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‘Quem controla o dado controla o preço’, diz professor ao defender regulamentação das informações geradas no campo

Para Daniel Vargas, a falta de regulamentação favorece uma relação desigual entre agricultores e grandes organizações

Agronegócios|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Brasil enfrenta um cenário de aumento na oferta de café, com previsão de um excedente de 3 milhões de sacas em 2026.
  • Daniel Vargas destaca incertezas sobre a aplicação da Regulação Europeia de Combate ao Desmatamento, que entrará em vigor em breve.
  • O uso de dados nas propriedades rurais pode influenciar a formação de preços no mercado de café.
  • Mudanças climáticas exigem investimentos em tecnologia para adaptar a produção de café às novas condições climáticas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O mercado de dados foi um dos temas centrais discutidos durante o encontro da OIC (Organização Internacional do Café), realizado no fim de setembro em Genebra, na Suíça. Segundo o professor da FGV, Daniel Vargas, o setor começa a enxergar as informações geradas nas propriedades rurais como um ativo econômico estratégico.

“Cada vez mais o café é um mercado de dados, dados que são gerados na fazenda do produtor, mas que são capturados muitas vezes por intermediários que depois usam esses dados para ganhar preço contra o próprio produtor”, afirma em entrevista ao Record News Rural desta terça-feira (6).

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Chão coberto por grãos de café em diferentes tons, incluindo roxos, verdes e marrons. Ao fundo, equipamentos agrícolas e recipientes vermelhos estão levemente desfocados, sugerindo um ambiente de colheita.
Encontro da OIC na Suíça discutiu o mercado de dados no setor global de café Reprodução/Record News

De acordo com Vargas, a discussão gira em torno da remuneração e da governança dessas informações. Para ele, quem produz os dados também deveria ter participação nos benefícios econômicos gerados por seu uso. “Aquele que gera o dado, aquele que produz, não deveria também ser remunerado pelo seu uso e ter governança sobre o seu papel? Afinal, nessa nova economia, quem controla o dado controla o preço; quem controla o preço apropria uma parte da renda”, destaca.

O docente explicou que existe uma contradição entre a proteção dos dados pessoais e a ausência de regras específicas para os dados gerados no campo. “Nós protegemos o dado pessoal, mas não protegemos o dado da fazenda. Ele ainda é considerado como se fosse um bem público, como se cada empresa pudesse livremente utilizar esses dados para o seu fim econômico, sem reconhecer o retorno àquele que gera o dado”, ressalta.

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Segundo ele, países como Estados Unidos, Índia e membros da União Europeia já discutem mecanismos para transformar essas informações em propriedade do produtor.

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Para Daniel Vargas, a falta de regulamentação favorece uma relação desigual entre agricultores e grandes organizações, que utilizam essas informações para obter vantagens comerciais. “Produtores que são, em geral, fragilizados, vulneráveis e dispersos, fornecem dados gratuitamente para meia dúzia de organizações depois usarem esses dados para fazer deles um bem econômico e se apropriar dessa nova renda informacional”, diz.

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Na avaliação do professor, reconhecer valor econômico aos dados pode trazer benefícios também para a produção sustentável e de qualidade. “O dado precisa ter valor. Para ter valor, tem que ser tratado como propriedade, como bem privado”, frisa.

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