Análise: a Índia é a nova China e o Brasil tem muito o que ganhar com isso
Possibilidades de acordos comerciais com a visita de Lula ao país animam diversos setores da economia, especialmente o agronegócio
Agronegócios|Do R7, com RECORD NEWS
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7
O encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, pode mudar a economia brasileira para sempre. A visita do presidente ao país para a Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial é só o primeiro passo nas tentativas de expandir os mercados do Brasil. Depois da Índia, a próxima parada é Coreia do Sul, com previsão de chegada neste domingo (22).
O motivo do entusiasmo dos economistas em torno destas reuniões é simples. “Não estamos falando apenas de um país relevante no mundo, mas sim da nova China”, resume Daniel Vargas, professor da Escola de Economia da FGV (Fundação Getúlio Vargas) em São Paulo.
Segundo ele, as oportunidades para o agronegócio são enormes, uma vez que o crescimento da economia e a gigantesca população da Índia motivariam a busca por mais fontes de comida com boa qualidade.

“Em 2025, o fluxo comercial entre o país e o Brasil não chegou a US$ 15 bilhões [...] Se conseguirmos abrir um pouco o mercado e exportar mais bens para lá, o potencial é imenso. Para começar pelo algodão, sementes, óleo de soja, feijão e frango. Eles são um grande consumidor, nós somos um grande exportador”, avaliou em entrevista ao Record News Rural desta quinta (19).
Vargas enxerga que a Índia tem se posicionado como uma espécie de alternativa à China, vista como uma vulnerabilidade na Europa e Estados Unidos. A mão de obra mais barata e o modelo político democrático são grandes atrativos para esses parceiros, mas tais alianças podem prejudicar o Brasil. Ao ser questionado, o especialista demonstra pessimismo ao comparar a viabilidade para a União Europeia entre o acordo Mercosul-UE ao pacto indiano.
Leia Mais
“Se a Europa tiver que priorizar um dos dois acordos, a tendência é ela primeiro apostar no da Índia [...] o acordo do Mercosul é visto com certa desconfiança em função da competição com a agricultura. O tratado com a Índia não traz isso. Ele traz um imenso mercado consumidor à disposição dos produtos industriais europeus”, avalia;
Ele faz uma análise lúdica sobre, assim como nos livros de história, a Europa foi primeiro à Ásia antes do continente americano.
Na possibilidade de perder o acordo, ainda há mais um aliado com o qual o Brasil poderia contar: a Coreia do Sul. Vargas afirma que há uma grande expectativa para abrir espaço à venda de proteína animal para a nação por conta da cota imposta pela China na mercadoria. Ainda assim, o professor aposta na outra alternativa: “É importante olhar e reconhecer hoje as direções que o mundo segue. A Índia é um caminho do futuro, e nós vamos para a Índia”.
Análises, entrevistas e as notícias do Brasil e do mundo estão na RECORD NEWS. Acesse o site aqui e confira os principais conteúdos em texto e vídeo!














