Bolque.

Apesar da violência e das prisões em flagrante, os réus aguardaram o júri em liberdade. Eles são acusados de tentativa de homicídio triplamente qualificado, corrupção de menores e formação de quadrilha. Se condenados, podem pegar de 12 a 30 anos de prisão.


Cinco testemunhas de defesa já foram ouvidas nesta quarta-feira, segundo o TJ. Outras duas ainda serão ouvidas. Na sequência, os réus serão interrogados. Em seguida, começam os debates entre defesa e acusação. Na sequência, o júri, composto por sete pessoas (sete homens e uma mulher) se reúne em uma sala secreta para votação. A sentença do juíz é o último passo.

A previsão é que o julgamento termine entre esta quarta-feira e a quinta-feira (3), de acordo com o tribunal. Inicialmente, estava previsto que o júri se estendesse até sexta-feira (4). No primeiro dia de julgamento, na terça-feira (1º), duas vítimas e quatro testemunhas de acusação foram ouvidas.


Crime

De acordo com a Polícia Civil, as vítimas — um jovem na época com 19 anos; um homem de 31; um catador de ferro velho de 25 e um autônomo de 34 — participavam do evento “Fevereiro Antifascista” quando foram agredidos por Raphael Luiz Dierings, Jorge Gabriel Gonzalez, Milton Gonçalves do Nascimento Junior e Rogério Moreira.


Segundo o promotor do caso, os agressores alegaram que não conheciam as vítimas e não tinham a intenção de matar.

Em entrevista à Agência Record em 2011, uma das organizadoras do evento disse que o catador de papel, que é deficiente físico, estava próximo à área onde os shows eram realizados quando foi agredido com tacos de beisebol.


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Alguns participantes tentaram ajudar e foram esfaqueados. Uma das vítimas teve um ferimento profundo no braço e a outra, uma facada na cabeça, que atravessou o crânio e atingiu o cérebro, como conta Bolque.

— Um dos agressores, quando terminou, disse que havia pego mais um macaco.

Após a agressão, os suspeitos foram encontrados no terminal Parque Dom Pedro, com uma espingarda de chumbinho, munição, dois facões, uma faca, três canivetes, um soco inglês e uma machadinha. Uma das armas tinhas um símbolo nazista. Um menor também foi apreendido com o grupo. Na época, ele foi encaminhado à Fundação Casa.

O evento, organizado pelo Movimento Anarcopunk de São Paulo, era uma homenagem ao adestrador de cães Edson Neris da Silva, morto em 2000 por outros supostos skinheads.

Silva foi assassinado na madrugada de 6 de fevereiro de 2000. Ele passeava de mãos dadas com seu companheiro na praça da República quando foi atacado por um grupo de homofóbicos. Dario conseguiu escapar, mas Edson, espancado a chutes e golpes de soco-inglês, acabou morrendo em decorrência das várias hemorragias internas. A polícia deteve 18 suspeitos. Um deles foi preso.

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