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Brasil avança suas relações comerciais e diplomáticas com o Sudeste Asiático

Comércio entre Brasil e ASEAN alcançou nível recorde de aproximadamente US$ 38,3 bilhões

Brasília|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O chanceler Mauro Vieira está fortalecendo laços com a ASEAN, refletindo uma estratégia de diversificação das relações externas do Brasil.
  • O comércio entre o Brasil e a ASEAN cresceu significativamente, atingindo US$ 38,3 bilhões em 2025, com um superávit brasileiro de mais de US$ 10 bilhões.
  • O Brasil busca elevar sua relação com a ASEAN para Parceiro de Diálogo pleno, visando uma parceria estratégica abrangente.
  • A aproximação com a ASEAN é parte de uma estratégia mais ampla do governo Lula para diversificar mercados e fortalecer o Sul Global, sem romper com parceiros tradicionais como EUA e Europa.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Saiba como o governo Lula transforma relações comerciais em maior autonomia global Divulgação/Ministério das Relações Exteriores

Antes de chegar à Índia, onde representará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no encontro dos líderes do BRICS, o chanceler Mauro Vieira percorre o Sudeste Asiático, consolidando uma das mais importantes — e ainda pouco percebidas — conquistas da política externa brasileira nos últimos anos: a aproximação com a Associação de Nações do Sudeste Asiático, a ASEAN.

Os números ajudam a compreender a dimensão dessa transformação. A corrente de comércio entre Brasil e ASEAN, que era de apenas US$ 2,9 bilhões em 2002, alcançou o nível recorde de aproximadamente US$ 38,3 bilhões em 2025, com superávit brasileiro superior a US$ 10 bilhões.


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A ASEAN já é o quinto maior parceiro comercial brasileiro quando se consideram países e blocos econômicos, atrás apenas de China, União Europeia, Estados Unidos e Mercosul. O intercâmbio vem crescendo em ritmo acelerado e o governo brasileiro considera a região uma peça central de sua estratégia de diversificação das relações externas.

Há, porém, uma comparação ainda mais impressionante. Somadas, as exportações brasileiras entre 2023 e 2025 para os cinco maiores mercados da ASEAN — Singapura, Indonésia, Vietnã, Malásia e Tailândia — chegaram à casa dos US$ 68,5 bilhões, praticamente o mesmo valor vendido no período a cinco mercados tradicionais do G7: Alemanha, Itália, Reino Unido, Japão e França. A semelhança termina aí.


Com os cinco países da ASEAN, o Brasil acumulou superávit de aproximadamente US$ 36 bilhões. Com os cinco mercados ricos do G7, acumulou déficit de cerca de US$ 36,6 bilhões.

Existe uma explicação estrutural para essa diferença. As economias desenvolvidas continuam protegendo diversos setores de seus mercados, especialmente aqueles nos quais o Brasil apresenta extraordinária competitividade, como o agronegócio.


Ao mesmo tempo, o Sudeste Asiático vive um processo de dinamismo econômico e social, urbanização, crescimento das classes médias e ampliação da demanda por alimentos, energia, tecnologia e infraestrutura. Para a agroindústria brasileira, em particular, trata-se de uma extraordinária fronteira de expansão.

É por isso que a ASEAN deve ser compreendida como a nova fronteira do comércio exterior brasileiro.


O mérito do governo Lula e do Itamaraty foi perceber essa transformação e traduzi-la em ação diplomática. O Brasil tornou-se, em 2022, o primeiro país latino-americano a estabelecer uma Parceria de Diálogo Setorial com a ASEAN.

Desde então, a relação ganhou densidade. Há um programa de cooperação para 2024-2028 e, em agosto deste ano, o secretário-geral da ASEAN, Kao Kim Hourn, realizou sua primeira visita oficial ao Brasil, encontrando-se com Mauro Vieira e outras autoridades.

O próximo passo pretendido pelo Brasil é ainda mais ambicioso: elevar essa relação à condição de Parceiro de Diálogo pleno, patamar que representaria uma parceria estratégica abrangente com a ASEAN. O Brasil seria o primeiro país latino-americano a alcançar essa posição.

A diplomacia brasileira trabalha com a perspectiva de que essa decisão possa amadurecer em 2027, e há sinais muito favoráveis entre os integrantes do bloco. Há também a expectativa de uma nova participação brasileira na agenda de cúpula da ASEAN neste ano, sob a presidência filipina.

Nada disso aconteceu por acaso. Mauro Vieira vem realizando um trabalho persistente de aproximação com os países da região. A Tailândia é o sétimo dos 11 integrantes da ASEAN visitado pelo chanceler na atual gestão.

Em julho, Vieira participou em Manila de reunião trilateral entre Brasil, Filipinas — atual presidência da ASEAN — e o secretariado da organização, dedicada justamente ao aprofundamento da parceria.

Nesta viagem que antecede a Cúpula do BRICS, o movimento ficou ainda mais evidente. Vieira começou por Singapura, onde se reuniu com o chanceler Vivian Balakrishnan e com a ministra Grace Fu.

O pano de fundo é extremamente concreto: entrou em vigor em 1º de agosto o acordo de livre comércio Mercosul-Singapura, o primeiro acordo dessa natureza do Mercosul com um país da ASEAN.

Só o comércio entre Brasil e Singapura alcançou US$ 10,7 bilhões no ano passado. A própria diplomacia de Singapura destacou que o acordo abre novas oportunidades em comércio, investimentos, economia digital, sustentabilidade e agroindústria.

De Singapura, Vieira seguiu para Bangkok. Na Tailândia, a agenda incluiu comércio, turismo, aviação, defesa, segurança alimentar, ciência e tecnologia, meio ambiente e biocombustíveis, área em que Brasil e Tailândia possuem programas nacionais de grande escala.

Também esteve em discussão a ampliação do comércio agrícola e a retomada das exportações brasileiras de carne bovina para o mercado tailandês.

E de Bangkok o chanceler segue para Nova Déli, onde representará o Brasil na Cúpula do BRICS nos dias 12 e 13 de setembro. A sequência geográfica da viagem ajuda a compreender sua lógica política. Singapura, Tailândia, Índia e BRICS não são capítulos desconectados.

Fazem parte de uma mesma estratégia brasileira de diversificação de mercados, fortalecimento do Sul Global e construção de relações internacionais baseadas na autonomia estratégica.

Essa talvez seja uma das principais virtudes da política externa do governo Lula. Aproximar-se da ASEAN ou fortalecer o BRICS não significa romper com os Estados Unidos ou a Europa. Significa exatamente o contrário da velha lógica dos alinhamentos automáticos: significa ampliar as opções do Brasil.

O próprio chanceler Mauro Vieira deixou isso muito claro em Singapura, ao rejeitar a caracterização do BRICS como uma aliança antiocidental. O grupo não precisa ser contra ninguém. Pode ser, sobretudo, a favor de uma ordem internacional mais equilibrada, de instituições multilaterais reformadas e de instrumentos econômicos que ofereçam maior liberdade aos países.

Até mesmo o debate sobre pagamentos entre os membros do BRICS vem sendo apresentado pelo chanceler não como uma cruzada contra o dólar, mas como uma busca por sistemas mais rápidos, baratos e eficientes, inspirados inclusive em experiências como o Pix brasileiro e o UPI indiano.

Essa visão também aproxima Brasil e Índia. São duas grandes democracias do Sul Global, países continentais, sociedades plurais e economias que mantêm relações importantes com o Ocidente sem abrir mão de seus próprios interesses.

A autonomia estratégica, nesse sentido, não é uma posição equidistante ou passiva. É a capacidade de conversar com todos, cooperar com diferentes polos e escolher caminhos de acordo com o interesse nacional.

A ASEAN se encaixa perfeitamente nessa visão. O Brasil não está trocando antigos parceiros por novos. Está ampliando seu horizonte.

Continua interessado nos mercados norte-americano e europeu, mas percebe que uma parcela cada vez maior do crescimento econômico, do consumo e das oportunidades comerciais do século XXI estará na Ásia.

Quando se observa que cinco mercados da ASEAN já compram do Brasil praticamente o mesmo que cinco importantes economias do G7, mas produzem para o país um saldo comercial dezenas de bilhões de dólares mais favorável, torna-se impossível tratar o Sudeste Asiático como uma região periférica para a política comercial brasileira.

O Brasil demorou a olhar para essa parte do mundo com a atenção que ela merece. O governo Lula e o Itamaraty estão corrigindo essa defasagem. Se o país conseguir consolidar sua presença econômica, ampliar os acordos comerciais, aprofundar a cooperação tecnológica e alcançar a condição de Parceiro de Diálogo pleno da ASEAN, estará construindo uma ponte de longo prazo com uma das regiões mais promissoras e dinâmicas do planeta.

A Cúpula de Nova Déli oferece o cenário perfeito para compreender esse movimento. O século XXI será cada vez menos organizado em torno de um único centro de poder e cada vez mais marcado por múltiplos polos econômicos, políticos e tecnológicos. Nesse mundo, soberania não significa isolamento. Significa diversificação.

E poucas alternativas parecem hoje tão promissoras para o Brasil quanto o Sudeste Asiático. A ASEAN não é apenas mais um mercado. É a nova fronteira do comércio exterior brasileiro — e transformá-la em prioridade é uma das grandes vitórias da diplomacia do governo Lula.

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