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Brasil condena uso da força contra a Venezuela e alerta para risco de colapso da ordem

Em sessão extraordinária da OEA, diplomacia brasileira afirma que ação dos Estados Unidos na Venezuela viola o direito internacional

Brasília|Joice Gonçalves, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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01.03.2024 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião bilateral com o Presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro - Kingstown, São Vicente e Granadinas
Foto: Ricardo Stuckert / PR
Lula tem se manifastado contra a ação dos EUA na Venezuela, que prendeu Nicolás Maduro Ricardo Stuckert/PR - 1.3.2024

O Brasil fez nesta segunda-feira (6) mais uma dura manifestação diplomática para condenar os bombardeios em território venezuelano e a prisão de Nicolás Maduro, classificando os atos como uma “afronta gravíssima” à soberania nacional e um precedente perigoso para a comunidade internacional.

A posição foi apresentada pelo embaixador Benoni Belli, representante permanente do Brasil, durante sessão extraordinária da OEA (Organização dos Estados Americanos).

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Em um discurso de tom firme, o diplomata afirmou que o cenário atual remete a práticas que se acreditava superadas na América Latina e no Caribe. Segundo ele, agressões militares desse tipo colocam em risco o multilateralismo e podem levar à substituição do direito internacional pela “lei do mais forte”.

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“O uso da força não pode ser naturalizado sob o argumento de que os fins justificam os meios”, afirmou Belli. Para o Brasil, esse raciocínio abre espaço para que países mais poderosos imponham sua vontade, ignorando soberanias nacionais e fragilizando a autodeterminação dos povos.

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Violação da carta da ONU

O discurso brasileiro destacou que a ação militar viola de forma direta a Carta das Nações Unidas e compromissos assumidos no âmbito hemisférico.

O embaixador citou a recente resolução 297/2025 da Comissão Jurídica Interamericana, que reafirma a proibição do uso da força nas relações internacionais, salvo em casos de legítima defesa ou quando há autorização expressa do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).

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De acordo com o entendimento reiterado pela comissão, essa proibição está diretamente ligada a princípios centrais da ordem internacional contemporânea, como a inviolabilidade territorial, a não intervenção em assuntos internos, a solução pacífica de controvérsias e a segurança coletiva. A resolução também reforça que tais normas se aplicam a todos os Estados, sem exceções regionais.

América Latina como zona de paz

Ao contextualizar a posição brasileira, Belli lembrou que a condenação ao uso da força é coerente com a atuação histórica do país em crises internacionais recentes. Ele ressaltou que a América Latina e o Caribe foram declarados zona de paz pela Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), o que confere ainda maior gravidade aos acontecimentos envolvendo a Venezuela.

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Segundo o diplomata, a ação militar remete aos períodos mais traumáticos de interferência externa na política regional e contraria o princípio da autodeterminação dos povos, considerado central para a estabilidade do continente.

O Brasil também rejeitou qualquer solução que envolva a criação de protetorados ou imposições externas ao país vizinho. Para o governo brasileiro, apenas um processo político inclusivo, conduzido pelos próprios venezuelanos e livre de ingerências estrangeiras, pode levar a uma solução legítima e duradoura.

Preocupação com a segurança regional

O discurso chamou atenção para o caráter inédito da situação na América do Sul. Pela primeira vez, imagens de uma agressão armada externa à região atingem um país sul-americano, no caso um vizinho com o qual o Brasil compartilha cerca de 2.200 quilômetros de fronteira terrestre.

O embaixador afirmou que os fatos são especialmente alarmantes e despertam preocupação direta do governo brasileiro com a segurança regional. Ele recordou declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a última cúpula do Mercosul, realizada em dezembro em Foz do Iguaçu: “Construir uma América do Sul próspera e pacífica é a única doutrina que nos convém”.

Defesa da não intervenção

Ao encerrar sua fala, Benoni Belli reafirmou que o Brasil seguirá sustentando os princípios constitucionais da não intervenção, da solução pacífica dos conflitos e da defesa da paz. Segundo ele, a preservação do patrimônio regional de estabilidade é uma prioridade que orienta a atuação brasileira tanto na América do Sul quanto no conjunto da América Latina e do Caribe.

Para o governo brasileiro, qualquer ruptura desse equilíbrio pode levar ao enfraquecimento da ordem internacional construída após a Segunda Guerra Mundial, abrindo espaço para um cenário marcado por maior instabilidade, violência e relações de subordinação entre os países.

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