Logo R7.com
RecordPlus

Ministério Público ouve dois traficantes que denunciaram delegados do Denarc

Dupla é acusada de tráfico de drogas e seriam comparsas do sequestrador Andinho

São Paulo|Do R7

  • Google News
Treze policiais foram presos temporariamente no dia 15 de julho
Treze policiais foram presos temporariamente no dia 15 de julho

O Ministério Público de São Paulo ouve na tarde desta quinta-feira (1º) dois traficantes que teriam sido extorquidos por policiais do Denarc (Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico), para permitir a venda de drogas em Campinas, no interior do Estado.

Os dois acusados por tráfico seriam comparsas do sequestrador Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, e aparecem nas investigações do Ministério Público sobre o suposto esquema de achaque, sequestro e tortura contra criminosos por parte dos policiais do Denarc.


Ao todo, 13 policiais foram detidos temporariamente no dia 15 — quatro já foram soltos — por envolvimento com o esquema. Os promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) ouvia, por volta das 15h, os depoimentos dos traficantes.

Leia mais notícias de São Paulo


Após decisão da Justiça, delegado do Denarc suspeito de envolvimento com tráfico deixa cadeia

Flaviano Lima de Oliveira, conhecido como "Aquiles", é considerado braço direito de Andinho na distribuição de drogas e atuaria na região de Ribeirão Preto. Ele foi preso no último dia 15. Além de fornecer drogas para a quadrilha de Andinho, ele foi acionado pelo sequestrador, de dentro da penitenciária de segurança máxima de Presidente Bernardes, para um suposto ataque a promotores do Gaeco.


O outro ouvido é Carlos Alberto da Silva, conhecido como "Frango", apontado como responsável pelo armazenamento e preparo das drogas. Ele foi detido por policiais investigados do Denarc, para forçar o grupo a pagar um resgate de um traficante no valor de R$ 200 mil.

A operação


A Corregedoria da Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo desarticularam a quadrilha de policiais do Denarc suspeitos de roubo, corrupção e extorsão mediante sequestro. As investigações indicaram que os agentes recebiam propina de até R$ 300 mil de traficantes de drogas na capital e na região de Campinas. 

O promotor José Tadeu Baglio ouviu na quarta-feira os depoimentos de dois delegados envolvidos no esquema, Clemente Castilhone Júnior, da Unidade de Investigações, e Fábio Amaral de Alcântara, da 3ª Delegacia de Apoio.

— Os depoimentos aumentaram as convicções do Ministério Público de que houve vazamento de informações no Denarc.

Castilhone Júnior e Alcântara teriam fornecido informações a traficantes sobre a invasão da favela do São Fernando - um dos principais pontos de venda de drogas de Campinas, comandado por Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, que está preso em Presidente Venceslau. Os dois negaram que passaram detalhes da operação policial a criminosos. 

Outros dois policiais do 10º Distrito Policial de Campinas também foram chamados para depor, mas ficaram calados. O advogado Ralph Tórtima Sttetinger Filho questionou a validade do depoimento de Andinho usado para incriminar os agentes.

— É a palavra de um delator traficante contra policiais com histórico de combate ao tráfico.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.