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"Matador de Travesti" é o último PM julgado pelo Massacre do Carandiru

Cirineu Letang Silva cumpriu 18 anos de pena pela morte de três pessoas e voltou à prisão

São Paulo|Do R7

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Em outubro de 1992, 111 presos foram mortos no massacre
Em outubro de 1992, 111 presos foram mortos no massacre

O ex-policial militar da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) Cirineu Carlos Letang Silva é o último réu a ser julgado pela morte de 73 detentos em outubro de 1992, no episódio que ficou conhecido como Massacre do Carandiru. Ele deveria ter sido julgado com outros 26 policiais, mas pediu o desmembramento do júri. O julgamento começou às 9h desta terça-feira (9), no Fórum de Santana, na zorte norte de São Paulo.

Silva ficou conhecido como "Matador de Travestis" depois de ser condenado pelo assassinato de três pessoas em São Paulo. Ele ficou preso por quase 18 anos e, após cumprir a pena, voltou para cadeia suspeito da morte de um quarto travesti.


Ao todo, 73 policiais militares já foram condenados. Todos recorrem em liberdade. Silva é o único que está preso.

Outros júris


Em abril deste ano, 15 policiais militares do COE (Comando de Operações Especiais) acusados de matar oito detentos no quarto pavimento (3º andar) do Pavilhão 9 durante o massacre do Carandiru, foram condenados a 48 anos de prisão cada um. A promotoria pediu que das oito mortes, os jurados desconsiderassem quatro homicídios cometidos com arma branca e duas tentativas de assassinato. Essa foi considerada a pena mais branda aplicada aos envolvidos na série de assassinatos. 

Um mês antes, em 19 de março, a Justiça condenou dez policiais militares pela morte de oito detentos no 5º pavimento (4º andar) do Pavilhão 9 da antiga casa de detenção. Nove deles foram sentenciados a 96 anos de reclusão, cada um, e um décimo réu recebeu pena de 104 anos de prisão.


Em 2013, 21 anos após as 111 mortes no “Massacre do Carandiru”, policiais militares foram levados a júri popular em dois momentos. Em abril, 26 foram julgados. Inicialmente, o grupo era responsabilizado pelo homicídio de 15 vítimas, mas duas foram desconsideradas. Depois de sete dias de júri, 23 réus foram sentenciados a 156 anos de prisão e três acabaram absolvidos. Os policiais receberam pena mínima de 12 anos por cada uma das mortes dos 13 detentos.

Em agosto do mesmo ano, o 2º bloco do julgamento terminou com a condenação de outros 25 policiais militares a 624 anos de reclusão. Eles foram responsabilizados pela morte de 52 presos no terceiro pavimento do Pavilhão 9. Inicialmente, o grupo era julgado pelas mortes de 73 detentos, mas o Ministério Público pediu que 21 homicídios não fossem imputados aos militares. Nos dois casos, a defesa entrou com recurso.


Em 2001, o coronel Ubiratan Guimarães, que comandou a Tropa de Choque durante o episódio, foi condenado a 632 anos de prisão pela morte de 102 detentos. Mas em 2006, a sentença foi anulada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Guimarães morreu assassinado meses depois, naquele mesmo ano.

Em dezembro do ano passado, outro comandante da ação policial na Casa de Detenção de São Paulo, o coronel da reserva Luiz Nakaharada, morreu ao sofrer um ataque cardíaco. Ele era apontado como responsável por cinco das 78 mortes que aconteceram no segundo andar do complexo do Carandiru e teria um julgamento individual após as quatro primeiras fases do júri.

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