Brasil Senadores contrários ao decreto de armas podem ter escolta

Senadores contrários ao decreto de armas podem ter escolta

Presidente do Senado pediu que a Polícia Legislativa investigue as ameaças relatadas por parlamentares contrários ao decreto assinado por Bolsonaro

Decreto de Armas

Segurança ainda não foi solicitada por nenhum senador

Segurança ainda não foi solicitada por nenhum senador

Edilson Rodrigues/Agência Senado - 14.11.2017

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), determinou que a Polícia Legislativa investigue as ameaças relatadas por senadores contrários ao decreto que flexibilizou o porte de armas no país. Além disso, Alcolumbre disponibilizou escolta policial para parlamentares alvos dos ataques.

A segurança ainda não foi solicitada por nenhum senador. "O Senado vai dar todas as garantias para os senadores cumprirem seu mandato, então o que for deliberado para a presidência que a gente tiver clareza que é uma ameaça, nós vamos autorizar [escola]", disse Alcolumbre.

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O projeto que anula os efeitos do decreto do presidente Jair Bolsonaro está na pauta do plenário do Senado desta terça-feira, 18. Na semana passada, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Casa rejeitou o relatório do senador Marcos do Val (Cidadania-ES) favorável ao decreto presidencial e encaminhou para plenário um parecer alternativo do senador Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB) favorável a anular os efeitos do ato presidencial.

O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender o decreto nesta segunda-feira (17), afirmando que as regras permitam que as pessoas tenham direito à legítima defesa. Parlamentares afirmam que as declarações aumentam a artilharia nas redes sociais contra o Senado.

"Ele não foi muito feliz na fala porque popularizou um assunto muito polêmico dando a entender que as armas já seriam liberadas para todo mundo. As pessoas estão tendo a falsa sensação de que a arma está liberada para todo mundo. Tanto a esquerda quanto a direta vão ficar frustradas com isso", disse Marcos do Val, favorável ao decreto de armas e autor do relatório derrotado na CCJ.

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Parlamentares calculam ter votos para derrubar o decreto presidencial com uma margem de dez votos. Após o Senado, a proposta ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados. "Os que estão convencidos da necessidade de revogação do decreto estão colocando isso [as ameaças] na cálculo, na conta", comentou o líder da Rede no Senado, Randolfe Rodrigues (AP).

Além dos quatro senadores, outros gabinetes relataram que estão recebendo mensagens de celular, e-mails e telefonemas com críticas à tentativa de anular o decreto presidencial e com pedidos para que seja mantida o que Jair Bolsonaro assinou.

Ataques

Quatro senadores relataram à presidência do Senado terem sido alvos de ataques: Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Fabiano Contarato (Rede-ES), Eduardo Girão (Pode-CE) e Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB). Após o relato dos ataques, o presidente do Senado emitiu uma nota expressando "indignação" e prometendo providências para garantir a proteção e a liberdade dos parlamentares.

Alcolumbre pretende fazer um discurso nesta terça-feira (18), antes da votação, com um apelo para que cidadãos apoiadores da política de Jair Bolsonaro não defendem o posicionamento através de ameaças e tentativas de intimidação.

Senadores alvos dos ataques afirmam que o episódio só reforça a mobilização para derrubar o decreto "Imagina essas pessoas com armas", comentou Eduardo Girão. "É mais um motivo para não liberar o porte, porque se um celular na mão provoca esse nível de agressividade, imagina com arma na mão."

Fabiano Contarato (Rede-ES) emitiu uma nota no mesmo sentido. "Estou sofrendo muita pressão e sendo ofendido moralmente. São mensagens que visam que eu vote contra os projetos de decretos legislativos (PDLs) que suspendem as novas regras para porte e posse de armas editadas pelo governo federal. Não vou recuar. Não me intimidam!"