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Plano de saúde descredencia médica que tentou cobrar "taxa extra" para realizar parto

Médica avisa a paciente grávida que não faria parto, pois valor pago pelo plano era irrisório

Saúde|Marcos Rosendo, da Rede Record

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Walquiria é mãe de Raul, sete anos, e do pequeno Heitor, que nasceu em 13 de março
Walquiria é mãe de Raul, sete anos, e do pequeno Heitor, que nasceu em 13 de março

Depois de sair do consultório da médica, a maior dificuldade de Walquiria Tavares Gomes Rosendo era tentar segurar as lágrimas que insistiam em escorrer. No caminho entre o prédio e o ponto de táxi, as pessoas olhavam e perguntavam se aquela grávida precisava de ajuda. Os mais solícitos queriam chamar uma ambulância, mas a gestante, soluçando, dizia que estava tudo bem enquanto apressava o passo em busca de um carro.

Ao chegar em casa, Walquiria, prestes a completar oito meses de gravidez, ligou para o marido tentando explicar que a obstetra, que acompanhara o pré-natal desde o início, a tinha abandonado.


A médica, de acordo com o relato da paciente, disse que não faria o parto cesariano, pois os valores de reembolso dos planos de saúde eram irrisórios. Além do mais, justificou a doutora, o procedimento estava na mira do governo, que passou a exigir uma série de documentos “burocratizando as cirurgias”, por considerar que há um número exagerado de cesarianas no País. 

A paciente Walquiria ainda tentou argumentar que estava a poucas semanas de dar à luz e seria muito difícil encontrar um novo médico às vésperas do parto. Advertiu a médica que a informação de que o parto não seria feito deveria vir à tona logo na primeira consulta e não no final da gravidez. De acordo com Walquiria, a médica afirmou que ela não ficaria desassistida, caso concordasse em pagar os honorários do parto, em torno de R$ 8.000. Após esse fato, a Omint decidiu descredenciar a médica.


O pré-natal de Walquiria, aos 41 anos, já vinha transcorrendo com alguns problemas ocasionados pelo aumento da pressão arterial. Era a segunda gravidez. O primeiro filho, Raul tem sete anos e meio. O quadro se complicou severamente diante do estresse traumático que é perder a médica faltando poucos dias para ter o bebê. A hipertensão na gravidez fora comprovada ainda durante o pré-natal com a médica. 

A hipótese de pagamento “por fora”, como sugeriu a médica, foi rechaçada pela paciente, uma vez que ela possui o convênio médico da empresa de saúde Omint, cujo contrato prevê a integralidade dos serviços de obstetrícia. A doutora, por fim, disse que a paciente poderia ir para casa e pensar com calma.


O marido de Walquiria procurou a médica e ouviu novamente os mesmos argumentos de que o parto seria feito apenas mediante o pagamento. A obstetra disse que o casal não precisava se preocupar, pois ela conversaria com uma colega que “aceitava fazer o parto pelo convênio”. Ela procurou outra profissional e, horas depois, informou o casal que infelizmente a colega também não poderia ajudar, mas ela tinha mais um nome na manga.

Crise de confiança


A relação médico-paciente, tão fundamental durante o período de gestação, desapareceu. “Eu não conseguia confiar mais naquela médica nem mesmo para perguntar o horário, quanto mais colocar a vida do meu filho nas mãos dela”, desabafou Walquiria. 

A empresa de saúde Omint foi informada do procedimento da especialista e iniciou uma apuração imediatamente. Ao mesmo tempo enviou para gestante Walquiria uma lista de outros médicos do convênio que poderiam realizar o parto.

Walquiria conta que a preocupação não era apenas em conseguir um novo médico, mas alguém em quem pudesse confiar. Foram dez dias de impasse. O médico tão sonhado por Walquiria estava mais perto do que ela poderia pensar. Mais precisamente na empresa em que ela trabalha, o laboratório RDO Diagnósticos Médicos, no Jardim Paulistano, na zona oeste da cidade. Contando aos colegas o drama que estava vivendo, a história sensibilizou o proprietário da clínica, o médico Ricardo de Oliveira, que indicou o amigo doutor David B.S.Pares, renomado médico e professor da Escola Paulista de Medicina-Universidade Federal de São Paulo, com especialidade em ginecologia, obstetrícia, reprodução humana e medicina fetal.

— O doutor David Pares foi um anjo que apareceu na minha vida. Suas primeiras palavras foram me tranquilizar, dizendo que agora eu era paciente dele, e que minha única preocupação seria cuidar de mim e do bebê. 

Complicações

Walquiria passou por novos exames que constaram o quadro de hipertensão e o diagnóstico de pré-eclâmpsia, que afeta as paredes dos vasos sanguíneos, provocando constrição e o aumento da pressão arterial. A duas semanas do parto, ela sofreu um pico de pressão que chegou a 17x11. Ela precisou ser internada na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) da maternidade Pro Matre durante cinco dias com todo o acompanhamento e suporte do David Pares. 

Com medicamentos, a pré-eclâmpsia foi controlada e monitorada. O parto cesariano foi marcado quando a gestação atingiu 37 semanas. Heitor nasceu no dia 13 de março com 2,5 kg e 49 cm. Ele precisou ficar oito dias na UTI neonatal para ganhar peso. A alta hospitalar foi uma grande festa para família. O pequeno Heitor está se desenvolvendo muito bem desde que foi para a casa, com crescimento e ganho de peso dentro da média. 

— Minha maior felicidade é ter a certeza de que meu filho está saudável. Todo o sofrimento na reta final da gravidez provocado por uma médica sem escrúpulos foi recompensado com o amor, carinho e profissionalismo do doutor David Pares. 

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