‘Produz até três vezes mais que o arábica’: canéfora ganha força na cafeicultura paulista
Com alta produtividade e resistência, café canéfora abre novas oportunidades de negócio, incentiva a produção de blends e fortalece a cadeia cafeeira
Agronegócios|Do R7, com RECORD NEWS
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O cultivo do café canéfora vem ganhando espaço entre os produtores no noroeste paulista devido à boa adaptação da cultura ao clima da região e às oportunidades econômicas que ele oferece.
“Ele traz uma melhor produção, uma produtividade bem maior do que o arábica, uma tolerância maior a nematoide e algumas pragas e doenças. Mas tem uma outra coisa interessante: ele é muito mais produtivo. Então, você produz até duas, dependendo do trato, até três vezes mais do que o arábica na mesma idade”, explica Cláudio Giusti de Souza, engenheiro agrônomo da Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
Em Pindorama, uma família que cultivava café desde a década de 1960 decidiu retomar a atividade após abandonar a produção por causa de pragas. Apostando no canéfora, os produtores já colheram os primeiros resultados e têm expectativa de uma safra ainda melhor em 2026. A produção será comercializada por meio de uma torrefação em Catanduva, com planos de criar blends — combinação planejada de diferentes grãos para equilibrar sabor, aroma e qualidade — reunindo café arábica e canéfora.

Como toda nova cultura agrícola, o investimento exige acompanhamento técnico. Para reduzir os riscos, os produtores contam com o suporte da Cati, que oferece orientação desde o plantio até a colheita, garantindo mais segurança para quem aposta no mercado cafeeiro.
O canéfora representa cerca de 40% da produção mundial de café e aproximadamente 30% da produção brasileira. Com sabor mais encorpado e menor acidez, a variedade conquista cada vez mais consumidores. Tradicionalmente concentrada nos estados do Espírito Santo, Rondônia e Bahia, a cultura vem ampliando sua presença em São Paulo, fortalecendo a participação do estado no cenário da cafeicultura nacional.
O desenvolvimento da produção também conta com parcerias entre empresas privadas e órgãos públicos, que disponibilizam equipamentos, tecnologia e apoio técnico aos agricultores. “A nossa empresa tem parcerias, como, por exemplo, com a Secretaria de Agricultura, em que faz uma doação de um equipamento para levar esse conhecimento e esse cultivo para os produtores que não têm acesso ou que estão ainda aprendendo sobre a nova cultura“, afirma Rodolfo Juliano de Souza, relações institucionais da empresa.
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Além de impulsionar a produtividade no campo, essas parcerias ajudam a fortalecer toda a cadeia produtiva, da colheita à torra. Com a demanda global crescente por blends de café, as perspectivas são positivas para os produtores paulistas, incentivando o aumento de valor ao produto e até mesmo a criação de marcas próprias.
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